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CRÍTICA

Livre

(Wild, 2014)
Por Cesar Castanha Avaliação:               7.0
Uma jornada pessoal.
imagem de Livre

Não foram poucas as vezes que uma resistência a determinado diretor ou equipe afetaram meu julgamento de um filme. É algo provavelmente inevitável, no que a construção de uma opinião está atrelada a uma construção de gosto que pode enganar trazendo algumas determinações estúpidas. Pouco interessado em Jean-Marc Vallée ou Reese Whiterspoon (pelo menos desde Eleição e Legalmente Loira), foi muito fácil descartar Livre por todas as suas falhas quando o descobri há alguns meses na Mostra Internacional de Cinema, em São Paulo. Desde então, e por motivos que vão além do interesse, revi o filme duas vezes no cinema; e, embora suas falhas ainda estejam claras, parece-me um erro descartar seus acertos.

Livre, e isso é muito importante para que se entenda o que é feito pelo filme, é uma adaptação do texto autobiográfico de Cheryl Strayed Wild: From lost to found on the Pacific Crest Trail. O maior acerto do filme talvez seja o respeito à narrativa como memória, fora de ordem ou sentido. Assim, embora se acredite entender o trajeto e o objetivo de Strayed na trilha, não se entende as suas motivações até que o filme e sua memória avancem o bastante. Quando isso acontece, percebe-se que não era possível compreender o trajeto e o objetivo da personagem apenas por um um urro indignado na primeira cena. Na verdade, sem a memória de Strayed, não poderíamos compreender sequer o seu urro.

A memória de Strayed, a montagem de Livre e a nossa leitura do filme precisam unir-se em cumplicidade para que a personagem e a realidade da sua história sejam alcançadas. O roteiro consegue ser tão honesto quanto a montagem, e a mesma sinceridade está nas atuações de Whiterspoon e Dern. A única coisa no filme que parece julgar a trajetória de Strayed é a direção de Vallée.

Não sei se é uma marca de sua obra ou mera coincidência, mas os filmes de Vallée insistem em estilizar a vida sexual dos seus personagens, associando visualmente o sexo a um tipo de marginalidade moral. Tanto aqui como em Clube de Compras Dallas, seus personagens não apenas fazem sexo, mas o fazem com marcas de agulha nos braços, maquiagem carregada, aspectos cansados, cumprindo a expectativa estética do marginal.

O moralismo de Vallée faz Livre parecer tolo, mas sua principal vítima é a atuação de Whiterspoon, sempre um passo atrás nesses momentos. É impossível alcançar a realidade do desabafo de Strayed quando esta é transformada em uma caricatura. Felizmente, a charge é negada no texto pela própria personagem. Em um momento poderoso de redenção, ela assume para si mesma que não faria nada de diferente, pois podem ter sido justamente os seus momentos de fraqueza que a levaram ao lugar onde estava então.

Ainda assim, fico na cabeça com algo muito bonito que me foi dito por um amigo sobre Livre e como este se diferencia de outros feel good movies. Isto seria o respeito à individualidade da jornada. Livre, e agora não só concordo como é o ponto que mais me atrai do filme, é uma história pessoal, de uma personagem, que teve suas motivações e seus objetivos. O filme se restringe a querer contar a história dela apenas. Diferente de outros filmes de sujeito urbano em contato com a natureza, como Na Natureza Selvagem, ele não tenta nos dizer o que fazer ou uma razão universal da vida que foi aprendida pelo personagem no caminho. Não, todas as morais que Strayed encontra servem apenas para ela mesma, se as conhecemos é apenas porque Strayed confiou em nós para isso.

Encerro dizendo que gosto muito do título em português, ele está muito mais próximo do que, pra mim, é o filme do que o Wild original. Pensar o filme como selvagem destaca a radicalidade da escolha da protagonista e da sua vida antes da caminhada. Pensá-lo como liberdade já acho bem mais interessante. O Livre que vejo hoje é filme falho, mas bonito, sobre a capacidade de se perdoar. No lugar do feel good movie, o I’m feeling good movie. Uma experiência boa.

Por Cesar Castanha, em 18/01/2015
Avaliação:               7.0
Notas - Equipe
• Alexandre Koball 8.0
• Rodrigo Cunha 7.0
• Régis Trigo 7.0
• Silvio Pilau 7.5
• Marcelo Leme 6.0
• Francisco Carbone 5.0
• Cesar Castanha 7.0
•  Média 6.8
Notas - Usuários
6.8/10 (147 votos)
Minha nota:
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Comente no Cineplayers (11)
Por Caio Henrique, em 24/01/2015 | 19:24:36 h
Mermão, esse Katz tava fumando uma maconha estragada da porra
Por Carol L., em 24/01/2015 | 03:24:50 h
Muito boa a crítica! Concordei bastante com sua opinião sobre o filme, e nem tinha pensado nisso do conservadorismo do diretor, mas faz sentido mesmo. Achei bem pertinente o comentário sobre o título também!

Ver esse filme no cinema foi um alivio depois te uma enxurrada de filmes ruins. Uma boa experiência, de fato.
Por Anderson de Souza , em 18/01/2015 | 13:24:29 h
Haha a imaginação tbm borbulha na puberdade.

Quando abri a crítica só tinha 2 parágrafos, por isso perguntei se tava incompleta. Acho q não entenderam.
Por Rodrigo Cunha, em 18/01/2015 | 13:06:56 h
HAHAHAHA

Vcs tem uma imaginação e tanto rs.
Por Rodrigo Cunha, em 18/01/2015 | 10:40:40 h
Sobre o estilo Castanha que eu falei: ele sempre faz críticas direto ao ponto, sem embromar, e nós nunca tivemos que censurar ninguém.

Se o texto fossem só as duas linhas, a gente não iria censurá-lo por isso.

E os números são o Analytics que me dá.
Por Rodrigo Cunha, em 18/01/2015 | 10:37:40 h
Eu ainda vou entender o que vc pretende, Katz. rs
Por Alexandre Koball, em 18/01/2015 | 10:00:39 h
Pessoal, de fato o texto estava incompleto, um erro no envio do arquivo. O texto completo já encontra-se logo acima.
Por Reginaldo Almeida, em 18/01/2015 | 09:43:17 h
O Cesar é fera! Só foi objetivo nessa critica. Isso bastou
Por Anderson de Souza , em 18/01/2015 | 02:48:32 h
Quando começou a ficar bom acabou haha.
Por Rodrigo Cunha, em 18/01/2015 | 02:38:52 h
Só isso mesmo, estilo do Castanha.
Por Anderson de Souza , em 18/01/2015 | 02:37:46 h
Vish.
ta incompleta ou é só isso mesmo?
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 FICHA DO FILME

 Livre
(Wild, 2014)
• Direção:
- Jean-Marc Vallée
• Elenco Principal:
- Reese Witherspoon
- Laura Dern
- Thomas Sadoski
• Sinopse: Crônica de uma caminhada solo de 1,100 milhas, ao longo da Costa Oeste americana, realizada por Cheryl Strayed, como forma de se recuperar de uma recente catástrofe.
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