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CRÍTICA

Motorrad

(Motorrad, 2017)
Por Francisco Carbone Avaliação:       3.0
Salada de tentativas frustradas.
Não é de hoje que Vicente Amorim demonstra ter um interesse pelo mercado internacional. Há alguns anos ele vem atirando eventualmente pra fora do Brasil, sem nunca esquecer do cinema brasileiro no entanto. Ao contrário de outros diretores, Amorim parece tranquilo e modesto com essa questão. Ao mesmo tempo em que investigou um cinema menos óbvio quando começou sua carreira no cinema, hoje essa tranquilidade se traduz na forma como seus projetos parecem mais interessados na comunicação com o próximo, sem procurar um desdobramento artístico elaborado, ou uma busca insaciável por um padrão europeu de agrado externo. Em uma indústria carente em lidar com o produto médio, que não é nem o 'filme de arte' que ambiciona Cannes ou Berlim nem tampouco é o blockbuster que tem a missão de arrastar multidões, Amorim escolheu abraçar esse filme do meio, com valores de produção claros mas também com sua veia de alcance popular trabalhada. Isso talvez facilite essa sua vontade de transitar por entre os lugares onde há uma história para ser captada e cobrada para o espectador.

Motorrad não é apenas o novo filme desse cineasta interessado em alcançar a plateia sem perder a qualidade. Ele é acima de tudo uma tacada radical tanto dele quanto da própria indústria. Para ele, é a chance de estar mais uma vez em terreno novo, depois de adaptar best-seller, dirigir em inglês, até se arriscar numa biografia religiosa e particular de um longa coletivo tipo exportação; para a indústria, é uma tacada pouco explorada dentro de um gênero que está sendo cada vez mais abraçado pelos nossos realizadores, o terror, e a possibilidade de enfim se acertar com o público nessa seara. Mas como sinal ainda maior de ousadia, Amorim aponta para um subgênero dentro do terror cães vez mais raro e praticamente nunca explorado no Brasil, o 'gore'. Ou mais precisamente, um daqueles filmes de comboio de assassinos que caçam um a um de um grupo de amigos com requintes de crueldade. Será que a intenção, para além de toda essa aposta original, era ainda querer acertar em todas as tacadas?

O filme é baseado numa HQ de Danilo Bayruth, adaptada para o cinema em roteiro de LG Bayão, o mesmo responsável por opostos como Ponte Aérea e O Vendedor de Sonhos. A trama acompanha um grupo de jovens amigos numa espécie de trilha sob as duas rodas de suas motos. Ao entrar num território desconhecido, acabam chamando atenção de um outro grupo de motoqueiros, que irão persegui-los de maneira violenta sem razão aparente. Verdade seja dita, não podemos culpabilizar o roteiro pelos problemas do longa, ao menos não da maioria deles. Embora Amorim seja mais do que experiente enquanto realizador, a tarefa de deslocar uma cinematografia para os códigos de gênero pode parecer fácil, mas demanda uma experiência extra, e se sua proposta for apenas reler situações já criadas tantos filmes atrás, a tarefa será ainda mais inglória. O terror tem um timing próprio, uma pegada particular e pontos exclusivos onde um diretor poderia se agarrar, e eles não são captados de primeira, ainda mais nas condições estritamente reverenciais feitas aqui. Não há nenhum problema em apenas reproduzir padrões, mas você precisa saber fazê-lo.

Tecnicamente repleto de problemas, a fotografia de Gustavo Hadba (que já tinha trabalhado com o diretor em Irmã Dulce) transmite uma proposta de qualidade mas carece de explicações, pra dizer o mínimo. Mudando de textura, de lentes, até exatamente da cor e da proposta imagética de tempos em tempos sem jamais fazer isso parecer natural ou orgânico à obra, Amorim inexplicavelmente parece perdido no tom da produção e na forma pretendida - vale ressaltar que também ou exclusivamente o diretor tem culpa nesse caos da iluminação. Ainda que a montagem tivesse um papel relevante ou de brilho diferenciado, seria complicado conseguir atenção com as decisões da direção nesse esquema falho. Seja qual for a explicação da produção para esse desacerto, me parece apenas que as ideias não surtiram um resultado bom, parecendo apenas desleixado. Os efeitos práticos e de maquiagem no entanto são bons e, como sabemos, ajudam a contar bem histórias de gênero, sendo responsáveis diretos pela imersão do público.

Com um elenco acima da média que conta com os talentos ascendentes de Emílio Dantas, Pablo Sanabio, Guilherme Prates e Juliana Lohmann, a nota dissonante vem de Carla Salles, que até desconfortável no material parece estar. Uma pena que todos os personagens careçam de estofo, o que poderia ser justificado como uma mera ranzinzice do crítico já que os filmes que se refletem aqui geralmente não contam com requintados desenhos de personagens. Pois bem, mas talvez outros filmes não tivessem os desacertos técnicos que Motorrad tem, e aí com algo além de um rascunho de ideias talvez pudéssemos nos encantar com outros elementos do longa. Do jeito que é entregue, fica a dúvida se mesmo uma frase clichê do tipo 'valeu a tentativa, Amorim' seria justa, já que fica muito claro que é necessário mais do que vontade para mudar de ares no cinema. Ainda que de maneira desastrada, Vicente Amorim entrega um novo produto de roupagem diferente dentro de sua filmografia, e sem saber se agrada ao mercado externo ou interno, talvez precisasse pelo menos andar por caminhos onde ele saiba se mover.
Por Francisco Carbone, em 27/02/2018
Avaliação:       3.0
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 FICHA DO FILME

 Motorrad
(Motorrad, 2017)
• Direção:
- Vicente Amorim
• Elenco Principal:
- Guilherme Prates
- Carla Salle
- Emílio Dantas
• Sinopse: Um grupo de motoqueiros se encontram em uma situação de medo e perigo ao fazer trilha em um local proibido.
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