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Análise: Objetos Cortantes

Categoria: Geral
Por Bernardo D.I. Brum
Desmascarando o idílico.

A missouriana Gillian Flynn é a nova escritora da atualidade que virou alvo da paixão dos adaptadores cinematográficos. Em 2014, seu livro de dois anos antes Garota Exemplar foi adaptado por David Fincher em um filme com Ben Affleck, Rosamund Pike e Neil Patrick Harris, lucrando cerca de seis vezes o orçamento original de 60 milhões de dólares - nada mal para um filme adulto e espinhoso abordando temas como sequestro, violência doméstica e assassinato ter um destaque desse tamanho. De forma retroativa, no ano seguinte saiu a adaptação de seu segundo romance, Lugares Escuros, com Charlize Theron e agora, em 2018, foi a vez de Jean-Marc Vallée dirigir a minissérie baseada em seu primeiro livro, Objetos Cortantes.

Conhecido por filmes como C.R.A.Z.Y. - Loucos de Amor e Clube de Compras Dallas, que venceu os Oscars de Ator e Ator Coadjuvante para Matthe McConaughey e Jared Leto, o cineasta canadense Jean-Marc Vallée vem construindo uma sólida carreira na televisão desde que dirigiu a minissérie Big Little Lies, adaptação de Liane Moriarty que colecionou oito prêmios Emmy e cinco Globos de Ouro. E como não poderia deixar de ser para um diretor que já teve seus atores premiados na televisão e no cinema, um dos maiores méritos de Objetos Cortantes é a performance.

O livro grotesco e deprimido de Flynn versa sobre a história de Camille Preaker, uma repórter alcoólatra e que manteve o hábito de se automutilar por anos. Quando garotas passam a aparecer assassinadas em sua cidade natal, a interiorana Wind Gap, ela tem que lidar com velhas figuras como sua mãe, a poderosa socialite Adora, sua dissimulada irmã Amma, o impaciente delegado Bill Vickery e o Detetive Richard Willis, seu tempestuoso interesse romântico. Em uma linguagem crua, agressiva e rápida, o primeiro livro da autora é imperfeito, imaturo até, mas também é difícil resistir ao seu ritmo sufocante.

Já sob os olhos de Vallée, toda a grosseria de Gillian Flynn é filmada da maneira mais subjetiva que o diretor já imprimiu até hoje. Seu Big Little Lies já é uma obra que apostava na fragmentação narrativa como ferramenta para entender sua investigação acerca das mulheres de um bairro de elite, mas aqui a montagem chega ao nível de sonho, já que o cineasta frequentemente usa o recurso do falso raccord (ou simplificando, falsa continuidade) fazendo com que o olhar de uma personagem seja uma conexão direta com uma situação do passado.

Como foi dito, o filme passa pela questão da performance, e aqui não falamos apenas das atuações destacadas das atrizes Amy Adams (A Chegada), Patricia Clarkson (À Espera de um Milagre) e Eliza Scanlen como Camille, Adora e Amma, mas também de uma temática repetida em Big Little Lies muito surgido nos melhores drama noir ou nos filmes de David Lynch como Veludo Azul: como a típica casa americana, florida, tradicional e de cores fortes pode esconder um passado cheio de traumas e abusos. 

Adora encarna o arquétipo de diretora, comandando a cena de família adorável do interior do Missouri, extremamente irritada quando os outros saem do curso de ação normalmente ordenado por ela. Por sua vez, Amma é a performance em si, a garota frágil, dependente e obediente para a mãe e a líder natural, agressiva e debochada entre suas amigas. Enquanto isso, de preto dos pés à cabeça e praticamente sem expor a pele cheia de palavras agradáveis ou cruéis que ouviu durante a vida, a Camille Preaker de Amy Adams é por boa parte a anti-performance, sisuda, observadora, cíclica, perdida em lembranças. Dentro desse jogo cênico, nasce o suspense magistralmente percebido por Vallée em pequenas ações, onde uma troca de palavras ou de olhares pode mudar tudo.

É certo que Objetos Cortantes possui uma característica em comum com grande parte das séries hoje em dia, o pouco poder de síntese, com episódios inteiros que, apesar de sempre estar tentando alguma coisa nova - desenvolver personagens, por exemplo - mas não há senso de dinamismo. Por exemplo, lembrado como um episódio “parado”, o episódio “Fly” em Breaking Bad ainda exprimia algumas tensões - será que Walter irá se entregar sem perceber para Jesse? - o que quer dizer que há algumas tensões a  serem exprimidas mesmo que não sejam o foco principal.

Aqui, pelo contrário, a série se prolonga muito, quase sem necessidade, em explicações sobre o passado que os estratégicos e alusivos flashbacks já são capazes de sugerir ao espectador. O resultado é que dos oito episódios, há uns três ou quatro que bem poderiam ser limados, pois “cozinham” quem assiste, falham em reproduzir a sensação de ameaça que paira sobre Wind Gap, repete dinâmicas já estabelecidas previamente - como a relação tumultuosa de Camille e Adora, às vezes reafirmada ao ponto de exaustão. O uso constante de cliffhanger (ganchos que deixam o espectador suspenso até o próximo capítulo) também são problemáticos nesse sentido, pois acabam somando muito pouco.

Porém, em um todo, Vallée conseguiu fazer um drama investigativo que consegue se aproximar de temas pesados de maneira sutil e subjetiva. Ainda que em uma história sobre um conflito o mesmo às vezes fique em segundo plano e parece perder sua importância (ele só volta à tona em cenas após o clímax, afinal), há de se elogiar pelos personagens bem construídos, com personalidades complicadas e pouco usuais, conseguindo reproduzir uma versão moderna do gótico sulista, estilo literário e cinematográfico da virado do século passado que expôs as entranhas do outrora idílico Sul americano e, ao lado de obras da própria HBO como True Detective, reavivar o interesse por essa modalidade de história. Resta ver qual farsa Vallée irá desmascarar no próximo projeto com seu olhar único. 
Por Bernardo D.I. Brum, em 09/01/2019
Comente no Cineplayers (2)
Por Rafael Rodrigues Mangueira, em 13/01/2019 | 15:26:59 h
Série sensacional, ao lado da última temp de "The Americans" foi a melhor q assisti em 2018.
Sobre o Vallée, pelo ótimo trabalho de direção tanto em "Big Little Lies" como nessa, acabei abrindo uma vaguinha pra ele na minha lista de Top Cineastas.
Por Letícia Coelho, em 09/01/2019 | 23:05:28 h
Uma das melhores coisas das séries é o cast muito bem escolhido e as atuações de Adams e Clarkson que foram excepcionais
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