FILMES CRÍTICAS NOTÍCIAS PERFIS TRILHAS HOME CINEMA TOPS PREMIAÇÕES ARTIGOS COMENTÁRIOS FÓRUNS
CENTRAL DE USUÁRIOS   |    CADASTRE-SE   |   ENTRAR
   
CRÍTICA

No Vale das Sombras

(In the Valley of Elah, 2007)
Por Alexandre Koball Avaliação:               7.0
A força do filme reside nas boas interpretações e desenvolvimento cuidadoso dos personagens.

Quem for assistir ao novo trabalho do diretor Paul Haggis e conhecer de antemão apenas a sinopse, quase que certamente vai se sentir pouco motivado. À primeira vista, trata-se de mais um drama sobre soldados na Guerra do Iraque, conflito que está em plena atividade enquanto escrevo este texto. Após o sucesso crítico de seu Crash – No Limite (pessoalmente, tenho uma palavra simples para definir aquele filme: “clichê”), conseguiria Haggis manter ou ratificar o respeito adquirido com aquele filme? O desafio não é pequeno, visto que os prêmios que ele conquistou foram muitos. Ainda é cedo para dizer se Haggis será um grande diretor (apesar de já estar manjado em Hollywood, é apenas seu segundo filme relevante na função), mas No Vale das Sombras certamente faz com que um alerta de “boa qualidade” esteja ligado para seus próximos trabalhos.

A história é sobre um pai desesperado que vai atrás dos culpados por cometerem um bárbaro crime com seu filho perto de uma base militar dias após ele ter retornado do Iraque. É interessante que o filme pode ser visto sob dois focos distintos: (1) como um drama familiar – o pai desesperado em busca de informações que venham a elucidar os acontecimentos com seu filho ou (2) uma análise com tom político sobre a situação dos Estados Unidos e das tropas que estão “batalhando” pelo país em terreno estrangeiro. O filme é relativamente ousado neste aspecto, ao incluir sub-temas variados como os maus tratos que alguns soldados exercem sobre os iraquianos, tratando-os muitas vezes como lixo humano. A cena final, particularmente, é bem enfática em relação à posição do diretor sobre o conflito, tanto que gerou críticas nervosas por parte do público, sobretudo o norte-americano.

Entre um foco ou outro, e apesar da crítica política apurada, o filme é muito mais rico e interessante se visto como um drama familiar. Carregado com força por Tommy Lee Jones, No Vale das Sombras tem como destaque principal justamente as interpretações de seu elenco. Susan Sarandon, a mãe, aparece apenas em duas ou três cenas, e por mais emotivas e competentes que estas sejam, a atriz simplesmente não está na tela o tempo suficiente para fazer com que sua personagem possa ser considerada marcante de alguma forma. Uma montagem mais enxuta poderia mesmo tê-la mantido totalmente fora do corte final. Já Charlize Theron aparece quase irreconhecível, morena e sem a maquiagem exagerada habitual, mas sua personagem é muito interessante, por ter uma curva de desenvolvimento rica dentro do filme: começa como uma policial quase incompetente e aborrecida (realmente não dá para simpatizar com a personagem após suas primeiras cenas) e termina como a grande força feminina dentro do elenco.

O roteiro é cuidadoso ao não criar ou evitar estereótipos: o pai aparenta querer vingança, mas no fundo ele sabe que ninguém – e isso inclui o seu próprio filho – está livre de pecados. O único ponto negativo do roteiro acaba ficando com seu tom fortemente manipulador: há cenas em que fica claro a intenção de chocar e/ou emocionar o espectador. Quem conhece o trabalho anterior do diretor ou mesmo seus trabalhos recentes como roteirista (A Conquista da Honra, por exemplo) já está avisado de antemão dessa sua característica. Ainda assim a força das interpretações, sobretudo Tommy Lee Jones (que conseguiu uma indicação de melhor ator no Oscar de 2008 por seu trabalho aqui), sobrepõem-se a essa característica negativa, funcionando como uma espécie de redenção do roteiro.

No Vale das Sombras (o nome vem de uma passagem bíblica muito bonita) é um trabalho muito competente. Nem citei ainda a fotografia belíssima, que torna as duas horas de filme agradabilíssimas de se acompanhar, mesmo com o tema trágico. Se for visto como um filme político, perde bastante de sua força, porque é simplesmente muito fácil criticar o que a administração de Bush vem fazendo no Oriente Médio. E é importante destacar que o filme também não pode ser encarado como um thriller policial ordinário: o cuidado em desenvolver os personagens torna os acontecimentos lentos, exigindo um pouco de boa vontade do espectador. Boa vontade recompensada com belíssimas interpretações e desenvolvimento realista e coerente de uma tragédia pessoal, algo raro em Hollywood: não há super detetives aqui, apenas pessoas desesperadas em colocar as coisas no lugar, mesmo que isso doa um bocado nelas.

Por Alexandre Koball, em 01/04/2008 Avaliação:               7.0
Notas - Equipe
• Alexandre Koball 7.0
• Régis Trigo 5.0
• Silvio Pilau 7.5
•  Média 6.5
Notas - Usuários
7.1 (144 votos)
Minha nota:
0.5 1.0 1.5 2.0 2.5 3.0 3.5 4.0 4.5 5.0 5.5 6.0 6.5 7.0 7.5 8.0 8.5 9.0 9.5 10.0
    --
• Todas as opiniões 
Comente no Cineplayers (0)
Não há opiniões dos usuários.
Comente no Facebook
Todas as informações aqui contidas são propriedades de seus respectivos produtores. Sugestões? Reclamações? Elogios? Faça valer sua opinião, escreva-nos!
 
 LEIA TAMBÉM
 FICHA DO FILME

 No Vale das Sombras
(In the Valley of Elah, 2007)
• Direção:
- Paul Haggis
• Elenco Principal:
- Tommy Lee Jones
- Charlize Theron
- Jason Patric
• Sinopse: No primeiro fim de semana após retornar do Iraque, Mike Deerfield desaparece e é considerado foragido do exército. Quando Hank Deefield e sua esposa Joan recebem o telefonema com as notícias perturbadoras, Hank parte em busca do filho. Emily Sanders,...
 FILMES RELACIONADOS
• A Conquista da Honra
CINEPLAYERS LTDA. (2003 - 2014) - TODOS OS DIREITOS RESERVADOS

CENTRAL DE USUÁRIOS
FILMES
CRÍTICAS
NOTÍCIAS
PERFIS
TRILHAS SONORAS
HOME CINEMA
TOPS
COMENTÁRIOS
ARTIGOS
PREMIAÇÕES
JOGOS
FÓRUNS
PAPÉIS DE PAREDE
EQUIPE
NOSSA HISTÓRIA
CONTATO
PERGUNTAS FREQUENTES
PROMOÇÕES
ESTATÍSTICAS
MAPA DO SITE
ANUNCIE CONOSCO