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CRÍTICA

Um Filme Falado

(Filme Falado, Um, 2003)
Por Roberto Ribeiro Avaliação:               7.5
Um filme que celebra a humanidade, valorizando tanto o seu passado mas também com um olho no presente, em direção ao futuro.

Um Filme Falado é, como o próprio nome sugere, sobre o problema da comunicação. A comunicação entre os povos, entre ideologias, as barreiras lingüísticas, a história como um instrumento de articulação entre o passado e o presente, o homem com seus mitos e logos, a continuidade pela transmissão de conhecimento, o cinema com o espectador. Diversas questões são postas em pauta durante o longa, o que rende diferentes interpretações e discussões sem fim, e a atualidade gritante do tema que certamente transformará este filme daqui a algumas décadas em um retrato antropológico de nossa época, dita a grande força dele em não simplesmente expor suas idéias, mas constantemente dialogar conosco.

Rosa Maria é uma professora de história de uma universidade em Portugal, e segue com sua filha pequena, Maria Joana, em um cruzeiro ao redor das civilizações, a fim de ensinar seu ofício à filha e aprender com os locais sobre os quais sempre lecionou, mas nunca conheceu. Passamos então por Marselha, Nápoles, Atenas, Istambul, Egito e Aden, com a viagem planejada para terminar em Bombaim, onde as duas se encontrariam com o marido. A cada cidade, uma explicação breve sobre a história local e suas lendas, como na explicação do ator português Luís Miguel Cintra no Egito, sobre Napoleão e as pirâmides. Ficamos cara a cara com as muralhas destes antigos impérios, o esmagador peso de milênios de história nos fitando onipresentes, como que gritando "ainda não acabou!". A história também comporta o presente, está em constante mutação, algo que Oliveira deixa claro com planos alongados para além da ação quando, após vermos os monumentos históricos gregos, nos deparamos com um plano da cidade atual, um mar de prédios e ruas, similar aos de Nápoles, Marselha e Lisboa.

Este é o presente; os restos são ruínas de tempos gloriosos que se foram, juntos com os mitos, agora mais mitos do que nunca. As estátuas de Dom Henrique, o ovo do castelo de Nápoles, os deuses gregos, a mesquita turca, a Esfinge quebrada; o ocidente se desvencilhou de suas crenças para abraçar a tecnologia. Numa hora, Rosa explica para sua filha que não temesse o futuro da Grécia, pois, mesmo sem a estátua da deusa Atenas, eram os gregos quem protegiam os gregos, mas ela falha em perceber que esses guardiões sagrados derrotados protegeram não os cidadãos, mas o povo, a sua cultura. Tudo que restaram foram vestígios, e tudo que nos resta é imaginar o que um dia foi a marca dessa cultura, como os turistas fazem nas ruínas de Pompéia.

Entretanto, a medida que o filme caminha, vamos mudando de cenário. Não é a toa que, das seis cidades visitadas, a terceira seja Atenas e a quarta Istambul; o berço do ocidente e a porta de entrada do oriente. Os vestígios de tecnologia vão se esgotando e conseguimos distinguir um lugar do outro mais facilmente, culminando em Aden, uma cidade tipicamente muçulmana. Nela, podemos ver a situação contrária e o choque cultural é instantâneo. Isso devido, em grande parte, ao Canal de Suez, tomado por Rosa e Maria Joana no Egito. Ao cortarem caminho por dentre a terra, evitando toda a África subsaariana da rota original de Vasco da Gama, elas dão um enorme passo entre o último resquício de ocidente e o oriente, e esse conflito cultural e ideológico é posto a prova no final. Rosa Maria explica à filha um pouco sobre as guerras do passado, entre os gregos e os turcos e, quando questionada, responde tranqüilizando a garota de que a guerra entre o ocidente e o oriente, mas se equivoca novamente ao se esquecer de que as manivelas da história não páram, e elas também são seres no tempo.

Aliás, a pequena Maria Joana, que a princípio pode torrar a paciência do público com suas perguntas freqüentes, típicas da infância, acaba por se revelar a figura mais sensata do filme. Suas perguntas, que podem soar como uma desculpa para que a mãe a explique (e, por tabela, também nos explique) os detalhes dos locais por onde passam, são na verdade uma afronta a mãe que, por diversas vezes, se vê encurralada pela língua ácida da filha e obrigada a responder qualquer coisa, estabelecendo de cara um problema de comunicação entre as gerações. Ela é uma professora de história, mas parece estar presa ao passado, enquanto Maria Joana está experimentando o presente a todo momento.

Durante a passagem pelo Canal de Suez, temos uma mudança nos rumos narrativos da história. Em Marselha, Nápoles e Atenas, subiu uma celebridade, e agora o capitão do navio convida a todas para um jantar em sua mesa. Uma empresária francesa, uma atriz italiana, uma cantora grega e um capitão americano se sentam e começam a trocar idéias diversas, até que cai a ficha: cada um estava falando em sua própria língua. Todos celebram essa incomum, porém agradável, coincidência, de que todos falam as mesmas quatro línguas, e isso gera uma nova discussão sobre a questão da comunicação no mundo atual. Rosa e a filha se juntam à mesa na noite seguinte, mas desta vez impera o inglês, uma vez que ninguém além dela e do capitão entendem português, e ela própria tem suas limitações lingüísticas. Entretanto, todos falam inglês, o que prova a não só a extensão da colonização cultural inglesa e americana, como a decadência cultural do velho continente, em especial da Grécia, cuja língua-mãe de toda cultura ocidental só é falada no próprio país; ele abriu mão da própria cultura e abraçou a modo de ser americano e a tecnologia. Mas eles se esqueceram do velho oriente, que resiste silenciosamente contra a invasão ocidental.

Neste momento, o capitão é alertado sobre uma bomba à bordo do navio.

Spoilers à vista. Não continue lendo caso não deseje conhecer detalhes importantes do enredo.

O final, chocante e trágico, traz todas estas questões à tona novamente. Todos do navio conseguem escapar, exceto Rosa e Maria Joana. A expressão de desespero e surpresa do capitão ao ver a explosão enquanto tentava salvar as duas vai além de uma tristeza de perder parte de sua tripulação, em especial de duas companhias que conhecia; ali se perdeu a própria continuidade da história. Maria Joana é a única criança do filme, ela é o elo entre o passado e o futuro, a possibilidade de se aprender com os erros e mudar os rumos caóticos. Sem a nova geração (algo que lembra os ataques à crianças pelos terroristas), a batalha entre o ocidente e o oriente parece ter tomado os ventos do leste. A habilidade de se transformar sem perder a própria cultura dos árabes acabou sendo um fator diferencial, e é no mínimo curioso que eles o tenham feito usando a tecnologia do ocidente (a bomba-relógio). Para quem quer ver um filme sobre a decadência dessa civilização, mas não agüenta as três horas e meia de divagações de O Ister, Um Filme Falado é uma ótima pedida. Ainda assim, somos deixados com uma imagem de otimismo, das três mulheres e o capitão conversando, cada um em sua língua, sobre a construção de uma nova torre de babel como a solução para o grande problema do mundo.

Por Roberto Ribeiro, em 27/07/2005
Avaliação:               7.5
Notas - Equipe
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• Heitor Romero 7.5
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 FICHA DO FILME

 Filme Falado, Um
(Filme Falado, Um, 2003)
• Direção:
- Manoel de Oliveira
• Elenco Principal:
- Leonor Silveira
- Filipa de Almeida
- John Malkovich
• Sinopse: Rosa Maria é uma professora de história numa universidade em Portugal, e segue com sua filha pequena, Maria Joana, em um cruzeiro ao redor das civilizações, a fim de ensinar seu ofício à filha e ela própria aprender com os locais sobre os quais sem...
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