Saltar para o conteúdo

Artigos

Especial 10 Anos Cineplayers - Filmes de 2006

Chegamos à sétima edição de dez do especial de 10 anos do Cineplayers. Todos os editores participaram dessa vez, depois de duas seguidas com uma baixa em cada, totalizando dezesseis filmes indicados, onde obviamente um ou outro acabou ficando de fora por não terem sido escolhidos por nenhum de nós; algo que acaba acontecendo pela regra de cada um só poder comentar sobre um filme de cada ano, o que não quer dizer que não gostemos ou que algum que tenha ficado de fora seja menos importante do que os que estão na lista.

Não se esqueça de comentar e, se perdeu alguma edição anterior, de visitá-la agora:
2007, 2008, 2009, 2010, 2011, 2012.

Sem maiores enrolações, vamos aos filmes de 2006!

 

À Procura da Felicidade, de Gabriele Muccino

Este é um tipo de “filme de cabeceira”, daqueles que sempre merecem uma revisitada. É uma das histórias mais bonitas da década e, novamente, Will Smith repetindo uma ótima performance dramática (que aconteceria de novo anos mais tarde em Sete Vidas). Um conto de superação, uma lição que todo pai deveria passar a seus filhos: sempre há esperança e não se deve desistir nunca. Esses clichês foram empregados de forma calculada para fazer emocionar, e fizeram o filme conquistar merecido sucesso e até hoje ser bem assistido em casa. Will Smith atuou ao lado de seu filho (naquela época com 8 anos), preparando-o para o estrelato. O menino não decepcionou, pegando um papel difícil, exigente, e hoje continua trabalhando ao lado de diretores renomados como Shyamalan.

- Josiane K.

 

Adrenalina, de Mark Neveldine e Brian Taylor

Em 2006, Mark Neveldine e Brian Taylor fariam sua estreia em longa-metragens com uma improvável comédia de ação que acabaria sendo o seu melhor filme, ainda quase uma década depois. A dupla tentou repetir o feito, mas nunca foi mais feliz na combinação. O humor negro de Adrenalina, protagonizado por um Jason Statham no auge da carreira, funcionava de forma poucas vezes antes vista. Praticamente todas as piadas funcionaram e o ritmo envolvente do roteiro segue a cabo o título brasileiro do filme. É claro que o humor grosseiro e de pouquíssimas concessões não agradou a todos, e a obra tem também uma taxa razoável de rejeição. A sequência de 2009 tentava monetizar em cima do sexo e, apesar de recordar alguns bons momentos deste filme, não teve o mesmo impacto justamente porque é provável que um filme – onde tudo dá certo – assim seja obtido pelo mesmo diretor (ou dupla, no caso) apenas uma vez na carreira. A não ser que você seja um gênio – mas, neste caso, não é para tanto...

- Alexandre Koball

 

Apenas Uma Vez, de John Carney

Ele é irlandês. Ela é tcheca. Ele trabalha com o pai numa loja de aspiradores de pó. Ela faz pequenas faxinas. Ambos têm problemas amorosos ainda não resolvidos. Ambos têm uma paixão em comum: a música. Ele toca violão e ela, piano. Ele se apresenta nas ruas de Dublin em troca de algumas moedas. Ela vende flores. Nenhum dos dois têm nome. São apenas o rapaz e a moça. O acaso faz com que se conheçam, se tornem amigos, se apaixonem, reflitam, amadureçam e se fortaleçam para enfrentar – inevitavelmente sozinhos – seus próprios conflitos. Em certo sentido, não é errado dizer que Apenas uma Vez é uma espécie de versão musical dos hiper-mega-cultuados Antes do Amanhecer e Antes do Pôr-do-Sol, de Richard Linklater. Ao longo de pouco menos de 90 minutos de uma projeção nada rebuscada, filmada com  câmera na mão, em estilo documental, compartilhamos os dramas, receios, ansiedades e inseguranças daquele casal. Torcemos, nos importamos e – confesso – choramos por eles. Ao final, o (falso) unhappy end é, na verdade, uma luz de esperança que surge na vida de ambos. Poucos momentos cinematográficos em 2006 me emocionaram tanto quanto a sequência em que a dupla canta pela primeira vez a bela Falling Slowly (destaque também para as lindíssimas If you Want Me e Lies), um exemplo de como se captar em película o instante exato em que um homem e uma mulher se apaixonam um pelo outro. Afinal de contas, quem nunca?

- Régis Trigo

 

Borat - O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América, de Larry Charles

Sacha Baron Cohen é uma figura necessária. Assume papéis extravagantes e caricatos, mas, apesar disso, sabe o limite para não ridicularizar a si próprio, mas sim para rir da indústria norte-americana como um insider. Desse modo, pode até passar do limite, mas ataca os norte-americanos em questões políticas, econômicas e culturais. Vai além. Lucra com a indústria que satiriza, o que é contraditório, mas, ao mesmo tempo, a grande piada. A indústria pouco se incomoda, está mais afim do retorno financeiro que Sacha pode prover. É um se alimentando do outro. Borat, enfim, foi o grande cartão de visitas de Sacha, uma entrada triunfal ao mostrar que a própria comédia estava acomodada, formulaica. Ele não conseguiu manter o nível, mas tem sido responsável por excelentes piadas sobre o país e a indústria. Parece considerar a comédia de hoje e o público industrializado as grandes piadas do momento.

- Emilio Franco Jr.

 

Dèja Vu, de Tony Scott

Um filme é sempre um pequeno ossuário de realidades mortas, compilação de tempos e indivíduos que existiram por um breve momento mas que se deixaram atropelar pelo devir do próprio indivíduo e do próprio tempo. Em Déjà Vu, Tony Scott caça essas imagens-fantasma ao mesmo tempo em que investiga a absurda e derradeira fantasia cinematográfica: reanimá-las, devolver ao tempo presente uma imagem presa no tempo passado. Ao descobrir que não pode subverter um plano vigente, que o mundo visto pela tela é inalterável, o personagem de Washington se revolta e decide editá-lo, mas seu sucesso, como ocorre ao cinema, é apenas parcial. Washington jamais intervém na realidade já estabelecida, isto é impossível; tudo o que ele pode fazer é substituir esta realidade por outra, o que implica fatalmente substituir a si mesmo. Em Janela Indiscreta, James Stewart tem o poder de mudar o que vê; em Um Corpo Que Cai, não. Da teleologia do ser à limitação intransponível de toda forma de arte, Tony Scott, como fez Hitchcock, desmente qualquer alegoria romântica de cinema para realizá-lo em sua forma mais franca: decalque de um mundo outro, nada mais. Uma nota pessoal? Sim, vai fazer falta o ‘irmão do Ridley Scott’.

- Luis Henrique Boaventura

 

Filhos da Esperança, de Alfonso Cuarón

Esqueçam o futuro altamente tecnológico da maioria das ficções-científicas por aí. Para Alfonso Cuarón, o nosso breve amanhã será vivido em um mundo distópico, caótico, perturbado constantemente por atentados e no qual a imigração é vista como causa de distúrbios. Esse é o mundo levado às telas de forma exemplar pelo cineasta mexicano em Filhos da Esperança. Cuarón traduz tudo isso em cena apostando no realismo, utilizando cores frias e longos planos que se destacam não pela beleza, mas, ao contrário, por captarem a sujeira e a falta de esperança daquele futuro. Com um roteiro bem amarrado que aborda pertinentes questões sociais e ainda constrói uma sutil parábola religiosa, o diretor faz do seu filme uma das ficções-científicas mais inteligentes e impactantes dos últimos anos, além de apresentar um domínio técnico invejável: há, no mínimo, duas ou três sequências de realização extremamente difícil e ousada, mas cuja realização deve ser aplaudida de pé. Um filme para ser admirado, mas, principalmente, refletido.

- Silvio Pilau

 

O Hospedeiro, de Joon-ho Bong

A carga simbólica da água nos filmes de Bong Joon-Ho escapa de qualquer obviedade. Se antes ligado à vida e liberdade, neste filme ela também é responsável pelo medo e pela repulsa. Nela, cria-se um monstro anabolizado exibido sem discrição alguma pelo balé agressivo das câmeras; desenvolve-se o medo de um vírus, que coloca grande parte da população em quarentena; e revela o desajustado e desengonçado alçado à herói Gang-du, um homem patético que só pensa em salvar sua filha das garras do mutante. Essa tour-de-force singular e brutal do cinema sul-coreano faz um homem sair no peito contra as autoridades do próprio país onde ironicamente o homem em plena era da informação prossegue alienado, isolado e amedrontado – e a chuva, libertadora, agora também é via de revolta. Joon-ho compõe uma peça de estilo único, de construção dilatada de tempo e de dramaturgia exagerada e surtada onde, ao contrabandear a trama de “filme de monstro”, surge como o grito inflamado do homem comum preso no que ele mesmo criou. Uma das obras-primas dos anos 2000 é, antes de mais nada, cinema no volume máximo.

- Bernardo D. I. Brum

 

Império dos Sonhos, de David Lynch

Depois de iniciar uma fase mais radical em sua carreira com A Estrada Perdida, Lynch finalmente perde de vez a razão com Império dos Sonhos, sua primeira experiência com a tecnologia de imagem digital. A multidimensionalidade que ele procura alcançar nesse filme só atinge seu êxito por conta da técnica apreendida pelo diretor na exploração dessa nova tecnologia tão subaproveitada por muitos de seus colegas de trabalho. Diferente de seu antecessor, Império não começa com uma base linear para depois ser bagunçado por seu diretor; desta vez Lynch não usa o normal e comum como um pontapé inicial que garanta o interesse de seu público; já começa absurdo, chocante, sem sentido e ao mesmo tempo multissensorial, sem a ajuda de gêneros cinematográficos que situem o espectador. Há uma suspensão do tempo, que é condensado em memórias, sonhos, pesadelos, realidade, tudo se mesclando e interagindo em uma sintonia homogênea, tornando a imagem seu recurso mais necessário, e se mostrando capaz de invadir a nossa realidade ao mexer com nossa própria percepção de tempo e espaço. Em seu cinema, o ato de assistir e ser guiado primariamente apenas por imagens é sempre a mais impactante experiência.   

- Heitor Romero

 

Os Infiltrados, de Martin Scorsese

Há muitos anos não levo o Oscar a sério, mas lembro que uma frase proferida por um comentarista de TV e alguns cinéfilos na edição 2007 da cerimônia me marcou muito: “A Academia se redimiu com Scorsese”. Mais que uma constatação, muitos pronunciavam tais palavras como modo de diminuir a obra pela qual fora premiado Martin Scorsese, o que considero uma tremenda injustiça; embora remake de um ótimo e recente policial (Conflitos Internos, 2002), Os Infiltrados mostra-se sensivelmente superior ao filme produzido em Hong Kong. Mais do que isso, ao apresentar personagens com complexidades distintas e uma trama mais bem elaborada, plena de reviravoltas (que funcionam!) e finalizada com um terceiro ato próprio, Scorsese conferiu louvável relevância a esse trabalho. Mais do que isso, a concessão do prêmio ao diretor mostra-se igualmente ou mais merecida, tanto pelo modo como é conduzido o ótimo suspense em toda a projeção (são 2 horas e meia que voam), como pela esplêndida direção do grande elenco, em que ao menos meia dúzia de atores teve a capacidade de entregar grandes atuações e a dupla de “jovens” protagonistas conseguiu responder à altura da hipnótica interpretação do monstro Jack Nicholson na pele de um gângster psicopata. Enfim, se alguém tiver visto um filme do gênero, dos últimos 10 anos, que seja superior, imploro que me recomende.

- Rodrigo Torres de Souza

 

Labirinto do Fauno, de Guillermo del Toro

Várias são as representações simbólicas inseridas na poética narrativa de “O Labirinto do Fauno”, que conta com metáforas cotidianas sobre o ano de 1943 durante o regime franquista na Espanha. O filme transita entre a guerra civil espanhola – contexto – até a fantasia que abre hipóteses interpretativas sobre a vivência da menina Ofélia e seu mundo imaginativo sem cores ou brilho, logo após encontrar um labirinto no quintal. Ela existe fisicamente. O fauno e outros seres descobertos também, esses enquanto fábula. Ou não. O sentido é abrangente, explicita-se o real (guerra, criança, nascimento, morte) frente ao imaginário (mitologia, superstição, salvação). Como metáfora está o próprio cinema. Os espectadores reais frente à projeção que explana a ficção inteligível. Imaginativo e floreado, uma flor com espinhos surge como representação de um caminho rumo ao júbilo a qual a menina busca, este terror violento de Guilermo Del Toro é belo em cada quadro e significado. Uma extensão do igualmente admirável “A Espinha do Diabo”, que exprime o irreal a partir da veracidade. Subjetivo, vai do espectador a compreensão final. Com uma trilha para acalentar e elaborações para impressionar, essa é uma das criações fantásticas mais comoventes do cinema.

- Marcelo Leme

 

Longe Dela, de Sarah Polley

Maduro, franco, áspero e por vezes desesperador, Longe Dela fala da relação de uma mulher que sofre do Mal de Alzheimer com o marido da qual não se lembra mais. O marido continuará cuidando dela mesmo quando a mulher começa a ter um caso com outro homem no mesmo hospital em que está internada. Um conto de amor dos nossos tempos, bastante triste, talvez, mas sincero e pertinente. Atuações impecáveis de Julie Christie, Gordon Pinsent e Olympia Dukakis, nessa bela obra baseada num conto da badalada escritora canadense Alice Munro, a mesma que escreveu Brokeback Mountain.

- Demetrius Caesar

 

Medos Privados em Lugares Públicos, de Alain Resnais

Não há autor vivo com maior domínio da linguagem cinematográfica que Resnais, ou que demonstre em seus filmes um prazer tão vigoroso de fazer cinema. Se a obra do francês se consagrou por suas duras reflexões históricas e intensos estudos da mente humana e da memória realizados no início da carreira, hoje acompanhamos um artista mais interessado em apropriar-se dos elementos farsescos da dramaturgia anacrônica de séculos passados para se deliciar inserindo-os em painéis de histórias sobre relacionamentos amorosos, uma característica em comum nos seus filmes mais recentes como Beijo Na Boca, Não!, Ervas Daninhas e este Medos Privados em Lugares Públicos. Cenários fakes, dramas e interpretações por vezes beirando o exagero, enquadramentos e movimentos de câmera que evidenciam a todo instante a grande mentira que é o cinema, que habitam um espaço acima do tom da vida no qual o cineasta possa instalar sua infindável capacidade criativa e suas reflexões sobre o comportamento humano. É talvez o grande filme-caricatura da década, em que esta característica estabelece naturalmente através da farsa um diálogo muito próximo com a realidade e as emoções sustentadas pelas relações que retrata. É também um filme na contramão do que o cinema europeu/alternativo de festivais vem realizando desde a legitimação de um pretenso realismo/naturalismo para abordar assuntos do cotidiano – e um necessário antídoto ao que de mais nocivo tendências bestas como as do Dogma 95 fizeram ao cinema.

- Daniel Dalpizzolo

 

Pequena Miss Sunshine, de Jonathan Dayton e Valerie Faris

Uma família com várias disfunções entre seus membros cai na estrada e propicia uma crítica bem-humorada e consistente ao nefasto hábito estadunidense de tachar alguns de perdedores, longe de qualquer perspectiva refratária. A estreia de Jonathan Dayton e Valerie Faris atrás das câmeras, digna de alvíssaras, é um achado em termos de personagens, tão verossímeis em suas fragilidades. Quem nunca se viu inclinado a torcer por um candidato com poucas chances de vitória talvez não compreenda o fascínio exercido por Pequena Miss Sunshine, mas cada instante seu transpira encanto genuíno. Da pequena Olive ao atormentado Frank, passando pelo tresloucado Edwin, os habitantes da narrativa são mais do que meros tipos desenhados às pressas. Cativam pelo que têm de mais parecidos com cada um de nós, para o bem e para o mal, sem demonstrar qualquer esforço para serem adoráveis. Pontuado por cenas inesquecíveis, os diretores indicam o quanto um olhar afetuoso pode ser a melhor alternativa diante da indizível tristeza quando os sonhos se frustram e é preciso certo tempo antes de se encarar o recomeço. Entre risos e lágrimas, invoca nossa humanidade, por vezes, combalida.

- Patrick Corrêa

 

Possuídos, de William Friedkin

Se pararmos para analisar Possuídos sob o escopo das teorias sobre os distúrbios imanentes ao nosso tempo, poderíamos imaginar que William Friedkin não poderia tê-lo filmado 3 ou 4 décadas atrás. Por outro lado, não julgo ser muita ousadia afirmar que, em termos de poder dramático, um realizador como ele faria algo de força semelhante em qualquer uma das épocas. Deixando estas meditações de lado, o importante mesmo é salientar que em Bug o diretor conduz seus personagens a uma viagem através de um inferno pessoal, supostamente permeado por seres microscópicos capazes de levá-los ao mais visceral nível de insanidade. Esta paranóia é algo que vive nas camadas mais profundas de cada um deles, passeia por entre seus sentidos e vem à tona para dar vida ao medo de uma abstração, que jamais se concretiza, mas que mesmo assim é perfeitamente sentida, pois paira no ar, como a influência do vento no 78 anos mais velho Vento e Areia, de Victor Sjöström . Portanto, Friedkin trabalha com aquilo que provavelmente sempre existiu no interior dos protagonistas e com isso aciona um dispositivo presente naqueles seres -  que se isolam e se aniquilam violenta e progressivamente - e, a partir daí, promove uma descarga descomunal de energia que faz desta obra um dos quadros mais perturbados e perturbadores do cinema contemporâneo. Belíssimo filme!

- David Campos

 

Rocky Balboa, de Sylvester Stallone

Em 2006, escrevi algumas palavras positivas sobre Rocky Balboa, filme que marcou o retorno de Stallone aos holofotes depois de um tempo rodando por produções de gosto duvidoso. Curioso que este personagem seja o responsável por essa sobrevida na carreira do artista, pois foi o mesmo Rocky, lá em 1976, que o projetou para o mundo depois de um enorme sucesso inesperado. Exatos 30 anos depois, Rocky embarca em mais um combate após um computador simular uma luta entre ele e o atual campeão. Absurdo? Claro, mas um dos grandes méritos do filme é justamente nos fazer esquecer de que tudo aquilo jamais aconteceria na vida real e que aceitemos plenamente tudo o que o filme apresenta, prestando atenção em cada reflexão, cada flashback, cada ligação com o passado... Rocky tem disso, é superação, mas também é dor e como resistir a ela, seja no ringue, seja na vida, seja no tempo que passou e que não voltará mais. Vencer não é o mais importante, mas sim conseguir resistir ao que vier e seguir em frente de cabeça erguida, porque “ninguém vai te bater tão forte quanto a vida”.

- Rodrigo Cunha

 

Serras da Desordem, de Andrea Tonacci

Passado algum tempo depois de seu lançamento, Serras da Desordem permanece um mito do cinema brasileiro contemporâneo. Todo ano surge algum filme (uns ótimos, outros nem tanto) que uma parcela da crítica e do público tenta impor como um marco do nosso cinema, porém não é exagero considerar Serras como o ponto alto dessa cinematografia na última década. O crítico norte-americano Jonathan Rosenbaum certa vez escreveu que é preciso se tornar amigo de O Vento Nos Levará (de Abbas Kiarostami) para o filme se abrir por inteiro ao espectador, mas que depois suas recompensas se tornam ilimitadas. O mesmo ocorre com Serras da Desordem: não é preciso esforço ou dedicação redobrada para compreender ou apreciar sua proposta, porém, ao nos permitirmos estabelecer uma intimidade com o filme de Tonacci, com as possibilidades que ele abre em nosso olhar, suas recompensas são bem mais amplas do que com a maioria dos outros filmes, pois mais que uma investigação a fundo sobre um povo e um país, Serras da Desordem desemboca numa aventura estimulantemente cinematográfica. Um cinema que se mantém em constante fluxo (como já era com Bang Bang), rompendo como poucos as fronteiras entre a representação e a documentação.

- Vlademir Lazo

Comentários (59)

Raphael da Silveira Leite Miguel | segunda-feira, 28 de Janeiro de 2013 - 16:53

Acredito que o ano de 2006 não tenha tido uma safra muito boa, na minha lista desse ano não tem muita coisa boa também. Gostei de ver na lista os filmes: Borat - O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América, Déjà Vu, Os Infiltrados e a À Procura da Felicidade dos que eu ví.
E dos que não ví e quero muito ver: Apenas Uma Vez, Filhos da Esperança, Longe Dela, O Hospedeiro e Pequena Miss Sunshine.

Fora esses, tivemos ainda alguns que achei interessante mas que não me despertaram tanto interesse em ver: Medos Privados em Lugares Públicos, Serras da Desordem, Possuídos e Rocky Balboa.

Restaram citar os filmes Adrenalina e Império dos Sonhos que não achei interessante serem lembrados, em seu lugar tenho três sugestões: O Ilusionista, Apocalypto e Poder Além da Vida (pouco conhecido).

Abdias Terceiro | segunda-feira, 28 de Janeiro de 2013 - 22:30

The Prestige poderia estar na lista...
Acho Adrenalina um filme Abaixo da média.

Patrick Corrêa | sábado, 18 de Outubro de 2014 - 20:46

Pecados íntimos teria entrado se eu não tivesse mudado de ideia e escrito sobre Pequena Miss Sunshine, que eu amo muito mais.

😁

Faça login para comentar.