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CRÍTICA

O Grande Ditador

(Great Dictator, The, 1940)
Por Rodrigo Cunha Avaliação:                   9.0
Apenas um gênio consegue fazer uma sátira em plena guerra, sem ofender e com cenas realmente engraçadas no conteúdo.

Charles Chaplin é um gênio. Isso é um fato que não há como discutir, que foi construído ao longo dos anos, conforme seus filmes iam sendo produzidos. É praticamente impossível que, uma pessoa que assista TV ou veja filmes, não o conheça, mesmo que indiretamente. Chaves, por exemplo, a famosa série de TV da vila e de pessoas atrapalhadas, é inteiramente baseada nas obras de Chaplin, inclusive com algumas cenas e falas retiradas de seus filmes. Como um bom amante de Cinema, não poderia deixar de comentar uma de suas maiores obras, talvez a que eu mais goste, talvez a mais crítica, com certeza a mais política de todas: O Grande Ditador.

O filme foi o primeiro a ter uma cópia restaurada e redistribuída autorizada pela família do ator, escritor e diretor (sim, Chaplin era isso tudo em seus filmes, e sempre brilhante), o que nos faz duvidar da legalidade e qualidade desses DVD´s que rondam as bancas brasileiras (se bem que eles ajudam, e muito, as pessoas a conhecerem as obras de Chaplin). Apesar de ter sido produzido em 1940 (13 anos após a estréia do som no Cinema), este foi apenas o primeiro filme totalmente falado de Carlitos. Antes disso, ele havia aberto sua boca (e mesmo assim não para falar) somente em Tempos Modernos (outro clássico), na cena em que ele canta de improviso para um bar lotado. Chaplin sempre acreditou que o som tiraria o expressionismo, o que, hoje em dia, realmente aconteceu. Demorou, mas ele abriu a boca.

A história aqui é em meio a Segunda Grande Guerra Mundial, onde os judeus estavam sendo esmagados pelo preconceito alemão. Chaplin, genialmente, interpreta os dois protagonistas da história: o ditador Adenoid Hynkel (em clara referência à Hitler) e o barbeiro Judeu. Irônico e atrevido, logo no início da projeção lemos uma mensagem que diz que qualquer semelhança dos personagens com a realidade é mera coincidência. Só que essa ousadia lhe rendeu alguns efeitos colaterais, como ter sido expulso dos EUA. Tudo devido a esta sátira em meio ao apogeu do criticado, coragem sem igual na época.

Durante suas duas horas e cinco minutos de produção (sem nunca ficar cansativo ou chato!), o filme é inteiramente feito de cenas clássicas do Cinema, sendo que a maior delas, sem sombra de dúvidas, é a que Hynkel brinca com o globo do mundo. Uma cena sempre imitada, jamais igualada. Seus movimentos, o significado, ela é inteiramente encantadora. Outra cena extremamente engraçada é o discurso alemão, sendo que nenhuma palavra sequer pode ser entendida. O esbravejamento, a calma, tudo é perfeitamente compreensível somente pelos movimentos. O ditador alemão também divide hilárias situações com o outro ditador, Napoloni (satirizando Mussolini), onde os dois ficam em uma constante disputa de ego. A cena da barbearia, onde os dois ficam subindo as cadeiras para que o outro olhe para cima, e a briga de comida são críticas fortíssimas empregadas de maneira inteligente e extremamente divertidas. Este também foi o último filme de Chaplin com sua ex-mulher Goddard, assim como o último que teve presença do bigodinho.

O filme foi indicado para o Oscar nas categorias de melhor filme, ator, roteiro, ator coadjuvante e trilha sonora. Isso é, no mínimo, irônico. Expulso e consagrado, no mesmo lugar, na mesma época. Aqui ele realmente tinha algo a dizer com suas palavras. O discurso final, englobando tudo o que havia criticado durante o filme, é emocionante. A cegueira das pessoas também é criticada nessa cena. Como todas aquelas pessoas, que se dizem fiel, conseguiram confundir seu maior ídolo com um simples judeu com suas roupas? E as condecorações? Será que os militares não teriam percebido? O filme é também menos engraçado do que os tradicionais, reservando-se mais em contar a história em certos momentos. Apesar desse fato e das cenas já comentadas, algumas outras não são menos engraçadas: o vôo de cabeça para baixo do avião, o judeu tentando controlar o canhão, o judeu fazendo a barba ao som de uma famosa ópera. Enfim, o filme é Chaplin, apenas com uma história mais séria para se contar.

O Grande Ditador é um dos melhores filmes que eu já vi, sem sombra de dúvidas. Esteja preparado para todas aquelas piadas ‘bobas’ que você está acostumado principalmente se assistir Chaves, pois foi tudo originado aqui. Só que, ao mesmo tempo, há excelentes sacadas e um tom extremamente irônico a diversos acontecimentos sérios satirizados. Indispensável, aconselho até aqueles que não gostam de filmes antigos por seu charme e poder de encantar a todos que estiverem assistindo.

Por Rodrigo Cunha, em 28/05/2003 Avaliação:                   9.0
Notas - Equipe
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Por Joéser Mariano da Silva, em 17/07/2013 | 13:05:33 h
Esse filme é gênial em todos os aspectos possiveis, porem o que mais me chama a atenção são os cenários falsos, que para mim mostram como o regime do Hynckel era falso e fazendo um paralelo genial com o Alemanha do Hitler, mesmo não sendo tão engraçado quanto a maioria dos outros filmes do Chaplin é perfeito em tudo, mesmo que eventualmente ele fique um pouco panfletário. Atenção especial aos discursos impagaveis do ditador.
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 FICHA DO FILME

 Grande Ditador, O
(Great Dictator, The, 1940)
• Direção:
- Charles Chaplin
• Elenco Principal:
- Henry Daniell
- Charles Chaplin
- Jack Oakie
• Sinopse: Em meio a Segunda Grande Guerra Mundial, judeus estavam sendo esmagados pelo preconceito alemão. Chaplin, genialmente, interpreta os dois protagonistas da história: o ditador Adenoid Hynkel (em clara referência a Hitler) e o barbeiro Judeu. Irônico e...
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