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De volta a Metrópolis

Embora esteja certamente entre os cinco ou dez melhores cineastas de todos os tempos, o austríaco Fritz Lang hoje é mais lembrado por dois filmes em especial: M - O Vampiro de Dusseldorf (1931) e Metrópolis (1927), sendo este último um desses monumentos do cinema que só surgem vez ou outra e se tornam divisores de águas. A megalomania da empreitada de Lang o levou a um completo delírio arquitetônico em plena década de 1920, fazendo de Metrópolis um filme que mesmo hoje continua hipnótico e que agora ganha virtudes proféticas sob a perspectiva dos anos que se passaram desde seu lançamento. Tudo a seu respeito pode ser considerado superlativo, desde a produção faraônica de construir em estúdio uma megalópole futurista, passando pelas previsões sociais, econômicas, tecnológicas, políticas, financeiras e antropológicas que realizou sobre o século XX, até seu inacreditável impacto imagético e valor seminal dentro do gênero, redefinindo o cinema comercial e o elevando a um novo patamar de ambição e potencial.




Não à toa, é o filme que até hoje mais projeta o nome de Lang entre os cinéfilos e já foi lançado no Brasil diversas vezes em VHS e DVD, porém é a primeira vez que está sendo lançado na versão restaurada em blu-ray, pela Versátil em parceria exclusiva com a Livraria Cultura, e em edição limitada. O pacote inclui vinte minutos de cenas inéditas e mais de duas horas de extras, além de um pôster exclusivo. Revisitar Metrópolis nesses termos é uma oportunidade de mergulhar a fundo e captar melhor a grandiosidade da obra-prima de Lang, sendo um filme de imagens tão impressionantes. Embora muito rico em seu texto e em suas alegorias, é um trabalho essencialmente visual e por isso a alta definição do blu-ray possibilita uma noção ainda mais apurada da visão de Lang, e é maravilhoso poder redescobrir um filme já tão assimilado e concretizado na memória coletiva do público cinéfilo.  

Apesar de Metrópolis ser o carro-chefe do mês de fevereiro na Versátil, são os filmes de terror que ganharam em quantidade, numa seleção de 12 títulos do gênero divididos em duas coleções temáticas e dois lançamentos individuais. Não deixem de conferir os inéditos A Espinha do Diabo (2001), Sob o Poder da Maldade (1967), A Casa do Cemitério (1981), A Filha de Satã (1962), Nasce Um Monstro (1974) e Shock (1977), que estão reunidos na coleção Obras-Primas do Terror – Vol. 4. Já no box Giallo – Vol. 2 há uma bela seleção de Fulci, Martino e outros mestres do terror italiano, com destaque para Torso (1973).




Há lançamentos solo de dois mestres que com certeza agradarão os fãs do terror italiano. Síndrome de Stendhal/Síndrome Mortal, de Dario Argento, vem em versão integral restaurada, com pôster exclusivo e uma hora de vídeos extras. As Três Máscaras do Terror, o famoso Black Sabbath de Mario Bava, vem em um box junto de mais dois filmes do mestre: Os Horrores do Castelo de Nuremberg (1972) e Os Vampiros (1956), além de um documentário, extras, e pôster exclusivo. Black Sabbath era o último grande filme de Bava a ser lançado no Brasil, a cereja do bolo de uma série de box especiais que fizeram o imenso favor de colocar em evidência um nome seminal do cinema que ainda é pouco conhecido por aqui. Os fãs de Mario Bava agradecem do fundo do coração.




Até o próximo mês, com as novidades do cinema da Nova Hollywood! 

Comentários (5)

Alexandre Koball | segunda-feira, 29 de Fevereiro de 2016 - 12:13 | Responder

Impressionante como os filmes filmados antigamente, em rolo de celuloide, por serem analógicos, podem atingir resoluções FULL HD/4K hoje em dia, que há métodos populares para vê-los desse jeito.

Adriano Augusto dos Santos | segunda-feira, 29 de Fevereiro de 2016 - 15:43 | Responder

E os dos anos 70 em HD como ficam incriveis. Aquelas paisagens naturais nessa qualidade é de cair o queixo o tempo inteiro. Seja de qual decada for.

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