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Análise: O Justiceiro - 1ª Temporada

Categoria: Geral
Por Cesar Castanha
Uma série solo.
O universo cinematográfico da Marvel, que tem seu carro-chefe no cinema, desenvolveu-se na televisão e nos serviços de streaming por dois caminhos distintos. No primeiro, com as séries produzidas pela ABC, buscou-se dar uma continuidade, a partir de uma estética mais televisiva (em termos de direção de cena e valores de produção), à narrativa das franquias cinematográficas. No segundo, uma parceria com a Netflix, fez-se um claro esforço por se afastar dos personagens e eventos do cinema, favorecendo a construção de um universo próprio. Séries como Demolidor, Jessica Jones e Luke Cage compartilham de um mesmo tom de thriller policial urbano aparado aos padrões Disney/Netflix. A distância em relação aos filmes da Marvel não impediu que logo esse segundo universo também desenvolvesse seus próprios tiques, como fica evidente na quarta e quinta séries dessa sequência, Punho de Ferro e Os Defensores.

O Justiceiro, o resultado mais recente dessa parceria, parece, por si mesma, uma tentativa de se afastar das anteriores. Apesar de o personagem ter sido apresentado na segunda temporada de Demolidor, é a primeira vez que uma série solo da Marvel está mais focada no desenvolvimento de único personagem, e não em um conjunto de interrelações e cruzamentos que se estabelecem entre um protagonista e outros. A primeira temporada de O Justiceiro surge como uma unidade resolvida em si mesma mais do que uma antecipação de contínuas sequências.

Isso, no entanto, é pouco a ser dito sobre a série. Ser aquela que se supera em um isolamento do personagem na sua própria narrativa dramática dificilmente significa ser a melhor série. O Justiceiro também cede aos tiques do seu próprio gênero, o thriller de guerra televisivo, frequentemente caindo numa repetição de séries como Homeland. Mesmo mais dependentes dos braços da Marvel, Jessica Jones e Luke Cage, por exemplo, abrem um caminho mais interessante por dentro de suas próprias propostas estéticas (de uma apropriação do gênero pulp noir). A coerência interna de O Justiceiro, porém, é uma excelência ainda não conquistada por suas antecessoras (ou pelo universo cinematográfico da Marvel como um todo).

A apresentação de Frank Castle — “o Justiceiro”, veterano de guerra que busca e mata membros de organizações criminosas desde o assassinato de sua família — em Demolidor, é um peso tirado dos ombros da série do personagem, que tem a liberdade de continuar a narrativa de um ponto menos pesado do seu desdobramento. A história de origem de Castle, já representada em três tentativas anteriores de adaptação (em 1989, 2004 e 2008), tornara-se o seu próprio clichê. Desamarrada dessa responsabilidade, a série tira o personagem desse loop e o leva além do fiapo de desenvolvimento que sua história de origem oferece.

Esse progresso da história permite a apresentação de um texto mais sofisticado e, consequentemente, um personagem mais complexo. Se Frank Castle era antes definido pela vingança — e, em roteiros mais generosos, também pelo trauma de guerra —, aqui ele é descoberto em sua solidão, revelando uma ansiedade por estar com alguém, pelo tipo de amizade e confiança que experimentou com seus companheiros de guerra e com sua família.

O ator Jon Bernthal também traz ao personagem uma qualidade de frágil no seu excesso de masculinidade que falta a interpretações anteriores (satisfeitas em trazer o homem duro da guerra, inabalável em sua nova missão). As interações de Castle com David Lieberman/Micro (Ebon Moss-Bachrach), Billy Russo (Bem Barnes) e Sarah Lieberman (Jaime Ray Newman) são marcadas por uma hesitação em estar próximo e, ao mesmo tempo, um desesperado desejo por proximidade.

Há também um esforço do texto por reconhecer o contexto político da continuidade prolongada da chamada “guerra ao terror” (que hoje envolve a intervenção militar estadunidense em países como Síria, Iraque, Afeganistão, Paquistão, Líbia, Iêmen e Somália). De modo geral, a série não vai muito além, nesse sentido, de um lugar comum onde seu gênero geralmente se posiciona (mais uma vez, Homeland é uma referência imediata). Ainda assim, essa tentativa leva a algumas adições interessantes à trama, como o núcleo da personagem Dinah Madani (Amber Rose Revah), uma agente da Segurança Nacional, e uma observação paralela do trauma de outros veteranos de guerra, que dão ao drama de Castle uma dimensão menos fechada à experiência do personagem.

Mesmo afastado dos outros personagens do universo Marvel na Netflix, o final desta primeira temporada dá espaço para uma continuidade de Frank Castle ainda independente das outras séries dessa parceria. É uma pena que a Marvel, que mantêm um universo tão rico em personagens nos quadrinhos, evite adaptá-los fora de um padrão muito específico e de um vínculo ao projeto narrativo principal do estúdio (os Vingadores e, na Netflix, os Defensores). O Justiceiro e a série Runaways (a primeira da parceria entre a Marvel e o canal de streaming Hulu) formam um primeiro passo para longe desse projeto. Até o momento, parece-me que há bons motivos para se manter a distância.
Por Cesar Castanha, em 13/03/2018
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