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7+: Orgulho LGBTQI+

Junho é o mês do Orgulho LGBTQI+. O movimento surgiu em 1969, durante a Rebelião de Stonewall, quando homossexuais novaiorquinos entraram em confronto com a polícia que reprimia seu comportamento violentamente. A partir daí, as paradas anuais que comemoravam Stonewall ganharam cada vez mais adeptos e cada vez mais significados, alcançando outros países e compondo um movimento mundial em prol da tolerância. Inspirado em um mês tão simbólico, o Cineplayers indica sete filmes da rede Telecine sobre o tema, com algumas medalhões que não poderíamos deixar de mencionar, bem como outros destaques recentes que, se não tão falados, nem por isso devem deixar de ser vistos. Confira abaixo e bons filmes!


Tudo Sobre Minha Mãe

O mestre espanhol Pedro Almodóvar é um dos grandes cineastas vivos, com filmes que exploram sexualidade de maneira única, com personagens marginalizados por seus próprios desejos. Esse melodrama colorido e trágico da virada do século fala sobre como mulheres cis e trans sobrevivem às intempéries sociais, como a marginalidade e o medo da AIDS. O filme carrega grande força no elenco, com belos momentos de Cecília Roth, Marisa Paredes, Penélope Cruz e Toni Cantó, marcando um dos melhores momentos da carreira do diretor.


O Segredo de Brokeback Mountain

O filme é um dos maiores clássicos dos anos 2000. Eternamente injustiçado pelo Oscar que competiu, o longa de Ang Lee é um drama sensível sobre a paixão que irrompe entre dois homens casados que moram no interior dos EUA. O relacionamento secreto que os dois têm por medo durante décadas emociona não só pela direção precisa do cineasta chinês, mas também pelas interpretações dos protagonistas Jake Gyllenhall e Heath Ledger, o segundo se descolando do início de carreira com comédias românticas adolescentes para se revelar um dos destaques da sua geração. Talvez o filme definitivo sobre os horrores da homofobia.


Milk - A Voz da Igualdade

Sean Penn ganhou seu segundo Oscar de Melhor Ator por interpretar Harvey Milk nessa biografia de Gus Van Sant sobre o primeiro homossexual assumido eleito em São Francisco e que transformou a história da rua Castro. O filme transmite a alegria de viver e o idealismo de Milk, transformando sua base eleitoral em referência para a tolerância, sendo apoiado até por líderes como Ronald Reagan e seu conflito com o vereador atormentado e homofóbico Dan White. Filme ancorado na performance magnética do seu protagonista e que trouxe às novas gerações o legado de uma persona única.


Tomboy

A cineasta Céline Sciamma tem uma filmografia bastante ligada às causas LGBTQI+, e se no ano passado Retrato de Uma Jovem em Chamas arrebatou corações por onde passou, Tomboy já mostrava em 2011 a força desse cinema intimista, aqui falando sobre infância e questionando os padrões de gênero dentro dos quais somos criados. Tão sutil quanto poderoso.


Me Chame Pelo Seu Nome

Um casamento muito feliz do olhar do diretor Luca Guadagnino, um dos mais ecléticos da sua geração, do roteirista James Ivory, dono de vários dramas classudos e elegantes, e do elenco, com o despertar sexual e a paixão sendo representados de maneira tão explícita quanto sentimental, por cortesia dos atores Timothée Chalamet e Arnie Hammer, adornados pelo coadjuvante de Michael Stuhlbarg como pai do jovem protagonista que fala em prol da tolerância, rendendo uma das melhores cenas da década passada. Com a trilha matadora de Sufjan Stevens, então, Me Chame Pelo Seu Nome é por mérito próprio um dos maiores triunfos do cinema alternativo.


As Boas Maneiras

Esse filme de gênero de Marco Dutra e Juliana Rojas tem seu lugar aqui muito por conta de conseguir falar de afeto, sociedade e espiritualidade de maneira inequivocamente brasileira. As relações sociais de patroa e empregada, os afetos escondidos pela moral hipócrita e as famílias e laços que se constróem apesar dos muros de preconceito fazem desse filme uma das obras brasileiras mais únicas já vistas em algum tempo. Se você acha que filmes sobre licantropia são escapismos baratos incapazes de fazer emocionar ou refletir sobre afeto e preconceito, melhor conferir e pensar de novo, pois esse coloca tantas questões e pessoas diferentes em visibilidade que é impossível ficar indiferente.


As Herdeiras

Esse drama paraguaio vencedor do Teddy Awards de Berlim tem o peso esmagador de uma pluma. Encenado de maneira naturalista, o filme retrata uma personagem pária e deslocada que luta para encontrar seu lugar na sociedade e brigar pela merecida felicidade. A protagonista, descendente da decadente elite do Paraguai, passa a ser motorista particular de senhoras abastadas para pagar a conta após a companheira ser presa. Esse grilhão que a prende logo se altera quando um novo interesse romântico promete transgredir tudo que sua vida foi até então. Além de tudo, uma bela reflexão de como é amadurecer ao invés de apenas envelhecer - um filme sobre reencontrar a sua vontade de viver.

Comentários (4)

Luís F. Beloto Cabral | quinta-feira, 25 de Junho de 2020 - 09:37

Ótima lista. Alguns filmes (não vi todos) são realmente muito bons (gosto particularmente do Todo sobre mi madre e do Brokeback mountain. E As boas maneiras não fica muito atrás). Contudo, admito que me incomoda um pouco, não nessa matéria em específico mas nestas listas em geral, a presença quase exclusiva de filmes contemporâneos, como se cinema LGBT fosse algo somente da nossa época "desconstruidora". Filmes com subtextos gays existem desde que o cinema nasceu (e eu confesso que me sinto até mais "representado" por um Festim diabólico da vida do que algumas tramas atuais onde o afeto homossexual é pintado as cores assexuadas da heteronormatividade mais careta) e os que versam abertamente (ou bem perto disso) sobre o assunto datam desde os anos 60 - inclusive aqui no Brasil, vide O menino e o vento do Christensen e o Matou a família e foi ao cinema do Bressane.

Luís F. Beloto Cabral | quinta-feira, 25 de Junho de 2020 - 09:50

E com todo o respeito, mas o que são Guadagnino na fila do pão quando o cinema LGBT tem nomes como Barbara Hammer, Pasolini, Fassbinder, Derek Jarman, John Waters, Paul Verhoeven, Bob Fosse, Paul Morrissey, Marlon Riggs, Todd Haynes e outros e outras que precisavam ser descobertos? E mesmo nomes aqui mencionados possuem fitas mais interessantes sobre o tema, como o Gus van Sant e seu belo experimental Garotos de programa. Mesmo aqui no Brasil temos cineastas que passaram pungentemente pelo tema, como Carlos Hugo Christensen, Júlio Bressane, Sganzerla, Reichenbach, João Silvério Trevisan (este autor de grande bibliografia sobre a comunidade LGBT brasileira), Hector Babenco, Adélia Sampaio, Braz Chediak, além de nomes contemporâneos como Karim Aïnouz, Hilton Lacerda, Anita Rocha da Silveira e Helena Ignez.

Luís F. Beloto Cabral | quinta-feira, 25 de Junho de 2020 - 19:33

Esqueci de mencionar Paulo César Saraceni. A casa assassinada deveria figurar em todas essas listas. Puta filme incrível.

Guilherme Spada | domingo, 28 de Junho de 2020 - 03:32

Concordo com você Luís, mas o site fez a lista baseada nos filmes disponiveis no Telecine!

Daniel Barreto | sexta-feira, 26 de Junho de 2020 - 20:43

Senti falta de "Felizes Juntos" de Kar Wai.

Luís F. Beloto Cabral | domingo, 28 de Junho de 2020 - 21:21

Sim Guilherme, mas nada impede o site de fazer outras matérias ou expandir os repertórios. A crítica se mantém.

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