FILMES CRÍTICAS NOTÍCIAS PERFIS TRILHAS TOPS PREMIAÇÕES ARTIGOS COMENTÁRIOS FÓRUNS   SÉRIES PUBLICIDADE
CENTRAL DE USUÁRIOS   |    CADASTRE-SE   |   ENTRAR
   
FILMES
CRÍTICAS
NOTÍCIAS
PERFIS
TRILHAS
TOPS
PREMIAÇÕES
ARTIGOS
COMENTÁRIOS
FÓRUNS

SÉRIES
CADASTRE-SE   |   ENTRAR
CRÍTICA

Inferninho

(Inferninho, 2018)
Por Francisco Carbone Avaliação:                     10.0
Poesia da inclusão multicolor.
imagem de Inferninho
Não é de hoje que Guto Parente é o 'melhor cineasta sem tela' da atualidade. Onde já se viu alguém parir dois filmes geniais como A Misteriosa Morte de Pérola e O Estranho Caso de Ezequiel e não conseguir distribuição nem lançamento? Ele lançou esse ano, a começar por Rotterdam, seu Inferninho, dele e de Pedro Diogenes, dois dos caras mais fascinantes do cinema brasileiro na atualidade, e o filme é a prova cabal dessas afirmações que o precedem. Oriundos e ainda parcela importante da Alumbramento, que escancarou as telas há quase 10 anos atrás com Estrada para Ythaca, Guto e Pedro são hoje artistas maduros que conseguem conceber algo tão impactante do ponto de vista político quanto também do ponto de vista carinhoso. Nem sempre (ou quase nunca) a fórmula escancarada de dizer o que se pensa é a melhor maneira de fazê-lo. Os dois juntos não apenas potencializam o que tem de mais genuíno como também viram aflorar um sentimento coletivo de conexão com o próximo, o cúmulo da empatia registrada em audiovisual.

O filme parte da história do local do título, reduto de desgarrados que se amparam entre aquelas paredes cinzas, dando cor ao espaço com sua aparente apatia cítrica. O lugar pertence a Deusimar, que comanda aquela 'família' com punho de ferro. Ali um dia chega um marinheiro que imediatamente se aproxima dessa mãe de todos e vive com ela uma história de amor e paixão tórridos. Tudo vai na mais absoluta tranquilidade até a chegada de dois 'mensageiros da morte', representados por um porta-voz do governo a comunicar a desapropriação do terreno, e por uma dupla de parceiros de mar de Jarbas, o marinheiro, a cobrar dele uma dívida. Estabelecido o conflito, é chegada a hora de desenvolver também os coadjuvantes que circulam a família desfuncional que habita o espaço, e terem todos função narrativa e dramática muito bem demarcada.

É reconhecível que o espaço do afeto seja um dado de Guto, assim como cabe a Pedro a virulência social e política. A partir da união desses olhares que trabalham em grupo há tantos anos, o Festival de Brasília foi assolado pelo filme talvez mais inusitado da  safra 2018, assim como também o mais emocionante e cálido. A luz de Victor de Melo acentua o caráter emotivo do longa, com seus acentos quentes em rosa, amarelo e vermelho, que seguem aquecendo para além da sessão. Com uma compreensão íntegra do projeto, os autores fizeram de sua equipe artística um time imbatível que responde por uma direção de arte mais seca (de Tais Augusto), em contraste com a própria fotografia e os figurinos espetaculares de Felipe Arara e Isac Bento. A identidade visual do filme como um todo não apenas é um acerto como tem o poder de nos carregar para aquele universo, que é um sonho sobre a realidade possível e querida por tanta gente, diria até ansiada. Esse mergulho em um Shangrilá com gosto de 2018 é uma das melhores sensações proporcionadas por essa edição do festival. 

Também a montagem de Victor Costa Lopes realiza mágica com as imagens cedidas pela dupla de diretores. Com uma miríade de personagens para apresentar e ao menos três linhas de pensamento correndo em paralelo a dialogar mutuamente, é uma vitória o que é conseguido por Victor, dando coesão, ritmo e respeitando o tempo de cada cena, a inflexão de cada momento, a realizar seus precisos cortes. O filme consegue ser extremamente humano, extremamente verdadeiro, extremamente simbólico e extremamente alegórico, em igual medida e com beleza também extremada. O roteiro do filme a seis mãos (além de Guto e Pedro, também Rafael Martins) é também ele uma soma do que compor, como compor e como apresentar essa história que parece tão simples e pequenina da forma mais exuberante e cheia de camadas possível, sem jamais esquecer nenhuma. O desfecho em particular é uma prova das capacidades de pensamento coletivo em articular algo precioso com concisão e abrangência, ao mesmo tempo.

Os diálogos providos pelo roteiro transformam aquele grupo de atores, que essencialmente já são espetaculares por si só, mas encontram nas palavras de Guto, Pedro e Rafael momentos únicos. Demick Lopes, Samya de Labor, mas especialmente Yuri Yamamoto e o próprio Rafael Martins estão em um patamar que a competitiva oficial não encontrou eco; a cena que ambos protagonizam, basicamente um monólogo do Coelho vivido por Rafael para a Deusimar de Yuri, sai de Brasília sem qualquer par. Isso tudo é conseguido por esse conjunto perfeito de cada uma das categorias particulares de 'Inferninho', que fazem do longa de Guto e Pedro uma experiência imersiva, um produto reconfortante e o filme mais completo dessa edição. Um filme que ainda encontra espaço para a política não-panfletária, um grito pró-diversidade e uma prova de que o radicalismo também pode ser doce. 

Filme visto no Festival de Cinema de Brasília
Por Francisco Carbone, em 24/09/2018
Avaliação:                     10.0
Notas - Equipe
• Francisco Carbone 10.0
•  Média 10.0
Notas - Usuários
aguardando 3 votos
Minha nota:
0.5 1.0 1.5 2.0 2.5 3.0 3.5 4.0 4.5 5.0 5.5 6.0 6.5 7.0 7.5 8.0 8.5 9.0 9.5 10.0
    --
• Todas as opiniões 
Comente no Cineplayers (0)
Não há opiniões dos usuários.
Comente no Facebook
Todas as informações aqui contidas são propriedades de seus respectivos produtores. Sugestões? Reclamações? Elogios? Faça valer sua opinião, escreva-nos!
 CINEPLAYERS CAST
CP Cast
#49 Neorrealismo Italiano
#48 O Exorcista
#47 Wall-E
#46 The Last of Us
#45 60 anos de Tim Burton
#44 Meu Amigo Totoro
#43 Missão: Impossível - Efeito Fallout
#42 Filmes da Sessão da Tarde
#41 Batman: O Cavaleiro das Trevas
#40 100 anos de Ingmar Bergman
#39 Os Incríveis 2
#38 Era Uma Vez no Oeste
#37 Jurassic Park e Jurassic World
#36 O Bebê de Rosemary
#35 A Noite dos Mortos-Vivos e Despertar dos Mortos
#34 Han Solo: Uma História Star Wars
#33 Deadpool 2
#32 Um Corpo que Cai
#31 Stephen King no Cinema
#30 Vingadores: Guerra Infinita
#29 A Franquia 007
#28 Um Lugar Silencioso
#27 2001: Uma Odisseia no Espaço
#26 Jogador Nº1
#25 Planeta dos Macacos
#24 Quentin Tarantino
#23 75 anos de David Cronenberg
#22 Projeto Flórida
#21 Trama Fantasma
#20 Três Anúncios Para um Crime e Lady Bird
#19 Oito e Meio de Fellini
#18 A Forma da Água
#17 The Post e os filmes de Jornalismo
#16 Indicados ao Oscar 2018!
#15 20 Anos de Titanic
#14 Nostalgia Cinéfila - Especial 15 Anos!
#13 Melhores de 2017
#12 Star Wars: Episódio VIII - Os Últimos Jedi
#11 Especial Natalino
#10 Assassinato no Expresso Oriente
#9 Onde os Fracos Não Têm Vez
#8 Liga da Justiça
#7 Stranger Things
#6 45 anos de O Poderoso Chefão
#5 Branca de Neve e os Sete Anões
#4 Halloween
#3 Blade Runner / Blade Runner 2049
#2 De Volta Para o Futuro
#1 Os Goonies
#0 O Piloto
 LEIA TAMBÉM
 FICHA DO FILME

 Inferninho
(Inferninho, 2018)
• Direção:
- Guto Parente
- Pedro Diógenes
• Elenco Principal:
- Yuri Yamamoto
- Demick Lopes
- Samya De Lavor
• Sinopse: Deusimar é a dona do Inferninho, bar que é um refúgio de sonhos e fantasias. Ela sonha em deixar tudo pra trás e ir embora, pra um lugar distante. Jarbas, o marinheiro que acabara de chegar, sonha em ancorar, fincar raízes. O amor que nasce entre os ...
 FILMES RELACIONADOS
• Estrada para Ythaca
• O Estranho Caso de Ezequiel
CINEPLAYERS LTDA. (2003 - 2018) - TODOS OS DIREITOS RESERVADOS

CENTRAL DE USUÁRIOS
FILMES
CRÍTICAS
NOTÍCIAS
PERFIS
TRILHAS SONORAS
HOME CINEMA
TOPS
COMENTÁRIOS
ARTIGOS
PREMIAÇÕES
JOGOS
FÓRUNS
PAPÉIS DE PAREDE
MAIS ASSISTIDOS
EQUIPE
NOSSA HISTÓRIA
CONTATO
PERGUNTAS FREQUENTES
PROMOÇÕES
ESTATÍSTICAS
ESPECIAL A NOVA HOLLYWOOD
ESPECIAL WES CRAVEN
CHAT
MAPA DO SITE
API CINEPLAYERS
ANUNCIE CONOSCO
         
CINEPLAYERS LTDA. (2003 - 2018)

           
 USUÁRIOS
 + ASSISTIDOS
 EQUIPE
 HISTÓRIA
CONTATO
FAQ
PROMOÇÕES
ESTATÍSTICAS
WES CRAVEN
MAPA DO SITE
API
ANUNCIE