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A Academia sob vigilância: até tu, presidente?


Na última semana, ainda ecoavam os efeitos práticos da última festa de entrega dos Oscars quando a Academia de Ciências Cinematográficas da América recebeu um total de três acusações de assédio sexual contra seu atual e recentemente empossado novo presidente, o fotógrafo John Bailey. Depois de uma noite de premiação onde o #MeToo foi uma das pautas centrais, incluindo trazer ao palco três das vítimas de Harvey Weinstein (Salma Hayek, Ashley Judd e Annabella Sciorra) para demonstrar sua solidariedade, a Academia se vê envolvida de novo na obrigação de apurar fatos do alto escalão, dessa vez envolvendo até mesmo o próprio nome.

A Academia vem sofrendo justa cobrança desde que os escândalos de Harvey Weinstein e Kevin Spacey vieram a tona no ano passado e tem ao mesmo tempo se empenhado em dar voz e tomar certa posição, mas também não se precipitar em julgamentos apressados, sem deixar o calor dos acontecimentos a influenciarem. A expulsão de Harvey Weinstein do corpo de membros (o primeiro caso depois de quase 80 anos do outro único), a decisão de manter Casey Affleck fora da festa desse ano (o vencedor do Oscar de ator do ano passado tradicionalmente voltaria esse ano, e por conta das acusações que ele enfrenta há 7 anos de cunho sexual, foi cordialmente desconvidado), foram poucas mas eficazes decisões tomadas já na gestão Bailey, que se seguiu a administração de Cheryl Boone - a presidente que fez de tudo para rejuvenescer e ampliar os escopos de gênero, racial e de integração mundial. A bomba que caiu com essas acusações podem macular o momento atual. 

Bailey é casado há 46 anos com Carol Littleton, montadora que faz parte do sindicato de sua categoria, e o casal é respeitado e querido pela indústria. Vários amigos ligados a eles já manifestaram apoio e indignação pelas acusações. 'Bailey é um cara decente, e isso só pode ter motivação em destruir seu trabalho como presidente', disse Larry Mirisch, também ele membro da Academia. A instituição disse ainda não haver alegações e provas suficientes para condenar ninguém, mas obviamente que os olhos estão abertos e as apurações estão sendo feitas, junto com as investigações. Não há de ser bom pra ninguém um presidente com tais acusações, mas ao mesmo tempo não é de interesse reforçar um espírito de caça às bruxas para não diminuir um movimento que é necessário e justo.

A verdade é que esse parece ser um primeiro teste para a Academia depois que eles inauguraram há dois meses um novo estatuto de regras para membros, feito para abrigar a nova e essencial ordem depois dos inúmeros escândalos. Melissa Silverstein é fundadora do grupo 'As Mulheres e Hollywood' e está justamente tentando proibir a expressão caça as bruxas, pq "as mulheres precisam ser apoiadas e a Academia precisa fazer mais, é um direito e não um favor". Todos estão interessados no lugar superior e justo que podemos alcançar na totalidade, para mulheres e homens, e tudo parece começar nos avanços dessas decisões de apurar e esclarecer todas as acusações, que o objetivo final será o de limpar o grosso dessa política arcaica de exercício de poder e submissão. 

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