FILMES CRÍTICAS NOTÍCIAS PERFIS TRILHAS HOME CINEMA TOPS PREMIAÇÕES ARTIGOS COMENTÁRIOS FÓRUNS
CENTRAL DE USUÁRIOS   |    CADASTRE-SE   |   ENTRAR
   
CRÍTICA
Sangue Sobre a Neve
(Savage Innocents, The, 1960)
Por Rodrigo Rosp Avaliação:             6.0
Ingênuo, filme sobrevive pela força de seu segundo ato.

Sangue sobre a Neve acompanha a trajetória do esquimó Inuk, que vive isolado em sua solidão glacial. Ele tem um casal de amigos, mas falta-lhe a esposa para “rir debaixo dos lençóis”. A primeira parte da produção, que lhe toma mais da metade do tempo, é um retrato do mundo dos esquimós, com particular atenção a Inuk. Nesse momento, é documentado seu modo de vida, as relações familiares, a caça; enfim, uma amostra do quanto peculiares e ingênuos eram em comparação ao ser humano chamado de civilizado. O filme tem uma mudança depois da jornada de Inuk e sua recém-constituída família rumo às promessas do homem branco. Os acontecimentos que se seguem a essa sequência são fundamentais para estabelecer o segundo momento da narrativa, quando Inuk é considerado um criminoso em fuga.

Essas duas partes distintas em que é possível separar a produção se constituem pedaços diversos. A primeira é em si dispensável; apenas num tempo sem tevê a cabo calharia fazer um retrato com cacoete de documentário sobre o povo esquimó – e parece ser essa a intenção do diretor com tal primeiro ato. No entanto, a fragilidade (ou quiçá a falta) de conflito e a forma pouco humana e muito caricatural com que os esquimós são tratados tornam esse episódio quase um fardo ao espectador; é fácil perder a paciência com todas aquelas risadinhas tolas e cenas que não agem a favor da narrativa. Em certo momento, todavia, parece que esse tom equivocado de exagero vai sendo deixado de lado e os personagens ficam mais humanos. É aí que se encontra material interessante; é isso que justifica assistir a Sangue sobre a Neve.

Do ponto de vista narrativo, vale mencionar também a voz em off que volta e meia surge na projeção. Típico artifício utilizado em adaptações literárias, a narração em off é um pecado do qual o diretor não soube escapar. Aqui, esse recurso tem duas funções: explicar particularidades da vida esquimó e explicitar sentimentos dos personagens; ambas agem contra o filme: a primeira é desnecessária, dado o caráter não-documental da produção, e a segunda é uma forma menos rica de trabalhar a subjetividade do personagem na sua relação com o público. Além disso, o texto da narração é amontoado de lugares-comuns, o que dá ideia de que a obra literária em que se baseia seja de qualidade duvidosa. Para completar: do meio para o fim, o recurso é extinto – sem que haja um fechamento por parte desse narrador, o que torna suas participações ainda mais gratuitas.

Em termos técnicos, a fotografia fica prejudicada pela artificialidade dos cenários montados em estúdio; não que isso comprometa o filme, mas o deixa com uma embalagem que beira o trash – ao menos na primeira parte, quando há excesso de carne crua, sangue a caricaturas. Depois, quando há uma história boa e humana sendo contada, o cenário tosco deixa de chamar atenção, pois há uma relação sendo estabelecida entre público e personagens que se sobrepõe ao gelo falso.

A atuação do elenco de apoio é um elemento de difícil análise. Fica a sensação de exagero na maior parte do tempo, mas talvez seja essa a intenção. De qualquer forma, a maioria deles não convence – e parece que a direção de atores foi descuidada.

Se há tanto a se falar dos problemas da produção, é preciso abordar também os aspectos positivos. O principal deles – e que sobreleva tudo que foi dito até então – é como o filme vai num crescente e tem ótimos momentos do meio para o fim. Quando Inuk se constitui personagem de carne e osso, a trama cresce e envolve o espectador, de forma que se torne difícil ficar alheio à situação do protagonista. Nesse sentido, texto, atuação e direção se unem num esforço narrativo que obtém efeito de alta intensidade dramática.

Para finalizar, Sangue sobre a Neve é um filme que ainda resiste depois de quase 50 anos – se for visto com a necessária conivência. Assim, sua fruição ainda é possível apesar do olhar ingênuo que apresenta.

Por Rodrigo Rosp, em 06/07/2009 Avaliação:             6.0
Notas - Equipe
• Daniel Dalpizzolo 8.5
• Régis Trigo 7.0
• Demetrius Caesar 8.5
• Vlademir Lazo 9.0
•  Média 8.3
Notas - Usuários
7.7 (37 votos)
Minha nota:
0.5 1.0 1.5 2.0 2.5 3.0 3.5 4.0 4.5 5.0 5.5 6.0 6.5 7.0 7.5 8.0 8.5 9.0 9.5 10.0
    --
Comente no Cineplayers (1)
Por Luiz Fernando Coutinho, em 23/12/2012 | 22:35:56 h
gostaria de opinar que esta crítica é uma bosta.
Comente no Facebook
Todas as informações aqui contidas são propriedades de seus respectivos produtores. Sugestões? Reclamações? Elogios? Faça valer sua opinião, escreva-nos!
 
 LEIA TAMBÉM
 FICHA DO FILME

 Sangue Sobre a Neve
(Savage Innocents, The, 1960)
• Direção:
- Nicholas Ray
• Elenco Principal:
- Anthony Quinn
- Yoko Tani
- Carlo Giustini
• Sinopse: Inuk é um esquimó que, ofendido por um padre, comete um assassinato. Perseguido pela polícia, ele se aventura pelo inóspito norte canadense em busca de refúgio.
CINEPLAYERS LTDA. (2003 - 2014) - TODOS OS DIREITOS RESERVADOS

CENTRAL DE USUÁRIOS
FILMES
CRÍTICAS
NOTÍCIAS
PERFIS
TRILHAS SONORAS
HOME CINEMA
TOPS
COMENTÁRIOS
ARTIGOS
PREMIAÇÕES
JOGOS
FÓRUNS
PAPÉIS DE PAREDE
EQUIPE
NOSSA HISTÓRIA
CONTATO
PERGUNTAS FREQUENTES
PROMOÇÕES
ESTATÍSTICAS
MAPA DO SITE
ANUNCIE CONOSCO