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CRÍTICA

Lolita

(Lolita, 1962)
Por Marcelo Leme Avaliação:               7.0
O desejo rendido às sutilezas.

Há um desejo manifesto no olhar do homem sobre aquele corpo feminino de biquíni estirado sobre a grama e celebrado pelo sol. É um vislumbre erótico inofensivo, enraizado no prazer reprimido por tratar-se de uma jovem em sua adolescência, lasciva em suas atitudes e impudica em seus olhares inclementes. Lolita é um marco na carreira de um dos cineastas mais aclamados pelo público e pela crítica, Stanley Kubrick. Aqui ele disseca a obra literária homônima de Vladimir Nabokov – também responsável pelo roteiro – e constitui um clássico econômico sobre o desejo carnal, assunto que atingiria plenitude em seu último trabalho, o suspense enigmático De Olhos Bem Fechados (Eyes Wide Shut, 1999).

Lolita é considerado um clássico muito mais pela discussão que o envolveu. Um advento que negaria os bons costumes do cinema ainda tímido com relação ao sexo lá no início da década de 60. Cenas de sexo ficaram na sala de edição. A forma branda retratada parece dissonante as propostas de outros filmes do diretor, o que hoje causa certo estranhamento e receio. Kubrick teve o roteiro de seu projeto visivelmente castrado. Já era demasiado divergente segundo o próprio Nabokov. Mas é preciso entender o viés de adaptação e o desconforto temático: a realização e as possíveis questionáveis limitações da obra precisam ser compreendidas a partir do contexto que fora feito.

O ato inicial aturde a memória. Algo se passou num passado até então inacessado. A memória fundamenta o arrependimento do que se fez. Esse é um drama intuitivo até quando adentramos de vez na vida de seu protagonista, o professor Humbert Humbert, que surge na cidade de Ramsdale para depois viajar pelo país e lecionar francês. As circunstâncias engolem o desejo desse homem interessado na beleza da jovem Dolores, nossa Lolita, que ganha às curvas da atriz Sue Lyon. É na casa dela que ele vai morar de favor, e, para não mais ir embora, casa-se com sua mãe, a viúva Charlotte Haze, encantada com a postura intelectual do docente. Desenha-se aí um romance como potencial tragédia. Fica na sugestão.

Diferente de suas obras anteriores – Spartacus (idem, 1960) havia sido seu último trabalho –, o diretor reside num ponto de ebulição urbana, buscando compreender o núcleo de relações familiares, a acidez entre mãe e filha, incapazes de assumirem suas funções. Nesse âmbito, alguns assuntos se repetem como alusão: o homicídio, conforme retratado em A Morte Passou por Perto (Killer's Kiss, 1955) e o estupro, visto em Medo e Desejo (Fear and Desire, 1953). Aqui se acentua a polêmica em torno de uma menor. Com essa oportunidade, a polêmica torna-se atrativa e apimenta a narrativa. Fica distante da proposta original. Na refilmagem de 1997, o inglês Adrian Lyne tentou realizar com maior fidelidade. E fez. Terminou pouco interessante. 

Nas intenções o filme se enterra. Mas enternece nas várias sugestões dos desejos de Humbert que não consegue realizá-los. A impossibilidade de colocar em cena os assuntos correntes devido a polêmica que os estúdios não gostariam de tratar transformam o filme numa narração velada, quase que em tom de fábula, acerca do prazer proibido. Sobram incitações desenvolvidas ao longo da longuíssima duração. A adaptação ficara enxuta apesar das quase 3 horas. Marca-se a impossibilidade de elucidações em benefício da trama: tudo acontece as escondidas, as percepções e vontades são inacessíveis. Traduz-se, então, de maneira mais contida, o dialogo final entre Tom Cruise e Nicole Kidman lá em De olhos bem fechados. Moralmente, o filme se segura abrindo margem para a função do humor que ridiculariza suas próprias restrições. Um estímulo para o gás de sua próxima obra, Dr. Fantástico (Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb, 1964).    

Devido à censura imposta pelo Código Hays, vigente à época, o filme às vezes parece enroscado, engessado. Isso dá uma conotação diferenciada ao protagonista, que fica preso em suas ambições românticas. Não poderiam aceitar o lançamento de um filme cujo conteúdo destacasse o relacionamento entre um homem bem mais velho com uma adolescente, ainda mais com cunho sexual. O sexo interfere de diferentes maneiras em Lolita, pois fica tão reprimido quanto a própria obra. Resta ao espectador frente à ebulição cobiçosa dos intérpretes tornarem-se voyeurs de um desejo latente. É de certo modo provocativo.

O preto e branco utilizado pelo diretor optou deixou a obra ainda mais luxuosa e obscurecida, frente às pretensões escondidas de seus personagens, todos com bastante tempo em cena, ganhando maior importância pelas mãos do próprio Nabokov, que roteirizou o filme. O trabalho rendeu-lhe uma indicação para o Oscar. A preocupação com a linguagem é notável, a clareza das situações intricadas são sólidas, resultado do investimento do roteiro que, cumprido, manifesta com precisão os temores do desejo. Os atores tiveram material para desenvolver seus bons personagens fazendo-os inteligíveis e verdadeiramente relevantes. O Clare Quilty de Peter Sellers inspira bons momentos e ações nessa trama burlesca e admiravelmente sutil. 

Fica a conduta do diretor, seus planos centrais e abertos caracterizam o espaço, até quando seus breves movimentos de câmera apresentam seus personagens como pedaços que visam um todo. O desejo parte das formas, dos membros, dos gestos. Isso é contemplativo por parte de Kubrick. Ele nos mostra de uma maneira mais ampla, um tanto diferente da ótica do personagem central. Esse viés atmosférico implanta um idealismo romântico, pois sugere e deixa as sugestões em aberto, como num misterioso caso o qual não sabemos se será concretizado. É nessas minúcias que a narrativa tange, saindo de um suspense inicial para um drama particular para enfim transformar-se num romance abarrotado de tiradas intransigentemente cômicas, ou cínicas. É a percepção de um diretor visionário que usou as limitações a favor.    

Por Marcelo Leme, em 14/07/2014
Avaliação:               7.0
Notas - Equipe
• Alexandre Koball 7.0
• Daniel Dalpizzolo 7.0
• Régis Trigo 7.0
• Silvio Pilau 8.0
• Vlademir Lazo 8.0
• Heitor Romero 5.0
• Marcelo Leme 7.0
• Pedro Tavares 8.0
• Rafael W. Oliveira 8.0
•  Média 7.2
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Comente no Cineplayers (20)
Por Lucas Souza, em 18/07/2014 | 19:57:52 h
Vou ter q revê-lo para ver se melhoro minhas impressões...
Por jorge lucas , em 18/07/2014 | 18:21:18 h
Não gostei desse, lembro de poucas coisas do remake, mas a Lolita do remake eh beeeeeeeeem melhor.
Por Marcos Freitas, em 16/07/2014 | 18:59:22 h
"Filme horroroso,tedioso, nada de magistral na direção. Chato, chato, chato. Os 30 min são ótimos depois só cai ladeira a baixo. Parece que o Kubrick não tava nem sabendo o que fazer com esse filme".
Só uma resposta pra vc Daniel:
https://www.youtube.com/watch?v=AFOToFNOD68
Por Daniel Vilas Boas, em 16/07/2014 | 15:26:27 h
Filme horroroso,tedioso, nada de magistral na direção. Chato, chato, chato. Os 30 min são ótimos depois só cai ladeira a baixo. Parece que o Kubrick não tava nem sabendo o que fazer com esse filme.
Por César Cerqueira, em 16/07/2014 | 15:01:01 h
Não entendo a birra de alguns para com esse filme, eu acho ótimo!
Gostaria também de ver o remake de 97
Por Lucas Souza, em 16/07/2014 | 06:58:38 h
Pô Felipe, fico feliz em saber disso!
Pensei que era o único no mundo a preferir a refilmagem...!
Por Gustavo Hackaq, em 16/07/2014 | 02:48:50 h
"Um dos piores do Kubrick." Esse termo não existe na a filmografia do diretor.
Um excelente filme, fotografia espetacular, condução magistral, ótimas atuações, etc.
Quanto a refilmagem nem me gera interesse.


bjs
Por Italo, em 15/07/2014 | 21:28:59 h
Esse filme é obra-prima.
Esse filme é um dos melhores do Kubrick.
O remake é medonho.
Por Felipe Nicéas Carneiro Leão, em 15/07/2014 | 20:48:52 h
Lucas, também prefiro o remake com a bela Dominique Swain.
Por Luiz Fernando de Freitas, em 15/07/2014 | 19:25:37 h
Quem precisa de sexo explícito, quando se tem cenas como aquela em que Humbert beija Charlotte na cama observando a foto de Lolita na cabeceira... GENIAL!!!
Por Marcos Freitas, em 15/07/2014 | 17:53:55 h
"Um dos piores do Kubrick." Esse termo não existe na a filmografia do diretor.
Um excelente filme, fotografia espetacular, condução magistral, ótimas atuações, etc.
Quanto a refilmagem nem me gera interesse.
Por Gian Couto, em 15/07/2014 | 17:14:15 h
Kubrick só errou no Medo e Desejo, mas esse nem dá pra considerar também.
Por Nilmar Souza, em 15/07/2014 | 16:55:08 h
Também acho um dos mais ''fracos'' dele, ainda assim é muito bom.
Por Gian Couto, em 15/07/2014 | 16:05:56 h
"Um dos piores do Kubrick."
E ainda assim um filmaço.
Por Robson Nakazato, em 15/07/2014 | 13:47:24 h
Prof. Humbert Humbert é um dos pouquissimos personagens da historia do cinema a cair muito bem nos atores James Manson (desta) e Jeremy Irons (1997 dirigido por Adrian Lyne).
Por Marlon Tolksdorf, em 15/07/2014 | 11:41:35 h
Filme massante.
Por Gustavo Hackaq, em 15/07/2014 | 11:16:36 h
Ainda não vi o remake, mas amo esse aqui
Por Lucas Souza, em 15/07/2014 | 07:39:39 h
Sobre o texto do Leme, excelente pra variar...
Por Lucas Souza, em 15/07/2014 | 07:25:03 h
Vou ser massacrado aqui, xingado e tudo o mais, mas prefiro o remake...
[Treta foi plantada]...

Por Daniel Vilas Boas, em 15/07/2014 | 03:26:16 h
Um dos piores do Kubrick.
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 FICHA DO FILME

 Lolita
(Lolita, 1962)
• Direção:
- Stanley Kubrick
• Elenco Principal:
- James Mason
- Shelley Winters
- Sue Lyon
• Sinopse: A história de um professor britânico de meia-idade que vai morar nos EUA e aluga um quarto na casa de uma viúva extremamente carente, mãe de Lolita, uma linda adolescente por quem ele se apaixona perdidamente à primeira vista.
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