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Você se importa com a intenção do autor?

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(#545220)
Por Ricardo Amaral Guedes, em 27/08/2018 | 17:40:51 h
Acha que entender o que o diretor quis dizer deve ser o fundamental para gostar de um filme?
(#545221)
Por Paulo Faria Esteves, em 27/08/2018 | 20:03:30 h
Até certo ponto, já debatemos sobre isso aqui no site há pouco tempo. Mas fica sempre bem voltar à questão, ela é complexa demais e, quem sabe, não tem resposta definitiva...não sei. Mas enfim:

Entender o que o diretor quer dizer com o seu filme implica que o diretor, lá está, quis dizer alguma coisa. Mas será esse o caso com todos os diretores? Provavelmente, não. Há filmes de vários géneros e (a meu ver) alguns géneros pela sua natureza intrínseca são muito mauzinhos para dizer o que quer que seja ao público. E acho que não é demasiado rebuscado pensar que diretores mais comerciais como Michael Bay ou talvez até Uwe Boll não enviam mensagens ao público - pelo menso, não deliberadamente! Quer dizer, podem acabar por enviar mensagens sem querer, mas aí não há intenção.

Se eu acho que a intenção do autor tem a mesma percentagem de valor independentemente do filme que é e de quem o faz? Não.
Se eu acho que a intenção do autor importa? Sim, acho que sim. Afinal, nós podemos apreciar - ou não apreciar - um filme pelo que ele nos diz a nós, e isso até ver não é crime e é tranquilo. Por outro lado, o autor é que é o criador-mor da obra, portanto a sua intenção é relevante. Eu até gosto quando leio algumas interpretações de filmes feitas pelo próprio diretor e acho que isso costuma enriquecer a experiência.
E se alguém estiver a apreciar o filme de uma maneira completamente diferente daquela que o autor pretendeu, o autor pode, caham!, corrigir. Mas só até certo ponto: pode corrigir a interpretação errónea que o público fez do filme...mas não pode mudar o que uma pessoa sente pelo seu filme, pois os sentimentos (que eu saiba) são pessoais e intransmissíveis.

Se os sentimentos de uma pessoa por um filme, eventualmente, mudarem ao saber da intenção do autor, ok. Mas pela razão que escrevi em cima, tem de ser a própria pessoa a mudar a sua reação, não o autor.
(#545224)
Por André Oliveira de Araujo Ferreira, em 27/08/2018 | 21:36:36 h
Não muito. O que importa de fato é a minha recepção da obra, a minha experiência pessoal com ela.
(#545225)
Por Augusto Barbosa, em 27/08/2018 | 23:04:02 h
Isso de "querer dizer" é foda - tirando os Aronofsky's da vida, que estão prontinhos para dissertar sobre os próprios filmes ("There can be no bright future for those who are ready to explain everything about their own film" — Akira Kurosawa), no mais das vezes estamos lidando com inferências nossas sobre as intenções do autor - especialmente quando vemos vários filmes de uma mesma pessoa, começamos a perceber padrões e tendências que montam um certo perfil. Mas são sempre deduções, que podem ser ou não muito boas e próximas de uma realidade. Enfim, essa volta toda só pra pontuar a subjetividade da questão

Agora, estabelecida a premissa, passo pro ponto principal: sim. Inclusive, na maioria das vezes, é fator que interfere diretamente no juízo sobre o filme em si. Se é uma forma de expressar a visão de mundo de uma pessoa (ou várias), essa(s) própria(s) perspectiva(s) também fica(m) sob julgamento - eu, pelo menos, não consigo nem vejo qualquer bom motivo para ignorar esse fator. E essa visão de mundo, claro, se manifesta desde as opções estéticas até os elementos do plot (mesmo os filmes 'comerciais' de que o Paulo falou).

Mas, como tudo é passível de relativização, também não é sempre que a discordância com certo ponto de vista do autor vai gerar um juízo negativo sobre o filme: meu exemplo pessoal preferido (sobre escolhas de plot, no caso) é "Dogville", que se salva num final cujas intenções autorais, pra mim, eram claramente umas, mas acabaram dando margem a outras interpretações bem mais interessantes e, acredito, igualmente válidas.

E nisso pego o gancho para o que o André falou, já que compactuo fortemente com essa concepção Wildeiana (ou de alguém antes dele rs) de obra que pertence a cada receptor tanto quanto ao autor: por vezes, mesmo que a intenção autoral pareça ser uma que prejudicaria a obra, a experiência particular pode muito bem depreender outros significados dali e despertar certos prazeres (muito da ideia de 'guilty pleasure' parte daí). Enfim, pra mim é um processo bem dinâmico entre minha reação/interpretação pessoal e a intenção que eu projeto ser do autor.

p.s.: me referi o tempo todo a 'autor' e não a 'diretor' porque, ainda que concorde que sua figura é, via de regra, a predominante, outros sujeitos de poder podem acabar se equiparando, ou mesmo se sobrepondo, a ele (por exemplo, roteiristas e, especialmente, produtores). Além do que músicos, DP's, figurinistas, etc., ainda que sob a batuta de um diretor, voltados a traduzir a visão de mundo dele, também podem dispor de alguma margem de autonomia.
(#545230)
Por Paulo Faria Esteves, em 28/08/2018 | 12:00:31 h
quando vemos vários filmes de uma mesma pessoa, começamos a perceber padrões e tendências que montam um certo perfil. Mas são sempre deduções, que podem ser ou não muito boas e próximas de uma realidade.

Exatamente, até porque a única maneira de não serem deduções era literalmente ler a mente do autor. E que saiba, não dá para fazer isso, hehe...

músicos, DP's, figurinistas, etc., ainda que sob a batuta de um diretor, voltados a traduzir a visão de mundo dele, também podem dispor de alguma margem de autonomia.

Concordo, e isso só torna a questão mais complexa porque aí a intenção desses outros artistas também conta para a interpretação do filme. Só com um diretor muito mão-de-ferro é que esses outros artistas não têm chance de ter autonomia.
(#545232)
Por Ricardo Amaral Guedes, em 28/08/2018 | 15:33:05 h
Obrigado pela participação, colegas.

E, Augusto, a ideia do tópico veio justamente de uma discussão em outro fórum no qual alguns diziam que para se gostar de um filme como 2001 era necessário entender o que o Kubrick "queria dizer". Aí usaram o mãe!, do Dário Aronolfo, como exemplo positivo, já que o diretor explicou suas intenções.
(#545234)
Por Paulo Faria Esteves, em 28/08/2018 | 15:59:13 h
Meio a sério meio a brincar: Kubrick é um daqueles casos extremistas. Afinal, 2001 como filme em si é tão difícil de compreender que é quase impossível um espetador casual - aquele que vê Cinema de vez em quando e não lhe dá tanta importância como nós aqui no CP - apreciar o filme pela intenção de Kubrick. Talvez Aronofsky seja o extremo oposto de Kubrick, mas não sei...ainda não vi Mãe!

De resto, discordo; é perfeitamente possível gostar de 2001 sem entender o que Kubrick quer dizer. Porque, vá lá, não dá para uma pessoa simplesmente gostar dos planos de câmara, música, montagem, efeitos especiais, relevância, etc? Não digo que seja muito provável, mas dá para acontecer.
(#545236)
Por Chrystian Dowsley, em 28/08/2018 | 16:55:36 h
Considero que a partir do momento que o autor lança sua obra ele perde quase que totalmente a propriedade da relação com ela, por isso costumo não me importar muito e evito ao máximo ler algum comentário do próprio autor antes de ver um filme.

Agora quanto a ser fundamental não é nem pra gostar nem interpretar um filme. Menos pra gostar do que interpretar, porque interpretar ainda pode ser interessante como ponto de vista, mas não único ponto de vista, mas um dentre tantos quanto possíveis.

Aproveitando pra pegar carona nos comentários do Paulo e do Augusto é importante essa separação entre o que o autor "quis dizer" e o que ele "diz" de alguma forma. Se há a intencionalidade é claro que ele deve se expressar de uma maneira a qual do contrário não poderia ser compreendido. E é isso que a linguagem cinematográfica vai possibilitar. Ela vai trabalhar com signos que tem seus significados já sedimentados por esses mais de 100 anos de cinema que vão ser responsáveis por dar um determinado significado pra uma cena ou um plano, e não outro.

Isso me lembra o exemplo de quando há um personagem sendo engrandecido ou diminuído, e como o ângulo de baixo pra cima ou o oposto vão dar conta de atribuir esses significados. Claro que isso tudo é discutível e como pode haver a significação e ressignificação de vários elementos que vão muito além do ângulo, das cores, do cenário e figurino, do tempo, do movimento e mais outros n elementos.

É curioso como essa intenção pode se tornar tão escorregadia e de como o autor pode perder o controle desses elementos. Mas aí surge um problema: se a obra pertence tanto ao receptor quanto ao autor como o Augusto põe muito bem, quando há uma diferença gritante entre aquilo que se "quis dizer" e aquilo que se "disse", não entre 1 ou 2 espectadores, mas em uma parcela bastante elevada, como se explica a diferença?Visões de mundo diferentes, ineficiência do autor em se expressar através da linguagem do cinema ou uma deficiência do espectador de "saber ler" o conteúdo que o autor tenta expressar? Ou talvez alguma outra causa?

Além do exemplo legal que o Augusto deu sobre Dogville mais dois costumam me vir em mente quando eu costumo conversar sobre essa questão: um é Donnie Darko, onde na minha opinião a inexperiência do diretor vai levar com que um roteiro que nem é tão complicado assim (basta assistir umas 2 ou 3 vezes que você percebe isso) seja mal interpretado ou julgado como ultrapretensioso ou algo assim. O que acontece é que ele acaba atropelando um monte de informação e fica tudo muito confuso (e olha que eu gosto bastante desse filme).

O outro exemplo é o Tropa de Elite, onde ainda topo de vez em quando na internet com umas entrevistas onde o Padilha se explica sobre o conteúdo do filme e sua "verdadeira intenção" ao filmar. O cara se explica há mais de dez anos sobre o mesmo filme.
(#545242)
Por Walter Prado, em 29/08/2018 | 18:21:07 h
Mãe! além de ruim, é egocêntrico.
(#545243)
Por Paulo Faria Esteves, em 29/08/2018 | 19:11:58 h
Aproveito para lembrar, possivelmente como uma food for thought, um pormenor(?) do filme Clube da Luta. Embora seja reinvidicado - com alguma agressividade, diga-se de passagem - por "fãs" acérrimos do filme como sendo uma obra com a intenção "puríssima"de mandar uma mensagem "importante" sobre a "validíssima" filosofia de Tyler Durden...o próprio David Fincher disse que o filme é uma sátira: https://variety.com/2014/film/news/fight-club-panel-comic-con-1201269843/

Fincher até disse à sua filha para ela se afastar de um amigo dela cujo filme favorito era Clube da Luta... aí talvez o diretor já tenha sido um pouco extremista. Mas eu não tenho filhos (ainda?), por isso posso não ser o melhor para opinar.

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