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CRÍTICA
Intocáveis
(Intouchables, 2011)
Por Marcelo Leme Avaliação:                 8.0
Pragmáticos incontestáveis.

Um projeto como Intocáveis (Intouchables, 2011) poderia perfeitamente, visto pela sinopse e pela provável proposição imaginada antes de conferi-lo, ser encarado como um daqueles filmes que visam o choro fácil, buscando, mais do que contar uma história romantizada – seja essa de superação ou de introspecção diante uma nova condição de vida –, narrar um drama de circunstâncias de maneira absolutamente humana e comovente. Vários são os atributos que favorecem isso, no entanto o maior deles é, sem dúvidas, a dinâmica entre os atores centrais que ganham a atenção do público e vencem pelo carisma, atravessando clichês em benefício da narração. Talvez realmente seja demasiado corriqueiro, no entanto lições de humanidade nunca saem de moda e longas desse feitio sempre trazem um ar de renovação para uma reflexão enquanto sujeito humano, passível de lisonjeiras alegrias e devastadoras desventuras.   

Um anúncio: é baseado numa história real. Baseado ou inspirado, não interessa. Boas intenções não garantem bons filmes. Boas idéias quando mal executadas nada significam. A história: um milionário, Philippe (François Cluzet), que ficou inválido após um acidente, contrata um jovem negro que esteve preso por 6 meses para ser seu cuidador. Juntos se transformarão e crescerão, cada qual em sua limitação, numa jornada de benevolência e altruísmo pragmático – pragmático, aliás,é uma definição usada constantemente por Driss (Omar Sy) quando se define. E de fato o é, não somente pelo personagem, mas pelo filme e pela composição de mundo trabalhada. Afinal, tratam-se de pessoas e, enquanto seres humanos racionais, são motivados por compaixão pelo outro, por mais remota que essa pareça e incrível devido a condescendência de quem a desfere.

É sim clichê, demarcação infeliz. Para um filme, parece aceitável. Praticar boas práticas de solidariedade é clichê, que se mantenha então. Ainda sobre o assunto, mergulhamos em chavões durante a projeção, sobretudo pelo contexto dos personagens: o milionário rico com infelicidades românticas, uma filha adolescente aborrecida com o namorado e empregados que parecem estacados as exigências e necessidades do patrão; e Driss, cuja vida é acometida por erros, carrega um passado penoso como fardo pessoal, vendo seus familiares pobres sofrendo miseravelmente num apartamento apertado na periferia parisiense, convivendo como podem. O universo composto pela dupla de roteiristas e diretores Olivier Nakache e Eric Toledano (anteriormente filmaram “Apenas Bons Amigos“) é abarrotada de estereótipos. Sobre eles se desenvolvem questões que distingue o longa do convencional, como a afinidade improvável sucedida e a comiseração a pena.

O filme passa inteiramente detalhando em minúcias a relação entre Omar e Philippe, e não compreendemos de antemão o que fez o milionário escolhe-lo para ser seu cuidador. Seria imprudência? Desafio? Talvez não esteja muito bem da cabeça? Talvez seja a projeção de um desejo castrado, uma lacuna nessa vida de luxos, espontaneidade desregrada que agora lhe é inalcançável? Tudo isso chega ao público de maneira incrivelmente otimista. Philippe sofre sim, mas não abandona o sorriso – talvez uma das únicas coisas que lhe restam. A câmera foca Cluzet, esse despende risos e movimentos com o pescoço, breves, porém precisos, seja para mudar a página de um livro ou para buscar o movimento rítmico de uma dança. Sua transformação também é enaltecida em detalhes nunca tratados verbalmente: por exemplo o sinal da traqueostomia no pescoço que é do mesmo tamanho que o brinco que surge em sua orelha em determinado ato.

Banhado por um apelo dramático inevitável, servindo entre outras coisas para enobrecer o drama, já que a situação retratada não é de terna felicidade, os diretores têm a coragem de investir numa outra ótica para a propagação da história: o humor. Esse acontece durante todo o filme, sem culpa ou receio. Faz-se lógico, é tratado pelo próprio Philippe com graça e por Driss que faz piadas inoportunas, impróprias e de mal gosto, como se gozasse de um corte de cabelo de um amigo próximo. Justamente aí reside a beleza do longa, em não ter maldade, tratar de coisas importantes na vida com a leveza e necessidade que esta merece, ou como precisa para ser mais suportável. Ainda há espaço para discutir a arte, compreender alguns significantes segundo os olhos dos protagonistas. A cena em que Philippe compra um quadro de alto valor é interessantíssima. Aquilo não faz sentido a Driss, mas algo muda quando este se representa na arte, não unicamente pelo valor financeiro, mas pelo significado daquela obra em detrimento de sua vida projetada. Algo – valor pessoal – a deixar para o mundo.

Fica na memória boas cenas, eficientes em vários pontos de vista, demonstrando a França atual e a divisão econômica e social do país, com a imigração africana no plano de fundo numa graciosa Paris recheada de encantos e desalentos. As 4h da madrugada na capital francesa, um passeio em busca de ar – simbolicamente, de desopressão. Enfatizando tudo isso com uma beleza ilustre, a trilha afável do brilhante pianista italiano Ludovico Einaudi, com temas perfeitamente cabíveis, utilizadas de maneira cruciante e harmoniosa. Não são músicas feitas para o filme, são algumas de suas renomadas composições, emprestadas para saudar essa bela história sobre o ser humano. Simples e óbvio, nada surpreendente e impreterivelmente comum, Intocáveis tem um relevo delicado, é revigorante e honesto no que propõe: discutir valores que por vezes faltam ao homem para que esse se torne mais humano. Frente a essa possibilidade, vale se permitir deslumbrar-se pelo que acontece em cena.

Por Marcelo Leme, em 01/12/2012 Avaliação:                 8.0
Notas - Equipe
• Alexandre Koball 6.0
• Rodrigo Cunha 8.0
• Silvio Pilau 7.5
• Heitor Romero 5.0
• Marcelo Leme 8.0
•  Média 6.9
Notas - Usuários
7.9 (396 votos)
Minha nota:
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Por Alexandre Marcello de Figueiredo, em 24/01/2013 | 18:34:24 h
Uma bela história sobre a aproximação de duas pessoas totalmente distintas por causa de um drama pessoal. Bonito filme.
Por Camila Gomes, em 18/01/2013 | 23:06:19 h
Excelente crítica! ;)
Por Léo Félix, em 05/12/2012 | 14:54:25 h
Filme lindo!
Por Frederico Lyra Chagas, em 03/12/2012 | 09:37:22 h
minha esposa estava louca para ver, mas eu não quis... ô filme que, só de ver a capa, dava para saber tudo que ia acontecer.
Por Fernanda B, em 02/12/2012 | 13:57:09 h
Quero muito ver!
Por Patrick Corrêa , em 02/12/2012 | 08:00:11 h
Finalmente, uma crítica de um editor para esse filme!
Muito bom!
Por Ricardo Nascimento Bello e Silva, em 01/12/2012 | 15:00:17 h
Mesmo que "praticar boas ações" seja clichê, mas fique bem no filme, e mesmo assim, ele ser chamado de tão lindo e talz por aí e detalhado, ainda não sinto interesse em assistí-lo. Mesmo assim, a crítica está boa!
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 FICHA DO FILME

 Intocáveis
(Intouchables, 2011)
• Direção:
- Olivier Nakache
- Eric Toledano
• Elenco Principal:
- François Cluzet
- Omar Sy
- Anne Le Ny
• Sinopse: Após tornar-se tetraplégico, vítima de um acidente de parapente, aristocrata contrata um jovem para ser seu cuidador.
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