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CRÍTICA

Snatched

(Snatched, 2017)
Por Felipe Leal Avaliação:   1.0
O rosto esgotado da “novíssima comédia americana”.
imagem de Snatched
Não são necessários mais que 10 minutos para se aperceber do fiasco homérico, de fato uma descida aos círculos mais tediosos, estéreis e insossos da comédia, que é Snatched (idem, 2017). Duas cenas e o letreiro inicial já lhe são suficientes: a abertura, que anuncia o desaparecimento de duas turistas pelas florestas equatoriais, é seguida por uma espécie de trompe-l’oeil que disfarça um imponente avião cruzando o céu azulado de algum mar caribenho, só para que a câmera se afaste e revele não só a estrutura de papel, como uma Amy Schumer no falatório inquebrantável e típico das suas apresentações em stand-up, para na cena seguinte, mantendo o mesmo tom, encarar um término de relacionamento que, se mantém algum nível de interesse dramático, é somente através dos figurantes contratados para adornar o café em que a cena acontece – nem a aparente piedade distanciada do casal que sentava ao lado dos protagonistas (e já lhes forço bastante o sentimento) é crível o suficiente, e chego ao ponto de assumir que, se estavam se apiedando de alguma coisa, essa “coisa” podia muito bem ser a própria estrutura fílmica que, mal sabiam, ou bem sabiam (este é o argumento), ia derrocar na catástrofe seguinte. Catástrofe, esta, que não consegue ser jocosa nem para si mesma: mesclada ao amargor quase incontornável de não saber para onde mais vasculhar em busca de um riso genuíno, a sensação é da mais pura perda de tempo.

Diante de todo desastre, é sintomático que não se saiba sequer por onde começar. E não pela cegueira diante do que realmente pode ser salvo do filme, mas pela incredulidade posta à prova por um realizador cujo mau gosto faz necessário que se pergunte: o que possivelmente poderia ter sido considerado, de antemão, como trunfo certeiro de seu sucesso? A “genialidade” cômica de Schumer, sua colocação ao lado de uma “lenda” (apagada) do Cinema, as belíssimas locações tropicais? Principio pela ordem então posta: de onde se articulou que um humor típico do stand-up comedy poderia ser transposto ao cinema de qualquer maneira, não sei, mas certamente o sentimento do logro foi injetado com as mesmas pressas cegas de quem repentinamente precisa promover uma substituição no show business e pensa que arrancar qualquer membro bem vestido da platéia lhe renderá um bom serviço. Não há funcionamento orgânico em nível algum, e precisamente porque qualquer brecha de naturalidade é logo sufocada por uma gramática exausta, já natimorta há tempos, em que o novo código de comédia é antes o vexame que a mise-en-scène. 

Schumer se resume a trejeitos insuportáveis e grotescamente característicos de uma geração acostumada a uma comicidade embalada, rápida, “memética”, que tem seu valor exatamente na velocidade de passagem/entendimento, na significação única e caricata, inteligente e criativa para o curto espaço de tempo em que sobrevive, e que o cinema ainda não soube adaptar. Uma voz miada e engolida pelo embaraço constante que demarca as situações e qualquer sinal expressivo de histeria (olhos esbugalhados, cenho franzido, recuo da cabeça, mãos desajeitadas, urros desmedidos), ambos aliados a esta que pode muito bem ser a maior marca de cansaço da novíssima comédia hollywoodiana: se seu tom pudesse ser transformado num rosto, este estaria preenchido de sulcos e rugas, que nada mais seriam que as tentativas incessantes de tornar o embaraço, a vergonha e a humilhação (geralmente autoimposta, como é o caso enjoativo da protagonista) os grandes trunfos de uma sensibilidade cômica que nunca chegou a decolar. Há um desespero tão grande em criar uma sequencialidade quase irrespirável de situações vergonhosas, que, sabe-se lá como, de alguma maneira o filme sofre de uma equação inversamente proporcional: quanto menos parece afeito ao ilusionismo enraizador da ficção, quando menos, na verdade, esse ilusionismo é substituído pela força do aparente ritmo cômico (que nada mais é que a sucessão de trocadilhos e piadinhas rápidas e forçadas), mais crescem as sensações de repetição, de que a cena seguinte é a mesma que a anterior, só alteradas as circunstâncias e piadas; mais se avantajam as necessidades de criar efeitos.

Efeitos de quê? Ora, o dorso já excessivamente curvado e os olhos inquietos são reflexos exemplares do marasmo que é seu protocolo: há um plano claro de falso empoderamento (aquele clássico em que três ou mais personagens caminham em câmera lenta, em direção à câmera, com qualquer música pop ou rap embalando seu porvir de superação dramática), um outro plano propagandístico e típico dos canais de turismo (Schumer na garupa de uma motocicleta, alternância entre planos médio e aberto para visualização da exuberância natural, também embalado com qualquer música grudenta; seus cabelos não mais ao vento, mas embaçando o próprio rosto, como garantia também natimorta de comicidade); e até mesmo um plano óbvio – é preciso não se acostumar a ele – em que a logomarca do hotel será mais proeminente que qualquer personagem. É necessário dizer mais algo? É necessário apontar o já escancarado (dês)tratamento? De espectadores para potenciais consumidores; de espectadores para platéia vulgarizada cujo direcionamento à tela é baseado na compreensão empacotada de um sem-número de trocadilhos. O valor destes, claro, é o da superação à piadinha anterior (e ao filme anterior/posterior de mesma espécie, também), todos fundados sob uma distância: a que nível de humilhação se pode chegar. Aqui, foi necessário à comediante mostrar os próprios seios – só pelo gesto de mostrá-los, nada mais. 

Nem mesmo a relação da filha com a mãe é crível, tamanha sua necessidade de vendagem. Pois se, antes, o espaço reservado à ressurreição das relações era obviamente colocado ao término, é tudo tão tristemente irreal, que o ato final e simbólico de restauração afetiva não só figura como mais um em meio às tentativas de impor alguma química (é dela que sobrevive a comédia!) entre Hawn e Schumer, cujo único ponto de encontro é possivelmente o cabelo louro, como dá um tiro no próprio pé e absorve o tom vergonhoso que havia colorido artificialmente todas as sequências prévias. A variação narrativa para o filme de sequestro, todos os assassinatos, as fugas e auxílios, a presença do irmão que se inicia inútil (e termina, obviamente, embaraçosa), o plot twist previsível e baseado no desespero feminino – é tudo tão apelativo a uma sensibilidade de máscaras prontas, de peões que só giram em torno do próprio eixo, que não se pode levar na brincadeira nem mesmo a tentativa do diretor ou da roteirista de não se levarem a sério. Tão descartável quanto a embalagem na qual é vendido, não se pode nem dizer que sua presença será rapidamente embalada no sono pesado do esquecimento: não possui sequer a valoração necessária para ser considerado memorável ou esquecível. Seu peso é nulo. 
Por Felipe Leal, em 02/08/2017
Avaliação:   1.0
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 FICHA DO FILME

 Snatched
(Snatched, 2017)
• Direção:
- Jonathan Levine
• Elenco Principal:
- Amy Schumer
- Goldie Hawn
- Ike Barinholtz
• Sinopse: Depois do namorado terminar com ela na véspera de sua viagem exótica, a impetuosa sonhadora Emily Middleton convence sua super cautelosa mãe, Linda, a viajar com ela para o paraíso.
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