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CRÍTICA

Star Wars: Episódio VIII - Os Últimos Jedi

(Star Wars: The Last Jedi, 2017)
Por Bernardo D.I. Brum Avaliação:                 8.5
O mito partido.
imagem de Star Wars: Episódio VIII - Os Últimos Jedi
Em O Despertar da Força, Star Wars já encarava a si mesmo deixando a condição de franquia cinematográfica de sucesso e abraçando o posto de mito do Século XX encontrando uma nova história do Século XXI. É verdade que o roteiro de J. J. Abrams e Lawrence Kasdan, em grande parte, contava a mesma história de Uma Nova Esperança: a pessoa que vive em uma rotina guardando anseios secretos sendo arrancada de seu mundo ordinário por uma força externa e sendo obrigada a lutar contra a vontade. Não faltaram nem elementos como o nêmesis que personifica o pólo negativo de tudo que o protagonista representa ou a morte da figura do mentor que obriga o protagonista a amadurecer.

Os Últimos Jedi é Star Wars dando um passo para fora do mito. Ao contrário de um narrador mitológico como J. J. Abrams, o diretor Rian Johnson parece em grande parte interessado em ver as pequenas rachaduras e falhas dos arquétipos. É ele quem dirigiu Ozymandias, o episódio da série Breaking Bad onde a figura do gângster encarnada por Walter White encontrava sua derrocada tristemente humana.

Por que mencionar a série de TV da AMC em uma crítica de Star Wars? Porque continuamos a tratar aqui de um diretor que em grande parte busca expressar através da ação física e das decisões de personagem uma certa negação ao sagrado. Antes de ser sobre Jedi, Sith, Stormtroopers, Resistência e Primeira Ordem, Johnson dirigiu um filme sobre indivíduos.

Por conta disso, a dificuldade de Rey convencer um amargurado Luke Skywalker a treiná-la por conta de seu passado traumático de mestre Jedi, e o espírito fraturado de Kylo Ren, passam a ser os grandes pontos-chave de Os Últimos Jedi. Todas as outras tramas partem de uma única ameaça: a Primeira Ordem perseguindo a fragilizada Resistência. Para o piloto Poe Dameron, Finn, a novata Rose e a General Leia Organa, este é um filme de sobrevivência a qualquer custo e de lutar até o último momento. 

O roteiro, porém, não faz pouco caso disso, explorando as ideias individuais que cada um tem de como a Galáxia deve ser salva das mãos da Primeira Ordem. Então, é interessante ver como Poe Dameron amadurece ao longo das duas horas de projeção, desacatando as figuras de autoridade, encontrando uma antagonista na figura da Vice-Almirante Holdo, para pouco a pouco aprender com a própria adversária como ser líder é difícil e exige grandes sacrifícios. O personagem de Oscar Isaac marca muito mais aqui a trilha da voz da experiência, e tem uma participação bem mais interessante. Outro personagem com ideias próprias é DJ, o exótico hacker interpretado por Benicio del Toro, que faz Finn e Rose terem suas convicções balançadas ao entregar o lado bem menos ideológico das guerras em toda a grande sequência da fuga do cassino.

O Star Wars de Os Últimos Jedi definitivamente é um filme diferente da franquia, menos encantado. Alguns poderiam achar que, por O Despertar da Força utilizar-se de estrutura narrativa muito semelhante a Uma Nova Esperança, o caso aqui seria a mesma estrutura narrativa de O Império Contra-Ataca. Mas a mão do diretor faz a diferença. Pode-se apontar certos fatos que se repetem: o treino do mentor, a revelação sobre o passado. Mas é igualmente delicioso ver a subversão sobre os dois fatos.

A partir deste ponto a crítica revela alguns detalhes sobre a trama. 

Com o perdão da referência a Star Trek, Rian Johnson leva Star Wars a um lugar onde nunca havia ido antes. Finn, Rose e Poe envolvem-se em uma trama que ocupa boa parte da metragem para apenas falhar. Rey passa por dois filmes procurando quem eram seus pais para decepcionar-se em descobrir sua origem ordinária. Finn tenta embarcar em um sacrifício heróico para ser impedido no último minuto. Os Últimos Jedi é cheio de frustração de expectativas - e isso é ressaltado como um aspecto positivo. Existe a inserção de alguns detalhes para agradar os fãs, mas não é a história muito especulada, teorizada e aguardada. 

E há, claro, Kylo Ren, o novo grande antagonista de Star Wars. E frente à resolução de Rey de parar a Primeira Ordem lutando com Snoke, o filho de Han Solo e Leia Organa exibe muito mais conflitos internos e, surpresa das surpresas, executando seu mestre Sith, o Lorde Snoke, no segundo filme, em um ponto onde seria esperado que as trevas instiladas pelo vilão dominassem completamente a visão de Kylo. Não é o caso, porém. Não conseguindo executar um segundo parente, não vendo propósito em obedecer as ordens como um soldado cego, torna-se um dos primeiros protagonistas de Star Wars a propôr a dissolução de divisões tão óbvias e polarizadas entre lados - discurso que ecoa em outros personagens em menor escala durante o filme todo. 

Destacado pela franquia, Adam Driver desagradou certa parcela dos fãs com seu vilão sempre estressado, choroso, aos gritos - talvez não seja difícil entender o tipo de método de atuação diferente do ator ao ver outros projetos seus como Silêncio (2016) de Scorsese ou Paterson (2016) de Jim Jarmusch. Como acontece com Benicio del Toro, sua atuação em um blockbuster pode parecer detalhista e multitonal demais no espectro de emoções pelo qual passeia. Mas com mais espaço de desenvolvimento, Driver pode injetar o máximo de seu potencial para Ren: não como um vilão histérico, mas como um antagonista com suas próprias questões, que já foi tanto algoz como vítima e que surge no ato final do filme como um vilão de peso dramático imenso, concentrando em si toda a diferença entre vitória ou condenação. A jornada de seus tons emocionais são palpáveis, e aqueles que esperavam um Kylo Ren plenamente formado irão receber até mais do que haviam pedido.

Abrir o espaço para ter empatia por Kylo Ren e acompanhar sua formação como vilão também é outra forma de Rian Johnson abordar sua dessacralização daquele que é, de fato, o primeiro e mais clássico herói da franquia: Luke Skywalker. Antes de termos o passado de Vader como Anakin, antes de Rey, o personagem de Mark Hamill foi o personagem que começava comum e ordinário e acompanhamos pelos seus olhos o caminho das pedras de derrubar Impérios e resistir à escuridão da alma. Mas, para Rian Johnson, o mito deveria ter seu lado falho explorado; de fato, é difícil não sair da projeção empolgado mas também com sérias dúvidas se algum personagem além deve ser completamente exaltado ou condenado.

Hamill agora é um Luke com arrependimentos, com manchas na alma, com dúvidas e hesitações. O jovem que tinha todo potencial do mundo para a luz e para as trevas agora é um homem não só experiente mas traumatizado. Ainda dá vários lampejos de seu velho humor galhofeiro, mas também é possível perceber o impacto que seus mestres - Yoda, Obi-Wan, Anakin - e alunos - como Kylo Ren - tiveram em seu caráter. Por isso, o personagem parece surgir até agora como o mestre mais falho e contrariado da franquia - justamente por caminhar para fora do mito, como Rian Johnson queria. Com o seu caminho tão subvertido, Luke não poderia ter uma conclusão mais Star Wars, enfrentando não o seu inimigo, mas as próprias escolhas feitas e a vida que levou até ali.

Johnson, ao lado de Irvin Keshner, diretor de O Império Contra-Ataca, é disparado o grande diretor da franquia de Star Wars. Com algumas devidas homenagens, como a tradicional panorâmica para baixo que enfoca naves após a leitura dos créditos e as transições de “página virando” que evocam o clássico espírito pulp de Star Wars, é curioso notar como o diretor tem uma sensibilidade micro e macroscópica de ação, como a câmera viajando entre as mesas na sequência do cassino ou o indício de tremor no close da xícara tremendo ao abrir o quadro. Momentos que, ao lado do diretor de fotografia Steve Yedlin, que já trabalhou com o diretor em Looper - Assassinos do Futuro, Johnson demonstra um uso sábio de câmera para compôr atmosfera. A simetria de movimentos em diferentes locações, como quando Rey e Ren estabelecem uma conexão telepática, combina o ritmo da montagem com a composição em um nível de ambição estética que não se vê sempre na série.

O filme não é perfeito. De certa forma, tem os pontos fracos que a sétima parte não tem. O filme de Abrams e Kasdan repetia de forma quase marcada o capítulo IV ao ponto de ser previsível, mas explorou perspectivas inexploradas na série na figura da deserção de Finn, onde finalmente vimos a individualização de um Stormtrooper, além de expôr um vilão falho, que às vezes nem parece um vilão, tamanha a sua instabilidade, longe da postura sempre sisuda e nunca abalada de um Darth Vader, por exemplo. Mas sua estrutura era marcada por um propósito, o que dava uma certa sensação de ritmo, de estrutura bem fechada e amarrada. Não à toa, a grande especialidade de Abrams, seguramente o maior criador e desenvolvedor de grandes produtos da nova geração.

Johnson é um diretor diferente de Abrams. Não há nele a mentalidade de um “timing específico” para um grande público consumir. Isso o leva a estender muitas cenas, principalmente as sequências onde a Resistência foge da Primeira Ordem em uma de suas últimas grandes naves ou o combate o canhão-aríete, tão repletas de inserções e montagens paralelas que por vezes parecem perder o propósito. Pode às vezes até mesmo ser deslumbrado com a plasticidade de suas cenas, como quando a Princesa Leia é vítima de uma explosão: momento de grande peso dramático. Mas outros momentos, como o embate físico e mental entre Rey, Kylo e Snoke ou como a descida de Rey ao lado negro da ilha habitada, concentram muito do ouro da narrativa visual do filme. O segundo, inclusive, ao mostrar uma Rey fragmentada que tem de unir-se para então ajudar os outros, mostra como Johnson consegue ser evocativo e por vezes até delirante.

Se O Despertar da Força nos transmitia a mensagem do mito moderno, Os Últimos Jedi é o mito desconstruído, as figuras mitológicas experimentando a glória e a desgraça de saberem-se humanos, capazes de serem patéticos e heróicos, corrompidos e nobres. O mais humano do Star Wars ainda é um blockbuster com todas as letras, com os pingos de piadas, explosões, lutas, alta velocidade que tanto marcaram a série; mas por outro lado, em sua frustração, reversão e subversão, também é seguro dizer que nunca houve um Star Wars como Os Últimos Jedi. Um momento único da saga.
Por Bernardo D.I. Brum, em 15/12/2017
Avaliação:                 8.5
Notas - Equipe
• Alexandre Koball 5.0
• Daniel Dalpizzolo 6.5
• Rodrigo Cunha 8.0
• Régis Trigo 7.0
• Silvio Pilau 8.5
• Heitor Romero 7.0
• Marcelo Leme 7.0
• Bernardo D.I. Brum 8.5
• Rafael W. Oliveira 9.0
• Felipe Leal 7.0
•  Média 7.4
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Por Davi de Almeida Rezende, em 25/10/2018 | 04:57:14 h
O filme é cópia reciclada do Retorno de Jedi e o cidadão me escreve que é um filme único. PQP!
Por Marlon Tolksdorf, em 20/12/2017 | 23:06:14 h
Senti o mesmo que senti quando vi Skyfall.
Por Davi de Almeida Rezende, em 20/12/2017 | 16:23:01 h
O atestado do mau gosto.
Por Ted Rafael Araujo Nogueira, em 15/12/2017 | 17:04:06 h
Excelente texto Brum. Complementa a discussão que tivemos. Hahahaha

A questão da subversão narrativa pela frustração é excelente, na qual cresce pra mostrar isto no Luke. Onde a frase do Yoda é interessante neste sentido "professor é fracasso", no caso o fracasso ensina pra caralho.

Tem seus problemas nas eternas repetições porém alguns momentos subvertidos e outros driblados. Nada de absurdos, porém um bom filme.
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 FICHA DO FILME

 Star Wars: Episódio VIII - Os Últimos Jedi
(Star Wars: The Last Jedi, 2017)
• Direção:
- Rian Johnson
• Elenco Principal:
- Daisy Ridley
- John Boyega
- Oscar Isaac
• Sinopse: Tendo dado os primeiros passos para o mundo Jedi, Rey junta-se a Luke Skywalker em uma aventura com Leia, Finn e Poe, que desencadeia os mistérios da Força e os segredos do passado.
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