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CRÍTICA

Love

(Love, 2015)
Por Guilherme Spada Avaliação:                 8.0
Aprendendo a amar com Gaspar Noé.
imagem de Love
Se em Ninfomaníaca (Nymphomaniac, 2013), de Lars Von Trier, o amor era o segredo do sexo, em Love (idem, 2015), de Gaspar Noé, o amor é o segredo da vida. Parece um tanto hilário falar assim de um filme de Gaspar Noé, mas por mais incompreendido e extremista que seja, esse é o filme menos chocante e radical do diretor, que apesar de muitas cenas de sexo explícito, Noé apresenta uma experiência de visão única e ironicamente bela.

O filme conta a história de Murphy (Karl Glusman), um rapaz americano vivendo em Paris com a mulher e a filha deles. Extremamente de ressaca por causa do ano novo, Murphy recebe um telefonema da mãe de Electra, sua ex-namorada, perguntando se ele a viu, já que a mãe não sabe de seu paradeiro há dois meses. Murphy, porém, não vê Electra há dois anos, e o telefonema traz memórias de seu passado quando namorou com ela e suas eróticas aventuras.

Assim como foi vendido para o público, Love aparenta ser praticamente um pornô que só não é chamado de tal porque possui uma trama e é classificado como um filme de autor que passou em Cannes - o filme mesmo abre com uma cena onde Murphy e Electra se masturbam até gozarem, seguido por uma introdução com diálogos terríveis. Porém, após os primeiros vinte minutos, percebemos que tudo o que vai contra o filme é na verdade a visão do diretor perante a construção da ideologia de sua obra. Com isso, Gaspar Noé nos apresenta o personagem de Murphy, um jovem americano mimado, extremamente egoísta, machista e imaturo que só quer saber de sexo, drogas e festejar. Seu quarto, antes de conhecer Electra, é cheio de pôsteres de filmes e ele vive se gabando de como é um cineasta, sendo que ainda nem saiu da escola. Tem um comportamento super protetor com a namorada e uma ideologia toda liberal, mas quando é a vez da namorada aproveitar a parte dela, Murphy morre de inveja e começa a brigar.

Este comportamento de Murphy, porém, nada mais é do que a resposta para a sua imatura crença, que é viver a vida com o propósito de amar alguém intensamente, sem limites e experimentar sensações surreais através do sexo. Afinal, o filme é sobre isso, com longas cenas explícitas entre casais, threesomes, orgias e até mesmo sexo com um transexual. A ideologia de Murphy não é real no mundo a sua volta e ele é o único que não percebe. Electra mesmo diz que Murphy é um cara incrível, mas ele não sabe como amar, e suas atitudes imaturas fazem com que o casal entre em conflito todo o tempo. Afinal, grande parte das decisões sexuais entre o casal vem de Murphy, porém ele é o único que acaba fazendo besteiras e destruindo mais a relação entre os dois.

Gaspar mostra tudo isso através de uma narrativa não linear que começa com Murphy se lembrando do término de seu namoro e acaba quando eles se conheceram - uma característica já usada em seu filme Irreversível (Irréversible, 2001). Através de sua jornada, percebemos, assim como o personagem, que a relação que ele teve com Electra foi extremamente única, bela e pessoal e que eles realmente se amaram - algo que ele nunca havia percebido durante a relação deles, já que estava sempre tentando viver sua própria ideologia do amor, algo que nunca havia experimentado antes. Com isso, o que primeiramente aparentava ser um filme de sexo acaba sendo bastante interessante e tocante.

Ainda sim, Gaspar Noé é Gaspar Noé e às vezes ele abusa das cenas de sexo, sendo algumas um tanto desnecessárias. Ele obviamente ainda não aprendeu quando terminar seus filmes, causando uma inquietação na perna de que o filme poderia ter acabado vinte minutos antes. Sem contar a auto-citação a si próprio, criando às vezes um alter-ego para si mesmo no personagem de Murphy ao fazer com que o personagem diga na tela que quer fazer um filme sobre o amor onde o sexo é a coisa mais importante da vida. Ele mesmo é um dos personagens do filme, como o ex-namorado de Electra e dono da galeria de arte, além de dois personagens do filme que se chamam Gaspar e outro Noé.

Ao mesmo tempo, Gaspar usa elementos interessantíssimos em sua obra como os cortes dos planos que duram o que poderia ser classificado como o piscar de um olho. Estes cortes acontecem na maior parte no meio de planos-sequências, sendo totalmente desnecessários, mas que acabam se infiltrando entre os que acontecem em cortes de cena, causando uma certa sensação onírica. Para um filme cuja narrativa se baseia em memórias, a escolha é bem interessante. A fotografia, devo admitir, é uma das mais belas que vi este ano, com perfeitos enquadramentos e a paleta de cor clássica de Noé, que mistura vermelho, amarelo e verde. O diretor, porém, acrescenta belas cenas externas em Paris, que até chegam a criar um ar romântico e realístico no meio dessa jornada quase absurda.

Sobre o 3D, não tive a oportunidade de experimentar, mas pelo o que observei, é totalmente desnecessário, tendo uma cena ou outra que seria interessante assistir com tal efeito - como quando Murphy literalmente goza em frente à câmera. Ainda assim, a escolha do diretor chega a ser no mínimo atrevida por querer fazer com que o público sinta a sensação de que sêmem está sendo jogado na platéia. Por ser Gaspar Noé, não espero menos do diretor ao assistir a seus filmes e aprecio sua audácia.

Talvez Love não seja um filme para todos. Se você não gostou de suas outras obras, não vejo porque gostará de Love - aliás, Gaspar Noé pega todas suas características mais excêntricas e coloca neste filme onde a linha entre o que levar e o que não levar a sério é extremamente tênue. A escolha, porém, é sua.
Por Guilherme Spada, em 20/11/2015
Avaliação:                 8.0
Notas - Equipe
• Alexandre Koball 1.0
• Marcelo Leme 6.5
• Rafael W. Oliveira 8.0
•  Média 5.2
Notas - Usuários
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Comente no Cineplayers (15)
Por Josiel Oliveira, em 25/11/2015 | 15:27:41 h
Kkkkkkkkkk aí apelei né... mas eu sou muito fã do Von Trier mesmo, acho que é um cara pra ser estudado não apenas não área do Cinema, como também na Filosofia, na Antropologia, por isso o "transcende o cinema". hehe
Quanto ao Love, o Gaspar Noé me lembrou o Vincent Gallo, que teve a moral de dirigir um filme com uma cena em que a atriz fica quase 5 minutos fazendo boquete nele. Muito mala, pelamor.
Por Cristian Oliveira Bruno, em 25/11/2015 | 05:27:03 h
Que porra é essa? menimis? era "menos"...
Por Cristian Oliveira Bruno, em 25/11/2015 | 05:24:48 h
Cara...gosto do Trier. Mesmo. Suas obras pré-Anticristo/Ninfomaníaca são muito boas, mas gênio? Menos....bem menimis, gurizada. Bom diretor. Nada mais nem nada demais. Noé? Um bostinha metido a inovador fazendo o que outros já fizeram, sem a mesma qualidade. Não perdi meu tempo com esse. Vou esperar pra ver na tv ou em DVD e esperar ter um sexo explícito ao menos. kkk
Por Nilmar Souza, em 24/11/2015 | 23:11:45 h
Os cara apela
Por Caio Henrique, em 24/11/2015 | 21:28:50 h
"O Lars Von Trier é um gênio subversivo que transcende o cinema"
Por Polastri, em 24/11/2015 | 16:31:00 h
"A ideologia de Ninfomaniaca é linda"
Por Josiel Oliveira, em 24/11/2015 | 16:19:16 h
Sim, tranquilo Guilherme, mas o contraste aí chamou a atenção, por isso a brincadeira kkk valeu!
Por Guilherme Spada, em 24/11/2015 | 15:41:22 h
Hahaha sou muito mais a favor de Lars Von Trier do que Gaspar Noé. A ideologia de Ninfomaniaca é linda e em Love é simplesmente imatura. Não quer dizer que eu não ache Love um bom filme :)
Por Josiel Oliveira, em 24/11/2015 | 15:17:52 h
Comparar Gaspar Noé com Lars Von Trier é um sacrilégio sem tamanho!!
O Lars Von Trier é um gênio subversivo que transcende o cinema... o Gaspar Noé nem te dá um respiro pra refletir, porque realmente não tem muito no que pensar... é gozada 3D, é isso aí..
Por Caio Henrique, em 24/11/2015 | 09:35:12 h
Ah, e aquela cena do 3D...risível se não fosse lamentável
Por Caio Henrique, em 24/11/2015 | 09:25:30 h
E não me leve a mal Sr. Crítico, mas acredito que o Von Trier por mais cara de pau que seja não concluiu o seu filme com esse pensamento sobre o amor e sexo não...
Por Caio Henrique, em 24/11/2015 | 09:24:27 h
To com o Nilmar nesse. Filme desprezível. Só num tive mais raiva porque o ingresso foi baratinho...Mas porra, 2h14 de pura masturbação pseudo-"intelectual", com o diretor referenciando as próprias obras e a si mesmo(duas vezes!) é de uma dor no ovo insuportável
Por Nilmar Souza, em 20/11/2015 | 16:52:05 h
Pior filme que eu já tive o desprazer de ver no Cinema. Pau a pau com Didi Quer Ser Criança, sendo esse ao menos legalzin
Por Pedro H. S. Lubschinski, em 20/11/2015 | 14:11:37 h
O Spada é gente boa
Por Felipe Ishac, em 20/11/2015 | 13:59:42 h
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 FICHA DO FILME

 Love
(Love, 2015)
• Direção:
- Gaspar Noé
• Elenco Principal:
- Karl Glusman
- Aomi Muyock
- Klara Kristin
• Sinopse: Murphy (Karl Glusman) está frustrado com a vida que leva, ao lado da mulher (Klara Kristin) e do filho. Um dia, ele recebe um telefonema da mãe de sua ex-namorada, Electra (Aomi Muyock), perguntando se ele sabe onde ela está, já que está desaparecida...
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