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CRÍTICA
Elysium
(Elysium, 2013)
Por Heitor Romero Avaliação:           5.0
As dicotomias histriônicas de Neil Blomkamp.

Longe está Elysium (idem, 2013) de alcançar o mesmo sucesso do filme anterior de Neil Blomkamp, Distrito 9 (District 9, 2009), embora tente de alguma forma seguir pelos mesmos caminhos de seu antecessor, a começar por esse estilo de ficção-científica enraizado em nosso presente. Tal qual Prometheus (idem, 2012), que também se vale dos princípios de alguma história da mitologia grega para nomear sua trama, e assim criar um significado mais virtuoso em volta dela, o filme de Blomkamp remete aos Campos Elísios, um paraíso perfeito para onde os mortos que tivessem sido bons em vida pudessem descansar em paz, enquanto os que tivessem feitos coisas ruins eram relegados ao Tártaro – em nossa cultura, comumente representados por Céu e Inferno. E é com base nessa separação entre bons e maus que o diretor faz sua intervenção e cria um drama futurista que visa, em suma, retratar as injustiças que acometem o mundo hoje.

A grande sacada de Distrito 9, que tenta ser repetida aqui, foi erguer toda uma nova realidade com base naquela que estamos acostumados agora, evitando assim que a trama se perdesse em explicações muito mirabolantes e atraísse o espectador, que podia reconhecer na tela conflitos inesperadamente atuais e assim se identificar com eles, mesmo se tratando de um filme futurista. Na trama de Elysium, porém, tudo é muito mais convencional e, infelizmente, superficial. O personagem principal, Max (Matt Damon), vive na Terra, um lugar agora arruinado e habitado apenas por pessoas miseráveis, enquanto os bem afortunados vivem no satélite Elysium, um lugar paradisíaco que tem como principal vantagem uma nova tecnologia capaz de curar qualquer doença em pouco tempo. Depois de sofrer um acidente grave na fábrica em que trabalha e descobrir só ter cinco dias de vida restantes, Max tenta burlar as leis de imigração para entrar em Elysium, com a ajuda de um hacker (vivido por Wagner Moura, em boa forma) especializado no processo. Para isso eles terão de enfrentar Delacourt (Jodie Foster), a durona secretária de defesa contra imigrantes ilegais, e Kruger (Sharlto Copley), o mercenário enviado para impedir Max. 

Max, depois de uma cirurgia, se transforma em uma espécie de humanóide, ou um híbrido de homem e máquina, o que decerto o ajudará em sua missão. E parar coroar a aventura, temos o interesse romântico do personagem, Frey (Alice Braga), que tem uma filha que está morrendo de câncer e que também precisa dos benefícios da tecnologia desenvolvida em Elysium – uma subtrama melodramática que destoa de toda a produção.

Embora seja uma história que passeia por diversos dos problemas sociais mais gritantes do mundo moderno, que vai desde o drama dos imigrantes ilegais, passando pelas condições deploráveis de moradia de grande parte da população pobre dos países desenvolvidos, a questão da precariedade da saúde pública para essas pessoas, até a relação entre homens e máquinas, entre a humanização e a tecnologia, Elysium não passa de um conceito didático desenvolvido por Blomkamp para expor a gritante diferença entre classes sociais. Algumas sacadas são muito boas, como a transformação de Los Angeles – hoje uma das cidades mais glamorosas do mundo – em uma favela gigante, e a escalação de um elenco composto em grande parte por atores naturais de países que sofrem com essas condições (os brasileiros Alice Braga e Wagner Moura, o mexicano Diego Luna, o sul-africano Sharlto Copley, etc.) e que, portanto, conhecem bem essa realidade. 

Mas não há uma discussão relevante em torno desses temas, e tudo se resume ao estereotipo do povo pobre como vítimas e os ricos como algozes frios e dominantes. É muito categórico, sobre a como os pobres são injustiçados por não terem o direito à Elysium, sendo eles os “bons”, enquanto os “maus” ricos têm tudo do bom e do melhor. Elysium e a Terra formam uma dicotomia pobre e óbvia que só se permite discutir, da forma mais histriônica, as diferenças sociais entre a elite e a plebe. Se a princípio o diretor tenta se aprofundar nesses temas, com o tempo acaba perdendo o fio da meada e se rende às infindáveis explosões e o corre-corre dos personagens (justiça seja feita, todas as cenas muito bem executadas e empolgantes). Tudo bem que nunca fez parte da intenção do diretor formar uma análise comedida e profunda dos problemas sociais do mundo moderno, mas a partir do momento em que estes temas são levantados, o que se esperava era pelo menos um ponto de vista (mesmo que pessimista, como é característico dele) sobre tudo isso. Ele se resignou diante da crítica que tinha em mãos e acabou amarelando justamente no mesmo ponto em que ousou inovar anteriormente com Distrito 9.

Elysium poderia render bem mais, pois é um material que tem a seu favor um argumento diferente, mesmo dentro da mesmice das ficções-científicas recentes (como Oblivion [idem, 2013]), mas patina o tempo todo em cima da indecisão do diretor em se firmar, seja em uma crítica ou retrato social moderno, seja em um filme de ação descompromissado. O tratamento superficial com o que foi submetido o coloca à sombra do frescor e pulsão de Distrito 9, e faz de Neil Blomkamp uma promessa ainda incerta para o futuro. Para o espectador, pode servir como diversão ocasional (e, de certa forma, em comparação com a concorrência, já é um grande ponto positivo), mesmo que esquecível, mas jamais se formará como uma pertinente retratação dos males sociais modernos, e se identificar com a história é uma possibilidade praticamente nula para quem quer que seja.

Por Heitor Romero, em 23/09/2013 Avaliação:           5.0
Notas - Equipe
• Alexandre Koball 7.0
• Silvio Pilau 5.0
• Heitor Romero 5.0
•  Média 5.7
Notas - Usuários
6.7 (323 votos)
Minha nota:
0.5 1.0 1.5 2.0 2.5 3.0 3.5 4.0 4.5 5.0 5.5 6.0 6.5 7.0 7.5 8.0 8.5 9.0 9.5 10.0
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Por Ted Rafael Araujo Nogueira, em 27/02/2014 | 01:09:30 h
Porra acho que sou um dos poucos que gostou mesmo do filme, mesmo enxergando e criticando os clichês e algumas superficialidades do roteiro. Tudo isso dentro de um maniqueísmo clássico bem e mal do mesmo. Mas encontrei ali excelentes analogias filosóficas e sociais, que o problema foi não explorá-las o suficiente. Direção excelente e 2 grandes atuações (Wagner e Sharlto). Ótimo ritmo. Boa pedida.

Para comentários rechaçatórios...
http://www.cineplayers.com/comentario/elysium/37538
Por Renato Coelho, em 16/10/2013 | 13:00:20 h
Matt Damon, eterno Bourne, ser protagonista desse filme é decadente, decepcionante. Ator acomodado com papéis antigos.... deveria se preocupar mais com o roteiro.
Por Ícaro Santana, em 04/10/2013 | 20:56:19 h
Que filme horrível! Me senti ofendido e "torturado" durante cada segundo após o primeiro ato. A nota do Heitor ainda está alta, e se o filme fosse preto e branco mereceria 0,5, pois o que há de melhor nele é o visual, que se perderia muito se fosse P&B
Por Jairo Simões, em 30/09/2013 | 12:04:58 h
A crítica social é leve e concordo que se perde nos melodramas. Ainda tem os clichês que me incomodaram. Funciona como filme de ação para divertir.
Por Rogerío Araújo, em 29/09/2013 | 15:22:06 h
É ficção científica o que normalmente denota mais ação, mas achei que o filme ficou devendo um pouco na apresentação do contexto social. Ai passa por uma preferência pessoal.
De maneira geral o tema é excelente! Ele passa por desequilíbrio ecológico, social e moral, talvez por isso, este meu sentimento de mais profundidade.
Por Matheus Veiga, em 25/09/2013 | 23:17:59 h
Mais por causa do Blomkamp Walter.
Por Abdias Terceiro, em 25/09/2013 | 21:52:54 h
A despeito de tudo isso que foi dito de negativo sobre o tal filme, Wagner tá foda.
E o filme é divertido.
Por Alexandre Carlos Aguiar, em 25/09/2013 | 08:02:24 h
Parece que alguns amigos se incomodaram com a cutucadinha. Calma, isso é assim mesmo. Até porque opinião cada um tem a sua.
Por jorge lucas , em 24/09/2013 | 23:47:45 h
Distrito 9 é muito bom.
Por Matheus Veiga, em 24/09/2013 | 22:01:39 h
Se fosse Preto e Branco, ai Heitor aumentava essa nota para 7.
Por Lucas do Carmo, em 24/09/2013 | 20:25:43 h
Se fosse Preto e Branco, ai Heitor aumentava essa nota para 7.Se fosse Preto e Branco, ai Heitor aumentava essa nota para 7.Se fosse Preto e Branco, ai Heitor aumentava essa nota para 7.Se fosse Preto e Branco, ai Heitor aumentava essa nota para 7.Se fosse Preto e Branco, ai Heitor aumentava essa nota para 7.Se fosse Preto e Branco, ai Heitor aumentava essa nota para 7.Se fosse Preto e Branco, ai Heitor aumentava essa nota para 7.Se fosse Preto e Branco, ai Heitor aumentava essa nota para 7.
Por Ricardo Nascimento Bello e Silva, em 24/09/2013 | 19:26:32 h
"Mas entendo o ponto de vista do Heitor, só achei que um filme bom não merece 5. Acho que 5 é nota para filme ruim, que não é esse caso. Falei sobre o Preto e Branco, mas como uma ironia, pois noto que Heitor tem um apego maior a esses tipos de filme mais "clássicos". Mas não foi no intuito de ofender, só uma alfinetada leve... rsrss"

Não da para entender. Como assim o Heitor gosta mais de filmes clássicos? Se tem um cara no CP que é aberto é ele. Não vi esse, mas não esperava essa recepção tão exagerada(ame ou odeie) por parte do público, mas também nem me importava com ele, a não ser pelo fato do Moura estar no elenco do filme. Esse negócio de "se fosse cult", "se fosse Bergman", "se fosse preto e branco"(e etc) gostava é o papo mais ridículo que se pode ter. Pensei que o assunto dessa divisão de "cinema de entreterimento e cinema cult" estava extinto.
Por Diogo Cordeiro da Silva, em 24/09/2013 | 17:58:28 h
Para quem gosta, ou não tem nada contra, ficção cientifica. O filme é bom. Assim como o bom Distrito 9. Eu concordo como disseram aí, que ficou preso demais no drama da menina e só teve porradaria em alguns momentos... Mas são efeitos Hollywood presentes na obra de Blomkamp, algo que não se vê no mais independente (se é que se pode falar isso) primeiro filme do diretor. Por isso acha Distrito ainda melhor.

Mas entendo o ponto de vista do Heitor, só achei que um filme bom não merece 5. Acho que 5 é nota para filme ruim, que não é esse caso. Falei sobre o Preto e Branco, mas como uma ironia, pois noto que Heitor tem um apego maior a esses tipos de filme mais "clássicos". Mas não foi no intuito de ofender, só uma alfinetada leve... rsrss
Por Vinícius Aranha, em 24/09/2013 | 16:51:04 h
E a crítica foi bem clara. Simples assim: Elysium "patina o tempo todo em cima da indecisão do diretor em se firmar".
Por Vinícius Aranha, em 24/09/2013 | 16:48:51 h
Parece que é o Inception do ano. Diretor fez filme de prestígio antes, todo mundo rasga elogios - a maioria exagerados - e fica criticando quem discorda da qualidade do filme pelos motivos mais idiotas do mundo, como "Se fosse P&B, o Heitor aumentava a nota pra 7". E bem, pelo menos no caso de A Origem (é provável que com esse Elysium seja a mesma coisa, já que já acho D9 superestimado), na minha opinião, o filme realmente não tem nada demais.
Por Heitor Romero , em 24/09/2013 | 10:26:52 h
Puxa, esqueci de dizer em um dos parágrafos que o maior defeito de Elysium é a falta do preto e branco e de um diretor iraniano, além, claro, de atores da Tailândia. rs
Por Alexandre Carlos Aguiar, em 24/09/2013 | 08:09:52 h
Se fosse Preto e Branco, ai Heitor aumentava essa nota para 7. (3). E se o diretor fosse iraniano e os atores da Tailandia quem sabe ganharia um 9.
Olha, a crítica está confusa porque se atém a detalhes filosóficos ou de caráter sócio-cultural. Não sei, mas parece que ir ao cinema, é como fazer uma saída de campo de faculdade de Sociologia, ainda mais quando no mundo atual vivemos intercursos bicudos desde à crise econômica às mudanças climáticas. E aí quando alguém se atém, no mundo do entretenimento, a desenvolver o tema, tem que ser um the best fodástico para não deixar pedra sobre pedra.
Calma, é apenas cinema, é diversão, é entretenimento, tem os aspectos técnicos, ilminação, efeitos, cenários, sons, trilha, tem o desemenho dos atores, se são convincentes mesmo tendo um roteiro que escorrega, tem os impactos de cena, os planos.
Nossa, cinema, para mim, como você diz aí, "um espectador que procura diversão ocasional" é muito mais amplo que uma mera aula de Filosofia.
Por Patrick Corrêa , em 24/09/2013 | 07:19:59 h
Crítica bem escrita, mas discordo do ponto de vista exposto.

Funcionou como um bom filme de ação e tem algumas doses de crítica social, ainda que simples, distribuídas pela história.
Por Leonardo Ferreira Sampaio, em 24/09/2013 | 03:16:27 h
Se fosse Preto e Branco, ai Heitor aumentava essa nota para 7. [2]
Por André F. F., em 24/09/2013 | 01:01:46 h
Podia ter sido um filmaço, mas se perdeu no melodrama da menininha doente e da "história de amor" do personagem principal. Uma pena.

Se salva a atuação do Wagner Moura e os efeitos especiais inspirados.
Por Lucas Nunes, em 24/09/2013 | 00:19:22 h
Distrito 9 é uma obra prima!
Por Bruno Ricardo de Souza Dias, em 24/09/2013 | 00:01:22 h
Distrito 9 é ruim. (2)

Distrito 9 é um dos piores filmes que já vi... Vamos aguardar Elysium.
Por Raphael da Silveira Leite Miguel, em 23/09/2013 | 20:01:57 h
Pelo menos tem o Wagner Moura se destacando. Espero que ele continue a fazer filmes em Hollywood.

Mas mesmo assim acredito ser melhor que as outras ficções científicas recentes como Oblivion, Depois da Terra, Looper, A Viagem, etc.
Por Matheus Veiga, em 23/09/2013 | 19:20:28 h
heitor deu 5 a media baixou de 8.1 pra 7.8
Por Diogo Cordeiro da Silva, em 23/09/2013 | 18:04:11 h
Se fosse Preto e Branco, ai Heitor aumentava essa nota para 7. Dá 5 a esse filme é foda.
Por Vinícius Aranha, em 23/09/2013 | 14:13:32 h
Distrito 9 é ruim.
Por Paulo Matheus, em 23/09/2013 | 13:59:19 h
De fato, a abordagem crítica aqui ficou fraca, isso é evidente quando a sessão termina. Funciona mais como blockbuster, que diverte com as cenas de ação empolgantes e com o elenco em boa forma, como o Heitor disse. Mas ainda o considero um bom filme. Se fosse feito por qualquer outro diretor da "área", talvez essa decepção não seria tão grande. Esperava-se mais pelo que foi feito em District 9
Por Pedro Paulo Vieira Silva, em 23/09/2013 | 12:57:45 h
disaster movie travestido de crítica social, pueril, manjado em cada tomada, pior filme que eu assisti nesse ano.
Por Alexandre Koball, em 23/09/2013 | 12:52:57 h
Pelo menos nas bilheterias, Elysium já ultrapassou Distrito 9 e a diferença será bem grande. Aguardo muito ver isso. Prometheus foi uma grande surpresa, Distrito 9 também. É bom ver sangue fresco na ficção científica, gênero meio que deixado de lado.
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 FICHA DO FILME

 Elysium
(Elysium, 2013)
• Direção:
- Neill Blomkamp
• Elenco Principal:
- Matt Damon
- Jodie Foster
- Sharlto Copley
• Sinopse: No ano de 2159, existem dois tipos de classe social: aquela formada por pessoas que vivem em uma estação espacial chamada Elysium; e o resto, que vive em uma superpopulada e arruinada Terra. A secretária Rhodes, uma oficial de um governo rigoroso, é ...
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