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CRÍTICA

Mudbound: Lágrimas Sobre o Mississipi

(Mudbound, 2017)
Por Heitor Romero Avaliação:             6.0
A imagem sufocada pelas palavras.
imagem de Mudbound: Lágrimas Sobre o Mississipi
Mudbound: Lágrimas Sobre o Mississipi (Mudbound, 2017) preenche uma vaga cativa nas temporadas de premiação dedicada aos filmes de suposta relevância social, que conscientizem as pessoas conforme relembra fatos históricos envolvendo segregação, racismo, violência, guerras, pobreza, misoginia, machismo, tortura e tantas outras mazelas que formam o passado da humanidade. Essa característica, em si, não é um problema. Há várias produções dentro deste molde que surpreendem pela qualidade e, porque não, também pelo positivo impacto social. Em uma America que nunca se livrou de fato de seu passado de segregação racial e agora sob o comando de um presidente que não faz questão de combater ou pelo menos lamentar isso, a história de Mudbound pode servir de alerta e cutucar tantas feridas jamais fechadas. 

Baseado no romance homônimo de Hillary Jordan, sobre um negro e um branco que retornam da Segunda Guerra Mundial para um meio-oeste americano ainda fundamentado em violência e segregação, Mudbound analisa em especial os efeitos da guerra sobre esses dois homens e a forma como aquela comunidade os recepciona de volta de acordo com a cor de pele de cada um. Enquanto Jamie McAllan (Garrett Hedlund) é tratado como herói, porém por dentro se sente despedaçado por todos os traumas que passou em combate, o jovem Ronsel Jackson (Jason Mitchell) ainda é visto como inferior pela sociedade racista, e chega a sentir saudade de seus dias de guerra, quando pelo menos era aplaudido e reconhecido por seu valor. Periférico a eles, há todo o núcleo de suas famílias e as dificuldades do pós-guerra e da sobrevivência rural. 
A diretora e roteirista Dee Rees é relativamente novata e teve aqui sua primeira grande produção, em parceria com a Netflix, que decidiu lançar o filme em circuito comercial de cinema ao invés de passá-lo direto no streaming - uma decisão claramente voltada para angariar prêmios, já que o filme se encaixa exatamente nos moldes que a Academia ama premiar. A principal vantagem nessa produção milionária é o senso estético apurado de Rees e a competência de um elenco extraordinário, incluindo a cantora Mary J. Blidge, que fez por merecer sua nomeação como melhor atriz coadjuvante. Carey Mulligan, Garrett Hedlund, Jason Mitchell, Rob Morgan e Jonathan Banks também defendem com garra seus personagens e, sem exceção, possuem momentos individuais de muito brilho. Direção de arte e fotografia de ponta, como manda o figurino, o que garante a Mudbound os atributos técnicos de um grande filme. 

É uma pena que tamanho elenco e produção estejam subaproveitados em um roteiro problemático em sua adaptação. Sem a experiência necessária, Rees chega muito perto de fazer de Mudbound um livro filmado, ao sufocar todas suas lindas imagens em um mar de narrações em off cruzadas, que oferecem as perspectivas de cada um dos personagens. A primeira hora é praticamente soterrada por tanto falatório e impede que as imagens falem por si só, truncando a narrativa. Fica a sensação de que todas as imagens de Rees não passam de ilustrações, de enfeite, e que tudo está ancorado somente em um texto declamado quase integralmente pelos múltiplos narradores. A ideia de fluxo de consciência pode soar muito natural em livros, mas nos filmes necessita de um cuidado maior para não desvalorizar sua vida enquanto cinema. 

Mudbound ainda sofre com uma barriga de momentos desnecessários ou montados fora de timing, como as sequências de Jamie e Ronsel na guerra, quase sempre redundantes e que pouco impulsionam a narrativa. A opção por começar o filme pelo final também não se justifica e soa como um recurso gratuito, que se repete quase inteiro quando o desfecho de fato se aproxima. Essas questões com o roteiro e com a montagem resultam em um filme que soa muito longo e, paradoxalmente, insuficiente para se aprofundar melhor em cada tema levantado. 

Dentro dessa seara de filmes americanos lançados a cada ano sobre a Segunda Guerra ou sobre os anos de segregação racial, Mudbound não se destaca muito da maioria. Talvez a questão social do lançamento numa época em que o racismo voltou a ser notícia de primeira página nos jornais americanos torne seu impacto mais duradouro ou aumente seu alcance, mas enquanto cinema é muito provável que se perca no tempo como apenas mais um trabalho tão cheio de boas intenções quanto de limitações. 
Por Heitor Romero, em 01/02/2018
Avaliação:             6.0
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Por Carol L., em 09/02/2018 | 20:23:24 h
Po, Dee Rees não é necessariamente novata, né. Tem vários curtas, séries e outros longas na carreira. Bem menos novata que um Colin Trevorrow da vida, que já é oferecido um filme como Jurassic World mesmo sem ter experiência suficiente.
Concordo que o filme é lento e tem barrigas, mas, assistindo os outros longas dela, creio que tem a ver com o estilo dela mesmo. A narração considero um dos melhores elementos do filme, é bem trabalhada, não é redundante, permite conhecer melhor os personagens, etc.
Por Eduarda Teixeira Cardoso , em 03/02/2018 | 15:14:32 h
Excelente crítica, Heitor!

Mudbound é uma exploração de quase todas as emoções humanas, do ódio em fervura ao amor abrangente.

Eu particularmente achei um filme OK!
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 FICHA DO FILME

 Mudbound: Lágrimas Sobre o Mississipi
(Mudbound, 2017)
• Direção:
- Dee Rees
• Elenco Principal:
- Carey Mulligan
- Jason Clarke
- Garrett Hedlund
• Sinopse: Henry McAllan e sua esposa Laura se mudam para uma fazenda no Mississipi, pensando numa vida melhor. Mas o trabalho é árduo demais e não há muita recompensa. Enquanto isso, seu irmão Jaime está combatendo na Segunda Guerra Mundial, assim como Ronse...
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