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CRÍTICA

Fando y Lis

(Fando y Lis, 1968)
Por Lucas Murari Avaliação:                   9.5
O primeiro longa-metragem de Jodorowsky é, particularmente falando, o seu melhor filme.

Jodorowsky com certeza é o maior aprendiz dos surrealistas Luís Buñuel e Salvador Dali. O diretor chileno sempre foi ligado a culturas exóticas: escritor, diretor, roteirista de quadrinhos, palhaço de circo, leitor de tarô, curandeiro. Morou um tempo em Santiago, depois se mudou para o México, mas só foi se encontrar em Paris, onde juntamente com o na época teatrólogo Fernando Arrabal fundou em 1963 o Grupo Pânico. Fernando Arrabal também era um homem de vários dons, sempre se destacou no teatro, mas também se arriscava no cinema, nas telenovelas, na poesia.

O roteiro original do filme Fando y Lis foi baseado em uma peça de teatro de Fernando. Nela, Fando, um garoto extremamente ligado à sua mãe, um verdadeiro Édipo, vê seu pai republicano ser preso e condenado à morte e posteriormente descobre que sua própria mãe denunciou seu progenitor. Após tal descoberta, ele começa a luta para se desvincular de suas origens.

No filme de Jodorowsky, podemos notar uma influência muito grande de L'âge d'orde de Luís Buñuel, o primeiro romance surrealista filmado da história. O roteiro de Fando y Lis foi quase todo modificado pelo próprio diretor e por seu amigo Arrabal. O filme conta a estória do casal Fando (Sergio Kleiner) e sua amada Lis (Diana Mariscal) uma moça paraplégica, muito frágil. Eles estão em busca da cidade de Tar, a única que sobreviveu a grande catástrofe. Tar seria a cidade perfeita, o paraíso, Fando acreditava que chegando lá, poderia curar sua parceira.

O casal é totalmente infantil, em uma das primeiras cenas Lis está a brincar de boneca enquanto Fando comanda seu exército de brinquedo. Uma relação interpessoal, Lis é completamente dependente de Fando. O rapaz sempre a carrega, sempre a leva para todos os lugares. Lis é totalmente pessimista, acha quase impossível a cidade de Tar existir, talvez seu pessimismo seja devido a sua doença ao contrário de seu namorado que crê firmemente na existência da cidade perdida.

Segundo Jodorowsky “os personagens transitam lastimosamente o caminho do mau amor e da incomunicabilidade, cercados por um labirinto vazio de palavras bonitas”. Um romance recheado de sexo, morte, bizarrices e incoerências, o puro surrealismo. Fando y Lis são Adão e Eva, Romeu e Julieta, Kowalski e Stella, mas nenhum casal os representa melhor que Richard e Emmeline de A Lagoa Azul. As principais características de ambos são sua infantilidade, mas em certos momentos são corajosos, em outros chorões, às vezes totalmente apaixonados, às vezes brigões. Fando está cansado do fardo, de levar, carregar Lis para todos os lugares. Sua esperança de encontrar Tar vai ficando cada vez menor.

O casal quer filhos, mas antes de tudo querem chegar a Tar. O primeiro colapso do casal me lembra muito a O Iluminado de Stanley Kubrick, Fando começa a ficar estressado, começa a ser guiado por seus impulsos, parece ser guiado por algo, ele precisa alcançar seus objetivos, precisa chegar a Tar, ele está ficando louco, começa a ver coisas, imaginar coisas. Mas Lis é inteligente e muito sóbria, ela não tem tais impulsos. Fando abandona Lis e precisa encontrar seu próprio caminho, ele quer liberdade, quer novas experiências, quer chegar a Tar a qualquer custo. Esta cena remete a outro filme de Kubrick, dessa vez, De Olhos Bem Fechados, por sua essência, a liberdade buscando a fraternidade, o homem atrás de aventuras.

Outra coisa que me chama a atenção no filme é a relação entre pais e filhos. O renascimento do pai, a morte da mãe e o passarinho. A inteligência feminina, a persistência masculina. A fragilidade da relação, o psicológico dos personagens sendo desgastado no decorrer do filme.

Piano ao fogo, jogatina, homossexualismo, Edipismo, boliche humano, renascimentos, cavaleiros nus, doação de sangue tudo isso misturada a uma iluminação forte, nunca natural, sempre bem focada. O diretor usa muito o recurso das cores, a mistura do preto e do branco. Um filme perturbador, forte, chocante, denso de certa forma, não é de fácil aceitação, simples e complexo, tudo depende da forma como se quer aceitar a vida. O caminho para Tar é quase um inferno, porém ao final, de forma melancólica a cidade de Tar parece ficar mais visível.

Um grande filme, uma bela fotografia, uma bela trilha sonora, grandes atuações. Produção mexicana que chocou o mundo nos festivais afora. Primeiro longa-metragem de Alejandro Jodorowsky e particularmente o meu favorito. Infelizmente nenhum dos filmes do diretor Chileno foi lançado comercialmente no Brasil.

“QUANDO SEU REFLEXO SE BORROU NO ESPELHO, NO VIDRO APARECEU A PALAVRA LIBERDADE”

Por Lucas Murari, em 11/02/2007
Avaliação:                   9.5
Notas - Equipe
• Alexandre Koball 6.0
• Vlademir Lazo 7.5
• Heitor Romero 6.5
• Francisco Bandeira 7.0
•  Média 6.8
Notas - Usuários
7.4/10 (28 votos)
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 FICHA DO FILME

 Fando y Lis
(Fando y Lis, 1968)
• Direção:
- Alejandro Jodorowsky
• Elenco Principal:
- Sergio Kleiner
- Diana Mariscal
- María Teresa Rivas
• Sinopse: Um jovem de vinte anos e sua amiga paralítica viajam por um cidade chamada Tar. Desarraigados, infantis e abandonados em seus impulsos e desejos, Fando e Lis trafegam em um mundo de desesperada e impossível comunicação.
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