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CRÍTICA

Filadélfia

(Philadelphia, 1993)
Por Rodrigo Cunha Avaliação:               7.0
“On the Streets of Philadelphia...”

No início dos anos 90, a aids ainda era uma incógnita para o grande público, mas já colecionava vítimas pelo planeta. Famosos como Freddy Mercury (morto em 91) e Cazuza (morto em 90) foram cedo demais, junto com diversos outros artistas e desconhecidos, seja pela falta de informação, pela falta de sorte em transfusões ou pela irresponsabilidade sexual ou com as drogas. Mais do que isso, a aids era conhecida como a condenação gay, a peste a que todos os homossexuais estavam fadados por sua ‘depravação’. Algo absurdo, óbvio.
 
Foi mais ou menos nessa época ainda obscura da doença que o então em evidência Jonathan Demme resolveu filmar Filadélfia (Philadelphia, 1993), a história de um prodígio advogado que é demitido de um poderoso escritório em que trabalhava depois que um dos sócios descobre que ele tem aids. Andrew Beckett (Hanks) decide então processar seu antigo emprego, buscando diversos advogados para representar seu caso sob a alegação de armação (ele teoricamente havia perdido documentos importantes de um caso mais importante ainda), mas todos o recusam. Joe Miller (Washington), advogado trabalhista negro extremamente homofóbico, decide comprar sua briga e, juntos, enfrentam não apenas um império da lei, mas também os preconceitos pessoais de cada um. Tudo baseado em um ‘caso real’.
 
A verdade é que Filadélfia, mesmo com suas escolhas óbvias (advogado negro, raça historicamente sofrida, tem preconceito contra o gay portador de HIV, outra minoria social), tem seus méritos, principalmente por ter sido o primeiro grande veículo a dialogar com o público em massa sobre o assunto em uma época de tabus. Antes dele houve outros trabalhos, mas o filme de Demme conseguiu chamar atenção por ter nomes fortes envolvidos (Tom Hanks, Denzel Washington e o próprio Demme, que vinha de cinco Oscars principais por O Silêncio dos Inocentes [The Silence of The Lambs, 1991]) e ser relativamente simples, sem grandes discussões filosóficas ou dubiedade de personalidade, abraçando assim um público ainda maior por sua simplicidade e mensagem direta.
 
É um filme claro onde o sujeito A é prejudicado, corre atrás de seus direitos, constrói uma relação com a desavença B e tudo se fecha certinho dentro da boa moral, conscientizando a todos. Mas, ao mesmo tempo, é um trabalho tão sincero, tão bem interpretado, com um Hanks tão cativante (premiado pelo Oscar) e um Washington tão enérgico que fica impossível não simpatizar por sua causa. Há ainda um Antonio Banderas bem novinho interpretando o companheiro de Hanks e a participação como ator de Roger Corman, a lenda por trás de diversos clássicos de horror dos anos 60.

O filme abre percorrendo as ruas e mostrando diversas pessoas. Não é a toa, afinal, é sobre a aids sim, mas, acima de tudo, sobre eu, você, seus familiares, seus amigos ou qualquer outra pessoa comum. É institucional, é verdade, mas também eficiente e consegue encontrar coração no meio da linha reta que percorre, e isso certamente já lhe concede certo valor. Se não for por isso, vale pelo registro histórico, já que retrata bem um assunto importante de sua época, com direito a celulares tijolões, walkmans e demais objetos hoje obsoletos. A história de que diversos atores que participaram do filme, que tinham aids e que morreram poucos anos depois do lançamento é real e muito triste, mas reflete bem na vida a discussão que Filadélfia, como cinema, levantou.


 
I was bruised and battered and I couldnt tell
What I felt
I was unrecognizable to myself
I saw my reflection in a window I didn't know
My own face
Oh brother are you gonna leave me
Wastinґaway
On the streets of philadelphia
 
I walked the avenue till my legs felt like stone
I heard the voices of friends vanished and gone
At night I could hear the blood in my veins
Black and whispering as the rain
On the streets of philadelphia
 
Aint no angel gonna greet me
Its just you and I my friend
My clothes don't fit me no more
I walked a thousand miles
Just to slip the skin
 
The night has fallen, Im lyinawake
I can feel myself fading away
So receive me brother with your faithless kiss
Or will we leave each other alone like this
On the streets of Philadelphia

- Bruce "The Boss" Springsteen

Por Rodrigo Cunha, em 03/03/2014
Avaliação:               7.0
Notas - Equipe
• Alexandre Koball 7.0
• Daniel Dalpizzolo 4.0
• Rodrigo Cunha 7.0
• Régis Trigo 5.0
• Silvio Pilau 7.0
• Heitor Romero 7.0
• Marcelo Leme 8.0
• Francisco Bandeira 7.0
•  Média 6.5
Notas - Usuários
7.4/10 (468 votos)
Minha nota:
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• Todas as opiniões 
Comente no Cineplayers (1)
Por Francisco Bandeira, em 03/03/2014 | 18:19:14 h
Crítica incrível, transmitiu bem o que Demme quis passar e terminou com a bela canção do Bruce!
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Todas as informações aqui contidas são propriedades de seus respectivos produtores. Sugestões? Reclamações? Elogios? Faça valer sua opinião, escreva-nos!
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 FICHA DO FILME

 Filadélfia
(Philadelphia, 1993)
• Direção:
- Jonathan Demme
• Elenco Principal:
- Tom Hanks
- Antonio Banderas
- Denzel Washington
• Sinopse: Andrew Beckett é um advogado promissor de uma grande firma, que é demitido quando descobrem que ele tem AIDS. Ele procura Joe Miller, um advogado negro, para processar a empresa.
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