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CRÍTICA

Fragmentado

(Split, 2017)
Por Cesar Castanha Avaliação:                 8.5
O bom contador de histórias.
imagem de Fragmentado
O cinema de M. Night Shyamalan foi há muito tempo estereotipado pela crítica. E não me refiro ao momento em que o seu trabalho começou a desagradar mais do que agradar. O estereótipo do que seria esperado de Shyamalan é anterior a isso. Ele foi se estabelecendo já desde a recepção de seu segundo thriller, Corpo Fechado, e fortemente reafirmado depois de Sinais e A Vila.

Não é difícil perceber o que passou a ser esperado dele. Shyamalan causou uma forte impressão por ser extremamente habilidoso com o modo como contava suas histórias. Criando, a cada filme, um universo narrativo que tinha como princípio o mistério, e, como clímax, a surpresa da solução desse mistério. Acredito que o próprio diretor caiu um pouco vítima dessa expectativa, como me parece bem evidente em Fim dos Tempos, um filme fragilizado pelo artifício do mistério pelo mistério.

Fragmentado surpeendeu-me, justamente, por abrir mão dessa sedução cativante do mistério; por, aparentemente, expor com rapidez as diretrizes que regem aquele universo e os personagens que o habitam. Ele estabelece quase imediatamente a base para que se possa entender o está em cena, tirando as dúvidas do caminho, e vai, depois, aos poucos acrescentando novos detalhes, informações mais circunstanciais sobre os personagens. Ele cria, assim, uma estrutura tão forte para aquele universo que é possível antecipar acontecimentos futuros da trama, porque os personagens e o universo estão claros e são coerentes.

Então o filme pode ser tido como “expositivo” ou “previsível” (e de fato é essas duas coisas), mas apenas porque Shyamalan não abre mão de nos colocar ao lado dos personagens, de nos dar conhecimento de tudo que eles também têm conhecimento. E o texto do filme é muito habilmente montado a partir disso. Ele não está preocupado em manter informações escondidas do público ou dos personagens. Está tudo desde o início muito evidente: três garotas são sequestradas por um homem com múltiplas personalidades que as prepara para um tipo de sacrifício. O filme não se apoia em segredos e viradas da trama, mas na trama em si, na circunstância específica do sequestro e da situação do protagonista (James McAvoy).

Ao abrir mão desse tipo de artifício, Fragmentado se permite se aprofundar melhor nos personagens até encontrar na psicologia deles caminhos para resolver a trama. Colocar os personagens no divã é uma escolha eventual do cinema de suspense que é mais frequentemente problemática do que funciona. Este filme, no entanto, é um dos casos em que funciona, porque Shyamalan não usa da situação psicológica dos personagens para manipulá-los a agir segundo os interesses da trama. Pelo contrário, os seus traumas estão na base da sua construção, mesmo que só tomemos conhecimento deles mais adiante.

A antagonista das personagens múltiplas de McAvoy, uma das garotas sequestradas (Anya Taylor-Joy, mais uma vez subvertendo o lugar da scream queen) é um ótimo exemplo de como o filme opera esse divã. A personagem está desde o primeiro momento agindo a partir de determinadas respostas psicológicas. Mas essas ações são tão banais e sutis que podem passar despercebidas como resultado de um processo psicológico.

Então, ao mesmo tempo em que os vários McAvoy estão evidentemente agindo a partir de um lugar psicopatológico muito específico, a sua antagonista também está, embora o filme nos faça mais alheios das circunstâncias dela. O embate se torna assim muito interessante porque, ao mesmo tempo em que o filme é bastante expositivo com a trama, ele não o é com os personagens. E Taylor-Joy faz um trabalho fantástico de mostrar o resultado (nos gestos, no corpo) de tudo pelo que a personagem passou sem, em nenhum momento, expor o que foi que aconteceu com ela. Isso é uma tarefa que Shyamalan inteligentemente assume para ele, tirando das mãos da atriz.

Fragmentado, como o bom cinema de gênero, não traz as questões do gênero a partir de alguns estereótipos narrativos e fetiches estéticos, mas de como os personagens experimentam o que acontece com eles. A experiência do suspense e, eventualmente, do horror surgem na centralidade dos personagens para o filme e se sustentam na mesma medida em que os personagens e o universo seguem coerentes. Fragmentado é um bom filme de Shyamalan, mas é principalmente uma boa história. E é na sua habilidade meticulosa de contar bem boas histórias que está a riqueza do bom cinema de Shyamalan. Este filme fica entre os melhores.

Por Cesar Castanha, em 23/03/2017
Avaliação:                 8.5
Notas - Equipe
• Alexandre Koball 7.0
• Daniel Dalpizzolo 7.0
• Silvio Pilau 5.5
• Heitor Romero 7.5
• Marcelo Leme 7.5
• Bernardo D.I. Brum 8.5
• Cesar Castanha 8.5
• Victor Ramos 7.5
• Felipe Leal 8.5
•  Média 7.5
Notas - Usuários
7.4/10 (280 votos)
Minha nota:
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Comente no Cineplayers (11)
Por Guilherme Rodrigues, em 21/04/2017 | 03:09:44 h
Embora eu fique empolgado também tenho um certo receio pra que caminho vai tomar essa "trilogia"... espero que mantenha o nível lá em cima
Por Felipe Lima, em 20/04/2017 | 17:28:38 h
"Fiquei me perguntando se o desfecho é uma porta aberta para uma possível continuação onde McAvoy e Willis se encontrariam".

É sim. O roteiro tá sendo finalizado, segundo o próprio Shya. Deve ser o próximo filme dele.
Por Augusto Barbosa, em 20/04/2017 | 14:02:10 h
Retorno definitivo pra onde? Ele nunca deixou de ser grande. Rs
Por Guilherme Rodrigues, em 19/04/2017 | 21:05:11 h
Fiquei me perguntando se o desfecho é uma porta aberta para uma possível continuação onde McAvoy e Willis se encontrariam
Por Walter Sampaio, em 08/04/2017 | 19:03:20 h
Shyamalan dando uma aula de como estragar um filme em meia hora...
Por Matheus Johan Darswik Rodrigues Barbosa, em 07/04/2017 | 15:59:42 h
Que performance extraordinária de James McAvoy e direção genial de M. Night Shyamalan!
Por João H. Martini, em 27/03/2017 | 22:18:09 h
Há força e cuidado tanto nos detalhes, interpretações e diálogos como no ritmo e nível de suspense. Personalidades hostis e impacientes contrastam com gentis e atenciosas, num mesmo personagem, bela atuação. Ótimo filme, me surpreendeu, melhor do que esperava.

Por Diego Henrique Rezende, em 26/03/2017 | 12:12:27 h
O filme é soberbo. A construção das personagens é incrível, verossímil e, cada um, com trejeitos deliciosos. Destaco a criança, simplesmente sensacional. Ademais, a antagonista estabelece um quê de inteligência difícil de ser encontrado, haja vista que os filmes do gênero nos entregam personagens clichês, diferentemente desta - frágil fisicamente, é verdade, mas psicologicamente a altura do vilão.
Alguém aí sacou, no final, a referência a "Corpo Fechado"?.
Por Guilherme Machado, em 24/03/2017 | 09:45:00 h
Bom texto, mas essa imagem ai não deixa de ser um spoiler né? Sei lá, não que seja uma surpresa mas por um bom tempo no filme eu não tinha certeza se ia mesmo pra essa linha.
Por Kerlan T., em 23/03/2017 | 14:57:13 h
Que crítica ótima!
Também dei essa nota. O trio principal de atores está fantástico, e o jeito que o Shya usa a câmera nesse é de encher os olhos.
Por Alexandre Koball, em 23/03/2017 | 08:26:36 h
Grande Shyamalan, espero que seja seu retorno definitivo!
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• #001 Os Goonies
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 FICHA DO FILME

 Fragmentado
(Split, 2017)
• Direção:
- M. Night Shyamalan
• Elenco Principal:
- James McAvoy
- Anya Taylor-Joy
- Jessica Sula
• Sinopse: Kevin, um homem com pelo menos 23 diferentes personalidades (e a capacidade de alternar entre elas), é convencido a sequestrar três garotas adolescentes. Durante o cativeiro, uma nova personalidade - "A Besta" - começa a se materializar.
 FILMES RELACIONADOS
• A Vila
• Corpo Fechado
• Fim dos Tempos
• Sinais
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