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10 motivos para ver Jojo Rabbit

A grande estreia do Telecine esse mês é Jojo Rabbit, filme de Taika Waititi (Thor: Ragnarok) que venceu o Oscar de Melhor Roteiro Original com sua história tragicômica sobre um garoto da Juventude Nazista que tem sua vida virada de pernas para o ar ao descobrir que a mãe hospeda clandestinamente uma judia em casa. O filme, descrito pelo trailer como uma “sátira anti-ódio”, conquistou corações ao redor graças à momentos ternos, hilários e tristes. Vamos conhecer mais um pouco sobre uma das produções mais arrebatadoras de 2019?

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1) Filmando cores 

Em sua pesquisa sobre o filme, o diretor Taika Waititi descobriu que a Alemanha na Segunda Guerra Mundial era muito vibrante e na moda, e se interessou em fazer algo diferente da atmosfera sombria, dessaturada e suja dos outros filmes sobre o período: “eu quis mostrar algo que fosse um pouco mais autêntico com as cores daquele tempo. A Alemanha era o ápice da moda, design e texturas.”

A ideia, na cabeça de Taika, é que “tudo parece feliz, mas logo abaixo da superfície o terceiro Reich desmontava e, sabe, o sonho acabava”. Além disso, essa opção estimulou a criação do mundo lúdico do protagonista “Jojo” - algo ressaltado pelo designer de figurinos Mayes C. Rubeo, que acrescentou como foi a criação visual do filme: “A chave para as imagens é que tudo no filme é visto pelos olhos de um completo inocente. Lembro das nossas infâncias como um lugar cheio de cores, e foi dessa maneira que abordamos.”


2) Encontrando um protagonista

Roman Griffin Davis nos conquista como Jojo Rabbit, mas seu papel de estreia é no mínimo inusitado: como um garoto tão doce pode defender um ideário tão horrível como o nazismo? A história de sua escalação é no mínimo curiosa: ele estava a caminho de um teste de elenco para Ford vs Ferrari e ficou sabendo do papel, fazendo seu teste com Taika online, com a chamada de vídeo congelava frequentemente. Isso não impediu o diretor de escalar o jovem talento: “Não é apenas o rosto, é a atitude dele. Roman na vida real é uma criança incrivelmente sensível e emocionalmente conectada que se importa com todos”.

Griffin disse, porém, que ele achava que Jojo no início era apenas “inocente”, sem consciência que o garoto tinha ódio aos judeus e tinha o ditador Adolf Hitler como amigo imaginário: “Eu achava que era sobre Pedro Coelho”. E o papel parece ter estimulado o infante: “Eu não estou tendo que pagar minhas contas, então eu apenas quero fazer coisas que tenham uma mensagem forte que eu possa aprender algo”.


3) Criando um ditador

Taika Waititi vive em Jojo Rabbit um Hitler imaginário que só existe na imaginação do protagonista. Apesar de não ser a primeira escolha, o diretor acabou vivendo o personagem, utilizando uma cômica barriga falsa para inserir traços cômicos no terrível genocida. Segundo ele, que não pesquisou para o papel por achar que o ditador não merecia: “ele era um grande babaca”, também afirmando se divertir com a auto escalação: “a resposta é simples: o que poderia ser um ‘vá se ferrar’ para Hitler maior do que ser interpretado por um homem judaico-polinésio?”

No livro que deu origem, O céu que nos oprime, de Christine Leunen, a história é mais sombria e menos lúdica: “O Hitler Imaginário não está no livro”, mas achou que era necessário: “Senti que se fosse alcançar minha audiência ou tentar algo que significasse algo, não poderia fazer um filme tão dramático assim.”


4) Inspiração materna 

Por falar no livro original, ele foi apresentado a Taika por sua mãe, Robin Cohen, que um dia o telefonou para falar da história que estava lendo, O Céu Que Nos Oprime. “Da maneira que me foi contada, pareceu algo muito cinematográfico e tinha potencial para ser um bom filme. Eu acabei lendo o livro, e mesmo que fosse muito bom, tinha muitos elementos bons, eu acho que no final foi a visão da minha mãe sobre o livro - a narrativa dela - que inspirou algo bem diferente na minha cabeça.”

Taika, aliás, descreveu o filme como uma carta de amor à sua mãe e pais solteiros em todos lugares: “Não foi até eu crescer e ter meus próprios filhos que eu percebi que ‘oh, essas pessoas-pais, fazem muitos sacrifícios, é muito difícil criar um filho!”


5) Uma estrela no elenco

Por falar nas mães, Rosie, genitora de Jojo, é um dos destaques do filme, interpretada por Scarlett Johansson, que alcançou grande destaque em 2019: no mesmo ano, a atriz foi indicada a coadjuvante nesse filme, a Melhor Atriz em História de um Casamento e teve um papel importante como Viúva Negra em Vingadores: Ultimato, que se tornou o filme de maior bilheteria da história.

Em um filme tão brutal à medida que desenvolve, ela é uma das personagens tratadas com mais respeito, sempre apoiando o filho e trabalhando secretamente pela Resistência. Uma marca disso é que a atriz frequentemente tem seus sapatos bicolores enquadrados ao lado do filho, o que leva a uma das cenas mais emocionantes do filme; Taika disse que sua aversão à violência o guiou à essas escolhas, afirmando que o final é “muito íntimo” para o personagem, respeitando o direito de apenas ele ser testemunha do seu pior momento.


6) Mentor improvável 

Uma das figuras mais notáveis do filme é Capitão Klezendorf, interpretado por Sam Rockwell no terceiro filme em que atua que é indicado ao Oscar em sequência (os outros sendo Três Anúncios Para um Crime e Vice). Klezendorf é um nazista que teve o olho danificado durante uma batalha, então foi a contragosto designado para comandar os campos da Juventude Ariana. Klezendorf é um homem complicado: ao mesmo tempo que é um oficial de patente em um governo genocida, também parece carregar certa culpa e simpatia, ajudando alguns personagens em situações difíceis.

O personagem inicialmente era para ser mais altivo, mas Waititi, que assumidamente raramente intervém na direção de atores, pediu para Rockwell fazer o tom do personagem em sua cena de abertura mais desiludido. Isso influenciou a abordagem do ator: inicialmente, além de ter um treinador de diálogo, ele assistiu a filmes como Ralph Fiennes como Amon Goeth em A Lista de Schindler, e outros atores americanos fazendo alemães como Marlon Brando em Morituri, mas depois mudou a abordagem, transformando seu personagem em “uma versão com sotaque alemão de Bill Murray ou Walter Matthau”, transformando-o em um misto de rabugice e sarcasmo.


7) Coadjuvante de respeito

Outro acerto de elenco de Taika foi a escalação de Thomasin McKenzie (O Rei, Sem Rastros) como Elsa, a garota judia hospedada clandestinamente por Rosie, mãe de Jojo. Taika é amigo dos pais de Thomasin e a conhecia desde pequena, e isso ajudou a dar outras cores para a personagem.

A atriz de início estudou sobre o Holocausto, visitou sinagogas e assistiu a filmes como A Lista de Schindler. Mas ela não queria que a personagem fosse apenas uma vítima unidimensional, já que o roteiro sugeria que ela era uma personagem forte e independente. Taika então sugeriu que Thomasin visse filmes como Atração Mortal (1988) e Garotas Malvadas (2004) para ressaltar a vibração que antes de ser vítima das circunstâncias, Elsa era uma ”colegial descolada.”


8) Ameaçadores, mas ainda cômicos

Uma das cenas mais hilárias, mas ao mesmo tempo tensas do filme é aquela protagonizada por Stephen Merchant (do The Office britânico) como Deertz, um oficial da Gestapo que vai até a casa de Jojo ao lado de aliados para investigar por judeus escondidos. Waititi queria um momento cômico, então a expressão “Heil Hitler!” é repetida 31 vezes, como um bordão de esquete, porque o diretor disse que quis mostrar “como os protocolos nazistas eram ridículos.”

O ator afirmou que imaginou os oficiais da Gestapo como “burocratas bem mesquinhos” que eram desprezados antes da guerra e durante o conflito deixaram o poder subir à cabeça. Ainda assim, Waititi quis ressaltar o aspecto intimidador, então durante os closes Stephen Merchant, que já tem 2 metros de altura, subiu numa caixa para ficar ainda mais alto que Sam Rockwell, de estatura mediana (1,75). Dá um efeito plástico e tanto.

9) Um filme sobre a idolatria

Além da trilha sonora incidental de Michael Giacchino (Os Incríveis), Jojo Rabbit usa música popular: o filme nos figa de imediato logo na abertura com “Komm, gib mir deine Hand”, versão em alemão do clássico dos Beatles I Want to Hold your Hand, gravada pelos fab four no início de carreira tentando conquistar um público bilíngue. A música é sobreposta às imagens da população celebrando Hitler, pois Taika reparou que durante suas pesquisas sobre a Juventude Hitlerista que havia uma “similaridade entre a multidão nos comícios de Hitler e o frenesi nos shows dos Beatles.”

A sátira óbvia - um ditador adorado como um popstar, capaz de ser até mesmo o amigo imaginário de uma criança - demonstra uma das razões do diretor fazer o filme: apesar que as pessas no pós-guerra bradaram que “nós nunca vamos esquecer”, o diretor acha que o comportamento de “certas pessoas em certas partes do mundo” sugeriam ao diretor que as pessoas pareciam esquecer.


10) Fã famoso

Um dos destaques do ano passado, Jojo Rabbit conquistou muita gente, incluindo uma pessoa muito celebrada: Mel Brooks, a lenda viva da comédia responsável por clássicos como Banzé no Oeste, Jovem Frankenstein e S.O.S. - Tem Um Louco Solto No Espaço.

Durante o almoço do American Film Institute, Brooks, que já havia elogiado o filme antes, disse em uma fala improvisada da sua apresentação: “Sabe, eu tenho que dizer isso: Taika, você não me pediu permissão para colocar Hitler no filme!”, disse o diretor, fazendo alusão ao fato de ter feito sua própria comédia sobre o tema, Os Produtores, onde dois produtores pilantras encenavam a peça horrorosa de um dramaturgo com tendências fascistas. Enquanto tinha seu filme elogiado por Brooks, um Taika em transe comentou ao produtor Carthew Neal: “se nada mais acontecer, já valeu à pena.”

Comentários (3)

Ricardo Magno Macedo Argolo | sábado, 15 de Agosto de 2020 - 18:48

o Sam Rockwell não foi indicado ao Oscar por esse filme.

Bernardo D.I. Brum | terça-feira, 18 de Agosto de 2020 - 02:12

Não é o que a frase diz: "Sam Rockwell no terceiro filme em que atua que é indicado ao Oscar em sequência (os outros sendo Três Anúncios Para um Crime e Vice)". Ele atuou em 3 filmes seguidos que foram indicados ao Oscar.

CitizenKadu | terça-feira, 18 de Agosto de 2020 - 03:47

Essa frase é sensacional para Concurso Público em Interpretação de Texto.
O primeiro pronome relativo "que" chama o Sam Rockwell; o segundo chama a palavra "filme". No primeiro ele é precedido por "em"("no qual"); o segundo apenas faz o papel básico do pronome: substituir o substantivo "filme".
Ricardo não passaria.

LUIZ AFONSO | sábado, 15 de Agosto de 2020 - 19:31

Este filme me surpeendeu. Fui assistir sem tanto entusiasmo e acabei adorando o filme. A cena final é encantadora.

Meu Nome é Anonymous | quinta-feira, 20 de Agosto de 2020 - 16:42

Revi o filme e confesso melhorou bastante. O relacionamento entre mãe e filho é o combustível do filme. Jojo Rabbit entra na lista de filmes de guerra e comédia ao lado de obras como: O Grande Ditador do Chaplin, Dr. Fantástico de Kubrick e MASH do Robert Altman.
Se Bruno Ganz fez a melhor atuação dramática de Hitler em A Queda, Taika Waititi é a melhor versão cômica do nazista e muito melhor que a Oliver Masucci (Ele Está de Volta).

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