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Filmes direto em DVD. Por quê?

São vários os motivos.
 
Um deles é que o mercado de cinema no Brasil é pequeno. Nos Estados Unidos existem mais de 50 mil cinemas, enquanto no Brasil pouco mais de 1,5 mil. Mesmo se comparado a outros países, como Argentina, México, Espanha, a média de cinemas no Brasil é muito baixa. E o que é pior: está concentrada nas grandes cidades, capitais e shoppings (que cobram mais caro, restringindo o acesso da população com menos poder aquisitivo, a maioria no Brasil).
 
Assim, quando um "Homem-Aranha 3" estréia nos Estados Unidos em 4,2 mil cinemas, ocupa uma pequena parte do circuito. Já no Brasil o mesmo filme estreou em 630 cinemas, o que significa aproximadamente a metade do circuito. Para uma estréia desse tamanho, vários filmes que estavam em cartaz tiveram que sair e muitos que estavam na fila para entrar não entrarão mais.
 
Além disso, as distribuidoras compram muito mais filmes do que têm capacidade de lançar, com medo de que o produto caia na mão dos concorrentes. Daí se vai acumulando filmes e a única saída para não perder dinheiro é lançar em DVD diretamente. Alguns acordos também obrigam a isso, por exemplo, para ter direito ao novo "Harry Potter", a distribuidora é obrigada a comprar mais uns cinco filmes menores. Sem espaço para lançá-los na tela grande, a mesma distribuidora joga tudo nas videolocadoras.
 
E, por fim, o principal dos motivos: o mercado de DVD é, hoje, em qualquer lugar do mundo, maior do que o de cinema. Hoje as empresas de cinema ganham mais dinheiro com o DVD do que com a exibição em salas (o melhor exemplo é o primeiro "Homem-Aranha", que fez extraordinários US$ 403 milhões de bilheteria nos Estados Unidos e mais de US$ 1 bilhão em vendas do DVD, mais do dobro). Ou seja, é preciso mais filmes serem lançados em DVD do que nos cinemas. Assim as distribuidoras escolhem os que têm maior potencial para a tela grande e deixam os considerados de "interesse restrito" para o DVD (quem escolhe é o departamento de marketing e os critérios nem sempre levam em consideração o gosto do público).
 
Se um filme for mal de bilheteria no país de origem, é possível que saia no Brasil só em DVD. Se a taxa de exibição cobrada for muito alta (geralmente acontece com filmes premiados), também só sai em DVD, que tem uma taxa bem menor (por isso vários filmes famosos não chegam aos cinemas brasileiros, como alguns filmes do Woody Allen).
 
Enfim, poderia continuar a escrever páginas aqui, mas eu acho que já deu para entender. É uma mistura de má vontade das distribuidoras, tamanho reduzido do mercado, incompetência gerencial (algumas vezes), birra pessoal do dono (menos) e falta de visão (mais).

Comentários (1)

Seu Madruga | quarta-feira, 01 de Outubro de 2014 - 19:22 | Responder

Me lembro da época que este texto foi escrito. 2007 era o auge dos DVDs, que logo seriam impiedosamente engolidos pela praticidade dos hoje famosos torrents. Locadoras estão falindo; o Blu-Ray não emplacou. Assistir filmes através de discos é um ato que encontra-se em rápido processo de sepultamento.

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