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CRÍTICA

Vício Frenético

(Bad Lieutenant, 1992)
Por Daniel Dalpizzolo Avaliação:                 8.5
Abel Ferrara viaja ao inferno à procura da salvação.

Na primeira sequência de Vício Frenético, nosso protagonista, que conhecemos apenas como Lieutenant (posto dele na polícia de Nova York, sua ocupação social), transporta os filhos até a escola, reclamando durante todo o trajeto por terem perdido o ônibus. As crianças descem, atravessam a rua e seguem até o portão. Enquanto aguarda a fila de carros, aproveita para dar umas aspiradas na cocaína que carrega no bolso. O olhar de Harvey Keitel nesta cena resume o personagem: o homem é uma grande incógnita. Preocupação? Indiferença? Culpa? Sua feição parece distante dessas coisas e ao mesmo tempo reunir todas elas. É um enigma pautado pela necessidade, pela incompletude humana.

O tenente interpretado por Keitel é um legítimo personagem de Abel Ferrara. Viciado em álcool, cocaína, crack e apostas, passa o filme todo em busca de algo, sem saber exatamente o que procura. Ferrara é um cineasta de extremos, criado nos guetos, e sua visão de sociedade nos filmes está diretamente ligada à realidade das personagens que constroi, com o estado de espírito e as aflições delas (como exemplo basta lembrarmo-nos da primeira obra do diretor, O Assassino da Furadeira [The Driller Killer, 1979]). Mais do que filmes que registram, são filmes que abraçam as causas de seus protagonistas e, com eles, vão até as últimas conseqüências - sem fazer qualquer tipo de concessão. É por conta disso que aqui chegamos ao limite do que o cinema pode construir em matéria de bad trips.

Vício Frenético é uma descida ao inferno em busca do perdão de deus, e soa tão incoerente posto assim em palavras que só reforça o desespero de seu protagonista. Desespero que Ferrara traduz em imagens tão diretas quanto o possível, simplesmente deixando Keitel agir e observando sua dualidade, acima de tudo, com compreensão e com respeito. Não estamos diante de um homem mau, tampouco de um homem bom (ao menos o diretor não nos impõe este julgamento moral); o que Ferrara nos apresenta é apenas um homem desnorteado, cujo exercício de protetor social está danificado pelas perdições das quais não consegue fugir e que o fazem cometer excessos como utilizar-se de seu ofício para beneficiar suas compras de drogas.

Werner Herzog lançou Vício Frenético (Bad Lieuntenant: Port of Call New Orleans, 2009) afirmando não ser uma refilmagem do filme de Abel Ferrara – o que, convenhamos, é bastante duvidoso. O curioso é como ambos diferem determinantemente em tom e ponto de vista ao colocarem um questionamento de culpa nos ombros de um protagonista (Harvey Keitel) e o retirarem por completo do de outro (Nicolas Cage). É desta forma que o filme de Ferrara se torna uma bomba-relógio minimalista na qual seu personagem, chapado, sofre alucinações com Jesus Cristo e beija seus pés pedindo por misericórdia, enquanto no expansivo e artificial filme de Herzog as alucinações da droga são com iguanas e almas dançando ironicamente sobre seus próprios cadáveres. 

O filme de Herzog é delicioso ao abordar subversivamente a situação através do humor negro, mas este Vício Frenético de Abel Ferrara possui sim muito mais força. É uma experiência devastadora, uma legítima viagem maldita, e Hervey Keitel é o protagonista perfeito por conseguir resumir em seu choro seco, duro, abafado, toda a angústia que faz com que este homem não consiga compreender, por exemplo, como é possível o regramento radicalmente católico da freira estuprada fazer com que ela perdoe os delinquentes e se culpe pelo ocorrido. “Jesus transformou água em vinho. Eu deveria ter transformado esperma amargo em esperma fértil, ódio em amor, e talvez tivesse salvado a alma deles. Eles não me amaram, mas eu devia tê-los amado”.

Keitel abandona a igreja ao ouvir isto - sinceramente, eu também abandonaria.  E, ainda que ele tente agir com complacência à opção da freira, nem mesmo isso soa como uma redenção. O tenente perdoa, mas continua descrente, guardando suas dúvidas como um câncer que, aos poucos, o mata por dentro. “Suas vidas não valem nada nessa cidade” é o que ele fala para os rapazes. Mas ele pertence a esta cidade. Ele respira esta cidade. E possivelmente se coloque, por conta disso, como um homem tão corrompido pela maldade e pela sujeira existente nela que chegou ao ponto de não haver mais solução para ele. Abel Ferrara fez filmes melhores, mas ao final de Vício Fernético é que escreve, definitivamente, seu testamento cinematográfico.

Por Daniel Dalpizzolo, em 10/03/2011
Avaliação:                 8.5
Notas - Equipe
• Daniel Dalpizzolo 8.5
• Régis Trigo 7.0
• Vlademir Lazo 9.0
• Heitor Romero 8.0
• Marcelo Leme 8.0
• Rafael W. Oliveira 9.0
• Victor Ramos 8.5
•  Média 8.3
Notas - Usuários
8.2/10 (208 votos)
Minha nota:
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• Todas as opiniões 
Comente no Cineplayers (1)
Por Angelão, em 17/04/2012 | 14:00:56 h
Excelente crítica e estupendo filme! Mais um monumento de Abel Ferrara!
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 FICHA DO FILME

 Vício Frenético
(Bad Lieutenant, 1992)
• Direção:
- Abel Ferrara
• Elenco Principal:
- Harvey Keitel
- Victor Argo
- Paul Calderon
• Sinopse: Mergulhado no universo das drogas e do jogo, um tenente de polícia de Nova York inicia sua descida "rumo ao inferno". Mas dois acontecimentos vão lhe dar a chance de redenção: um torneio de beisebol e o trágico estupro de uma jovem freira.
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