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CRÍTICA

Soundtrack

(Soundtrack, 2017)
Por Francisco Carbone Avaliação:                 8.0
Instantâneos incompreendidos.
imagem de Soundtrack
Incompreensão. Um mal tão grande quanto qualquer outro da sociedade moderna, como solidão, depressão, rejeição... mas talvez a incompreensão seja a menos tratada, e menos amplamente divulgada. É sobre isso que se desdobra Soundtrack, estreia na direção em longas da dupla 300 ml, codinome artístico de dois publicitários que tinham sido celebrados por Tarantino's Mind, curta estrelado por Selton Mello e Seu Jorge. De grande alcance popular, o curta foi muito difundido por conta da legião de fãs que o diretor tem por aqui, mas o curta de fato era bacana e simpático; só não dava pra perceber que aquele curta geraria um filme onde a reflexão seria um aspecto importante, de pegada muito menos 'pop' que seria esperado. Temos então uma estreia surpreendente, que avança rumo a um raro tipo de cinema feito no Brasil hoje, do qual todos têm medo de produzir e lançar: o filme médio. 

O filme médio vem sido debatido cada vez mais nessa nossa iniciante indústria, porque não há uma política de lançamento diferenciado para um grupo de filmes que não são comédias da Globo Filmes arrasa-quarteirão e também não são os ditos "herméticos" vencedores de Tiradentes e Brasília. O filme médio vem encontrando cada vez mais resistência de mercado, porque ele não pode estrear somente em 20 salas no Brasil nem tem como estrear em mais de 500; nessa coluna do meio, vemos raras vezes um trabalho de marketing diferenciado para filmes que poderiam e deveriam estar indo além do meio milhão de espectadores, e têm encontrado dificuldades para ao menos ficar na faixa dos 100 mil. Soundtrack é um típico representante do grupo: protagonizado por um astro talentoso e falado 75% em inglês, em paisagens inacreditáveis conseguidas por milagre, acima de tudo o longa tem qualidades de sobra para ser simplesmente visto. 

Mas talvez a forma como o filme fala do que fala seja um empecilho para voar alto. A dupla 300 ml claramente tem um plano de ataque e sabe onde quer chegar, talvez até demais. Não sei dizer necessariamente se pretensão é um problema sempre, e gosto de pensar que todo filme pretende algo, logo todos seriam pretensiosos de alguma forma. A forma de lidar com a pretensão e se você alcança e transborda essa pretensão é que são elas; seus diretores souberam harmonizar qualquer carga de expectativa e ao mesmo tempo entregar um produto que não pretende ser vazio, ainda que nada de necessariamente novo ou original esteja sendo contado. A forma é a saída, e seus diretores embrulharam muito bem seu pequeno conto sobre incompreensão, uma bela recepção para olhos e ouvidos que prega peças no mais detalhista cinéfilo, e paralelo a isso não tenta inventar a roda sobre seus temas. As elipses dão o charme, mas o que se acompanha é o eterno acerto de contas interior que todos nós precisamos enfrentar um dia, para continuar seguindo. 

Cris é um artista multimídia que pretende expor selfies numa instalação que reúna suas imagens captadas e o som local do momento em que cada retrato foi feito. O lugar escolhido para o ensaio: uma estação de pesquisa polar. Cris terá de se envolver durante 10 dias com outros quatro caras, com diferentes tipos de exclusão social, e principalmente o chefe Mark terá um grande impacto em sua estadia. A dificuldade interativa e diferentes estágios de introspecção que cada um de nós pode adquirir ganham um caráter sem firulas ou fórmula, apenas a forma aparentemente mais acertada de lidar com questões alheias, algumas com as quais somos inaptos. Vejam bem, não há uma aula e o filme não pretende dizer que existe uma única forma regrada; somente a inadequação pura e a dificuldade de empatia sejam formas sutis onde não se enxerga uma saída no alheio. E a incomunicabilidade dos dias de hoje, a cegueira funcional para tudo que não é si mesmo, talvez esses aspectos também sejam um sinal de não-reconhecimento pessoal. 

Através de um roteiro facilmente inteligível e de um trabalho altamente sensorial com a ambientação e o som, num ambiente magicamente recriado em estúdio de uma atmosfera polar externa em impressionante perfeição, os diretores nos transportam para um cerne de questão tão simples e ao mesmo tempo tão rico para discutir nosso lugar no mundo e a forma como lidamos com as expectativa, numa narrativa até interiorizada mas que entretém e faz pensar. Isso tudo é conseguido pela montagem de cortes abruptos em trilha e som, mas que não faria qualquer sentido maior se não contasse com um quinteto de atores que lesse muito bem aqueles homens, e conseguimos ler imersão ali completamente. Seu Jorge, Lukas Loughran e Thomas Chaaning compõem um meio de campo afinado para a dupla principal Ralph Ineson (o patriarca de A Bruxa) e Selton Mello brilhar, e é uma atuação conjunta no mínimo emocionante. Uma leitura complementar de personalidades que tanto se parecem o quanto mais se diferenciam, o amálgama que ambos concebem de suas interpretações é crucial para o entendimento da obra Soundtrack, filme e futuramente exposição, onde som e imagem se fundem na tentativa de ler a dor alheia, nunca completamente entendida e/ou contornada. Mas que talvez um dia possa ser ao menos compartilhada. 
Por Francisco Carbone, em 07/07/2017
Avaliação:                 8.0
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Comente no Cineplayers (1)
Por Daniel Borges, em 07/07/2017 | 19:55:42 h
opa, me interessei, belo texto.
agora só faltam trocar esse pôster ridículo
tirar os erros de português da sinopse
e ser feliz
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 FICHA DO FILME

 Soundtrack
(Soundtrack, 2017)
• Direção:
- Bernardo Dutra
- Manitou Felipe
• Elenco Principal:
- Selton Mello
- Ralph Ineson
- Seu Jorge
• Sinopse: Um jovem artista, tentando encontrar seu lugar no mundo das artes, recebe do Governo Federal autorização especial para permanecer durante um mês em uma estação de pesquisa isolado, cercado de gelo. Seu projeto é preparar uma exibição misturando músic...
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• A Bruxa
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