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CRÍTICA

Invocação do Mal

(Conjuring, The, 2013)
Por Marcelo Leme Avaliação:               7.5
Adaptação de possíveis manifestações demoníacas nos tempos de O Exorcista e Amityville.

Gênero difícil de trabalhar esse de terror, especialmente quando relacionado a possessões demoníacas, já que muito já fora feito e relativos sucessos conquistados, ainda com a sombra comparativa ao clássico imortalizado, O Exorcista (Exorcist, The, 1973). Se há muito pouco o que se inovar, então que seus clichês sejam tratados com alguma astúcia e que a história os tenha a seu favor narrativamente, e não como o típico mais do mesmo esgotado que funciona com os desacostumados. O anúncio de que se baseia numa história real vem como o prenúncio da possível existência do fato. Nunca fora comprovado. Ainda assim é o bastante para atrair olhares e motivar alguns curiosos a irem ao cinema conferir um dos mais custosos trabalhos dos famosos demonologistas (?) Ed e Lorraine Warren. De quebra ainda há a lembrança de um dos casos mais discutidos da dupla, o da apavorante boneca Anabelle.

Lembrado geralmente por iniciar a febre Jogos Mortais (Saw, 2004), o diretor malaio James Wan entra na onda do sobrenatural pela segunda vez em poucos anos. Ele já tinha proporcionado uma experiência diferenciada em seu longa anterior, o competente e assustador Sobrenatural (Insidious, 2010) – que ganhará uma sequência ainda este ano –, demonstrando o quanto poderia ser promissor em filmes de horror. Com esse Invocação do Mal, provou que é uma boa aposta para um estilo desgastado. Ele dirige um filme de gênero definido e investe em nuances sombrias aterrorizantes, sem o uso exaustivo da trilha ou das sombras que oferecem espantos repentinos os quais praticamente prevemos antecipadamente. Seu trabalho de câmera, ora subjetivo, ora objetivo, é bem sucedido. Ele passeia pelos corredores e encontra guinadas em alguns planos específicos sem cortes. É visualmente atraentíssimo!

A dupla central que encarna o casal Warren é vivida por estrelas hollywoodianas. Patrick Wilson – trabalhando novamente com Wan após Sobrenatural – assume o papel de Ed, demonologista não-padre reconhecido pelo vaticano que dá palestras explicando seu trabalho como se pudesse demonstrar cientificamente o que diz dominar. Já Vera Farmiga, sempre tão talentosa, dá uma dubiedade notável a Lorraine que sofre com o ofício, pois é mais do que uma caçadora de demônios, é uma sensitiva que revive situações e enxerga além das manifestações daqueles que busca salvar. Com a dupla de prestígio, Wan não se preocupa tanto em dirigir atores, já que notoriamente dá liberdade a experiência dos mesmos. Ele se concentra claramente nas 6 crianças em volta que seguem padrões ritmados cena após cena. Uma delas é Mackenzie Foy que viveu a filha de Edward e Bella em A Saga Crepúsculo: Amanhecer - Parte 2 (Twilight Saga: Breaking Dawn - Part 2, The, 2012). Ao menos dessa vez ela participou de um filme cujo sobrenatural pode ser levado a sério.

A favor da obra está a ambientação setentista. Faz um eco com Amityville - A Cidade do Horror (Amityville Horror, The, 1979). O cunho artístico nos transporta aos filmes da época. A ausência de tecnologia surge como um empecilho para os personagens e um trunfo aos realizadores. O figurino e estilização também contribuem para acessarmos 40 anos atrás. Com isso emergem alternativas de horror, tal como o distanciamento do homem da cidade cuja dificuldade de comunicação compromete sua segurança; ou os métodos de trabalho dos Warren, limitados, com câmeras e microfones precários; e as brincadeiras das crianças que divertem-se com um simples esconde esconde, promovendo boas cenas salientando a ameaça presente, porém invisível.

O roteiro baseado no evento dito verídico se concentra em tentar dar um embasamento teórico as manifestações através de aulas, palestras e diálogos entre os personagens, pondo em dúvida o que é verdadeiramente real. Os roteiristas, Chad Hayes e Carey Hayes, especialistas em filmes de terror, se encarregam de passar informações importantes para compreendermos o que está acontecendo e o que poderá vir a acontecer. É um acerto narrativo que oferece com didática várias possibilidades de sucessões, sem preocupar-se em cumprir cada uma. Pesquisas e constatações religiosas surgem com ênfase à idéia de tratar-se de possessões demoníacas, há até uma breve retratação histórica a respeito da ação do catolicismo a respeito desses casos.

Dirigido com crueza e sem inventividades, mas com competência, adentramos numa atmosfera distinta, sombria e ameaçadora. Nos importamos com seus envolvidos diretos: a família atormentada num antigo casarão que compraram num leilão e o casal caçador com suas razões pelas quais escolheram trabalhar com isso. Percebemos temores nas minúcias, nos detalhes bem dispostos, como em uma cena onde uma das meninas está desesperada afirmando ver alguém atrás da porta de seu quarto. Não vemos o que ela enxerga, tampouco questionamos sua sanidade, somos levados a crença devido ao que já fora proposto logo nos minutos iniciais da fita. Farmiga também expressa detalhes em sua atuação sucinta, são vários os atos em que observa alguns locais subitamente fazendo expressões temerosas reparando o que nós e os outros personagens não tem condições de perceber. Quando a câmera converte-se em seu olhar, aí sim vislumbramos o que lhe terrifica.

Subvertendo formas, o filme se desenrola com clareza surpreendente, já que não larga muita coisa em suspensão, resolvendo-se em suas limitações. James Wan é criativo, varia cenas de profunda tensão com outras de terna leveza, cumprindo conjuntamente a fotografia e direção de arte um universo ermo. Finalizado, comparamos inevitavelmente a obras semelhantes e notamos o quão melhor Invocação do Mal é justamente por ser serenamente objetivo e rústico, pensado cuidadosamente. Precisamos acreditar no que vemos por 120 minutos para o filme funcionar. O ceticismo amarga as experiências que filmes de horror proporcionam e deve ser ignorado em benefício do cinema e de sua arte.

Por Marcelo Leme, em 17/09/2013 Avaliação:               7.5
Notas - Equipe
• Alexandre Koball 6.0
• Daniel Dalpizzolo 7.5
• Régis Trigo 6.5
• Silvio Pilau 7.0
• Marcelo Leme 7.5
•  Média 6.9
Notas - Usuários
7.3 (328 votos)
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Por Cristian Oliveira Bruno, em 28/11/2013 | 17:34:48 h
Bom filme. Acho que nem todo clichê é ruim. Dentro de um certo contexto, como em filmes de ação e esse aqui, são bem válidos. Além das palmas, a boneca Isabelle do filme é bem mais assustadora que a real, que parece com a Elília do Sítio Do Pica-Pau Amarelo (tomara que ela não tenha ouvido isso....)
Por Augusto Santos Filho, em 30/09/2013 | 16:25:10 h
Bem melhor do que filmes recentes do gênero como A Entidade

Acho A Entidade melhor que este, que é bem bom.
Por Daniel Borges, em 30/09/2013 | 15:06:55 h
Achei o filme completamente sensacional.
Por Luiz Fernando de Freitas, em 23/09/2013 | 08:24:59 h
Bem melhor do que filmes recentes do gênero como A Entidade, Sobrenatural, Mama e O Último Exorcismo Parte II. Pode não ser genial ou tremendamente assustador, mas cumpre o que promete, como bons sustos e na criação de uma atmosfera tensa e realista.
Por Renan Fernandes, em 22/09/2013 | 14:49:34 h
A crítica fez o filme parecer melhor do que é, pelo menos no roteiro...o filme é acima da média mas ainda acho que ele podia ter fugido de alguns clichês, "A bruxa declarou seu amor a Satã e se enforcou" olha não sei quem estava lá pra ouvir essa declaração, mas que isso é batido isso é.
Por Amanda P N Ferreira, em 22/09/2013 | 10:12:06 h
Assisti o filme e apesar da história clichê gostei bastante, meio que sem entender o porquê. Agora que li sua resenha, entendi!
Por Dáiron César Waick Schuck, em 20/09/2013 | 10:14:38 h
Fiquei curioso. Já deixei de assistir a filmes sobre esse tema devido a serem deveras reciclados demais, mas... este assistirei. :) Aguçou minha curiosidade, pela ambientação da década de 70 e por ter Vera Farmiga, atriz que simpatizo muito.
Por André Sandes, em 20/09/2013 | 00:05:32 h
Todo mundo falando super bem desse filme, que tive de ir correndo ao cinema! Mas infelizmente... não gostei. Muito meia boa. O interessante é que foi baseado em eventos reais.
Por Alexandre Carlos Aguiar, em 19/09/2013 | 16:12:24 h
A realidade, hoje em dia, talvez esteja mais assustadora do que filmes do tipo. Por isso o ceticismo latente. Certa vez Stephen King disse que uma história de terror, para ser boa, deveria, pelo menos por um instante, fazer a gente olhar para o lado para se certificar de que não havia alguma coisa por perto. Se for o caso, o filme é bom.
Por bruno dos santos, em 19/09/2013 | 11:44:35 h
Parece mesmo ser um bom filme de terror, bem melhor do que anda saindo atualmente.
Para um gênero que já fez tanto sucesso, precisamos de diretores iguais a esse James Wan, que saiba usar os clichês á seu favor.
O problema não é o mais do mesmo, mas a forma como é contado.
Por Alexandre Koball, em 19/09/2013 | 07:31:21 h
O problema é que demorou demais pra chegar no Brasil, daí todo o hype positivo aqui se transformou em hype negativo (pessoas demais vendo pela Internet, etc.).
Por Gustavo Hackaq, em 18/09/2013 | 23:53:37 h
Me desculpe, mas eu já assisti ao filme e apenas vi mais do mesmo, com outras caras. Os sustos são previsíveis, o roteiro é comum, aliás, quase tudo nessa película é comum. O que piora ainda mais a situação do todo.
Por Diogo Cordeiro da Silva, em 18/09/2013 | 22:49:38 h
Cara, eu achei um excelente filme. Darei um 8 pra ele.

Por Tio Lucas Nunes - O Maior fã de Christopher Nolan, em 18/09/2013 | 10:40:23 h
Me desculpe, mas eu já assisti ao filme e apenas vi mais do mesmo, com outras caras. Os sustos são previsíveis, o roteiro é comum, aliás, quase tudo nessa película é comum. Apenas elogio o elenco, que fez um bom trabalho, mas de resto, é jogar água na chuva em matéria de filmes de terror...[2]
Por Luiz Fernando de Freitas, em 18/09/2013 | 10:20:13 h
Apesar de bastante cético quanto ao tema retratado no filme, gosto de alguns filmes do gênero/estilo, como O Exorcista, Os Outros e Poltergeist. Espero muito me assustar com este filme, visto que já faz alguns anos que isto não vem acontecendo, tamanha "cafonice" do gênero na atualidade.
Por Gustavo Hackaq, em 18/09/2013 | 09:06:12 h
Coisa que comigo não teve.
Por Alexandre Koball, em 18/09/2013 | 07:42:37 h
Ficou legal Marcelo. O desafio é ser melhor do que o maravilhoso A Entidade. Clichê? Talvez, mas para o Terror o que importa é atmosfera, tensão e sustos genuínos.
Por Gustavo Hackaq, em 18/09/2013 | 06:51:55 h
Não consigo entender como tem TANTA gente gostando desse filmeco clichê, previsível, mal atuado e muito covarde.
Por Alan Principe, em 18/09/2013 | 00:36:43 h
Eu não acredito em p*rra nenhuma sobrenatural. Mas assisti esse de madrugada e sozinho em casa. As palmas me deixaram no pânico.
Por William Santos, em 17/09/2013 | 21:13:23 h
Deu sim. Boa crítica.
Por Marcelo Leme, em 17/09/2013 | 21:06:39 h
Tive que consertar o texto. Enviei incompleto. Fiz alguns estragos - ficou uns minutos um longo parágrafo -, mas acho que agora deu tudo certo.
Por Rafael W. Oliveira, em 17/09/2013 | 21:02:30 h
Aquelas palmas...
Por William Santos, em 17/09/2013 | 20:58:31 h
Parágrafo?
Por Raphael da Silveira Leite Miguel, em 17/09/2013 | 20:48:52 h
James Wan tem futuro mesmo! Apesar de ser um gênero dentro do terror que menos gosto, acredito no potencial do diretor desse filme, e pela crítica, não devo me surpreender, afinal ele dirigiu Jogos Mortais, pra mim, um dos melhores do gênero.
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 FICHA DO FILME

 Invocação do Mal
(Conjuring, The, 2013)
• Direção:
- James Wan
• Elenco Principal:
- Vera Farmiga
- Patrick Wilson
- Lili Taylor
• Sinopse: Harrisville, Estados Unidos. Com sua família cada dia mais apavorada devido a fenômenos sobrenaturais que a atormentam, Roger Perron resolve chamar dois demonologistas mundialmente conhecidos, Ed e Lorraine. O que eles não imaginavam era ter que enfr...
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