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Telecine Recomenda: A Saga Star Trek no Cinema!


O Telecine foi audaciosamente onde nenhum streaming jamais esteve e disponibilizou em seu serviço nada menos que dez filmes da saga Jornada nas Estrelas, compreendendo todo o período anterior aos reboots de J. J. Abrams que começaram em 2009.

Dessa forma, o cinéfilo fã de ficção científica tem disponível para si toda a saga cinematográfica criada a partir da série de televisão de Gene Roddenberry que, cancelada após três temporadas, renasceu na animação e nos cinemas e se tornou o maior rival de sua saga caloura, Star Wars. Para homenagear uma franquia tão icônica, seguem abaixo um guia para os novatos sobre o que assistir com algumas curiosidades para os veteranos.

Confira abaixo e tenha uma vida longa e próspera! \\//

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Jornada nas Estrelas - O Filme, ou a Fênix renascida (em meio a percalços)

A NBC cancelou Star Trek em sua terceira temporada em 1969, após já ter cortado o orçamento da produção, terminando com um insólito episódio onde Kirk trocava de corpo com uma matadora que o caçava. Quando a série se tornou cult e ganhou uma versão animada, seis anos depois, em 1975, o criador Roddenberry foi convocado pela Paramount para desenvolver o filme, ideia que já tinha apresentado durante uma feira de ficção científica em 1968. A produção se provaria complicada, porém, já que o roteiro demoraria até 1976 para encontrar seus autores Chris Bryant e Allan Scott (Inverno de Sangue em Veneza) e os sets só começaram a ser construídos em 1977, com Robert Wise (A Noviça Rebelde) subindo a bordo para comandar a produção.

O novo filme agora contava a história d agora Almirante Kirk subindo à bordo da clássica nave USS Enterprise para interceptar um nave alienígena que se aproxima rapidamente de nosso planeta. Porém, o tom épico almejado não foi alcançado sem dificuldades: o elenco estar dez anos mais velho foi uma preocupação de equipe e atores. Então iluminação, truque de câmeras e uma dieta por parte de William Shatner se mostraram necessários para contar a história de onde ela havia parado. Evitar isso levou à decisão de que, nos filmes seguintes, a passagem do tempo e o envelhecimento se tornariam parte da história.

O resultado final ainda preocupava: William Shatner detestou o filme assim que o viu e os estúdios encrencavam com o final proposto por Roddenberry, só relaxando após o mestre da ficção científica Isaac Asimov dar seu aval e mostrar apreciação pelo filme. Porém, aos trancos e barrancos, o filme aconteceu, chegando cheio de pompa através da trilha de Jerry Goldsmith (Alien - O Oitavo Passageiro) e trailers narrados por Orson Welles e obteve notável sucesso, custando 44 milhões e devolvendo 139 milhões de dólares aos estúdios. Star Trek estava de volta!

Jornada nas Estrelas II: A Ira de Khan - Um vilão icônico (resgatado das areias do tempo - literal e figurativamente!)

O vigésimo segundo episódio da primeira temporada da série original, Space Seed, a tripulação da Enterprise encontra uma nave espacial do século XX, a SS Botany Bay, que tem a tripulação congelada em animação suspensa. Porém, eles acabam acordando Khan Noonien Singh, que se revela um antigo ditador da Terra. Khan tenta tomar o controle da nave, mas acaba derrotado.

O bom de uma produção ter o privilégio do envolvimento de seus criadores originais é o respeito ao canône original e, para o segundo o filme da série, Roddenberry resolveu trazer de volta o ator Ricardo Montálban como o icônico vilão. Não foi fácil: não interpretava o personagem há mais de uma década e nos últimos anos havia acostumado a atuar como o Senhor Roarke de A Ilha da Fantasia (1978-1984). A Paramount enviou a ele uma fita, e o ator disse precisar de ‘três ou quatro” assistidas para recapturar a essência do personagem: segundo o que afirmou em entrevistas, Khan não se via como um vilão e, mesmo que cometesse atos de maldade, eram necessários, já que se via como o lado certo da história. O ator disse sempre tentar encontrar uma “falha” em seus personagens, já que não acredita em alguém completamente bom ou mau.

O super-humano criado através de tecnologia e líder de uma civilização revoltosa foi definida por Spock como o “adversário mais perigoso que já enfrentamos”. A bilheteria foi mantida e muitos fãs consideram esse o melhor filme de Star Trek já feito. A química de antagonistas entre Khan e Shatner faísca na tela, como quando o vilão provoca o herói de ter desabilitado sua nave em uma lua infértil e o protagonista grita o nome furioso de seu nêmesis, em um momento icônico, que Shatner descreveu como um “grito de um macho alfa, tal qual já vi um alce fazer”, fala escrita pelo diretor Nicholas Meyer “em caixa alta e com quatro pontos de exclamação”, em suas próprias palavras. Com um final tenso e com um óbvio gancho, a série tinha um novo fôlego.


Jornada nas Estrelas VI: A Terra Desconhecida - a despedida dos clássicos (e uma parábola social bem bolada)

Em 1987, Roddenberry lançou uma nova série ligada ao universo: Jornada nas Estrelas: A Nova Geração, onde quase oito décadas depois dos eventos das séries e filmes, o capitão Jean-Luc Picard (Patrick Stewart, o professor Xavier da saga X Men, no papel que o revelou para o grande público) comanda a Enterprise-D no século XXIV, em busca de novos planetas. Mas isso não ameaçou o reinado dos anteriores, que produziram mais dois filmes após seu lançamento: A Última Fronteira e A Terra Desconhecida, o último marcando o retorno de Nicholas Meyer, diretor do segundo capítulo da saga, após os últimos terem sindo dirigidos pelos atores William Shatner e Leonard Nimroy (o eterno vulcano Spock).

Um dos filmes mais elogiados da série, A Última Fronteira mostra Kirk e McCoy indo tentar uma trégua com o povo guerreiro Klingon (de quem Tarantino tirou a citação de Kill Bill “a vingança é um prato que se come frio”), mas o tirânico e imperial povo os acusa de assassinar seu alto chanceler e os mandam para um campo de trabalhos forçados. Não é nenhuma interpretação forçada relacionar o conflito do filme com a Guerra Fria, já que vemos um conflito velado e análogo ao que os EUA e a União Soviética disputaram durante décadas, provando o poder fabulatório da ficção científica.

Esse filme se tornou especial, já que foi o último filme que Roddenberry viu antes de falecer em 1991, mesmo ano de lançamento. O criador do universo, preso a uma cadeira de rodas e a um tanque de oxigênio após uma saúde deteriorada por derrame e diabetes, mostrou-se, mesmo que frágil, apegado: discutiu com o diretor demandando cortes, o que fez Meyer não perceber o estado limítrofe em que se encontrava. Após vir a falecer, Roddenberry foi cremado e foi o primeiro ser humano a receber um funeral espacial. Por trazer a equipe do século XXIII e por ser a última vez que o criador viu seu “filho”, A Terra Desconhecida carrega consigo um tom simultaneamente triste e terno.

Jornada nas Estrelas: Novas Gerações - produto imperfeito com gostinho único (ou ainda: a passagem da tocha!)

Em 1994, Jornada Nas Estrelas: A Nova Geração terminava após sete temporadas. Como encerrar em grande estilo? Simples: iniciando uma nova saga - mas agora nos cinemas! Mas será que a tripulação de Patrick Stewart, Martina Siris, Brent Spiner e LeVar Burton conseguiria o mesmo chamariz que a geração anterior?

Sem Roddenberry, a produtora fez algo que o criador desaprovava: unir as duas gerações, trazendo James T. Kirk de volta dos mortos para ajudar Jean-Luc Picard a deter o cientista insano Soran, interpretado por Malcolm McDowell - uma escalação acertada, haja visto os papéis do mesmo como perturbados perigosos em Laranja Mecânica e Calígula. O filme é marcante pelo encontro entre os capitães (com Shatner achando doloroso chamar o colega de elenco de “capitão da Enterprise”), com a cena onde se conhecem descrita pelos roteiristas como “um aceno ao faroeste”, onde Kirk atua como o pistoleiro aposentado que ajuda o xerife na ativa a combater o crime uma última vez.

Dessa vez, Leonard Nimroy se recusou a participar do filme, alegando que as falas eram insossas demais, bem como George Takei, o Sulu da primeira geração, que não achava que seu personagem merecia ser “rebaixado” de posto apenas para Kirk comandá-lo novamente. As falas de Spock foram para Scotty (James Doohan) e Sulu foi substituído pela filha Demora. Mesmo arriscando ser um “patinho feio”, a passagem de tocha foi suficiente para se tornar o terceiro filme mais lucrativo da franquia até então e garantindo que mais três filmes com a tropa de Picard fossem produzidos.

Jornada nas Estrelas: Primeiro Contato e seus vilões originais em suas semelhanças

Nós somos os Borg. Existência, como vocês conhecem, terminou. Nós iremos adicionar suas distinções biológicas e tecnológicas ao nosso serviço. Resistir é inútil!

Os Borg são organismos cibernéticos que agem como uma “coletividade mental”, que procuram assimilar outras culturas para adicionar suas particularidades vantajosas à sua visão de perfeição. Introduzidos na série Jornada Nas Estrelas: A Nova Geração, apareceram oito vezes, incluindo nos episódios O Melhor de Dois Mundos, considerados os melhores episódios de todas as séries já lançadas. É claro que eles voltaram, tanto na série seguinte, Jornada nas Estrelas: Voyager quanto em um filme, Jornada nas Estrelas: Primeiro Contato.

O novo filme mostra a raça Borg viajando no tempo para prevenir seu primeiro contato com os terráqueos e alterar a história. Picard e seus comandados perseguem os alienígenas para impedí-los, agora liderados por uma rainha que controla os “zangões”, tal qual uma colmeia.

O filme mais caro da série até então satisfez a equipe, que por razões orçamentárias nunca havia conseguido colocar na televisão os Borg como sonhavam. E o resultado ficou tão icônico que até a série seguinte, Voyager, reutilizaria os figurinos e cenários desenvolvidos para o filme. O figurino apertado e olhos prateados das criaturas certamente foram um desafio para a atriz Alice Kriger, que só aguentava ficar caracterizada por poucos minutos. Mas felizmente o resultado se pagou: ainda que seja estranho uma consciência coletiva ter uma rainha, a personagem criada para ser o “computador central” da raça chama atenção em sua imponência. Como resultado, foi por mais de dez anos o filme mais lucrativo da franquia, até ser desbancado pelo reboot de 2009. Uma prova que vilões originais só enriquecem uma produção!

Comentários (10)

CitizenKadu | quinta-feira, 03 de Setembro de 2020 - 09:01

E claro que diferente da série original, como TNG terminou no auge ao estilo Seinfeld, o último episódio é um exemplo de roteiro. E a última cena também é a última frase de Picard na série, um episódio maravilhoso "All the Good Things...". Um dos melhores, se não o melhor final de todos as séries que já vi. Eu choro cada vez que vejo.

CitizenKadu | quinta-feira, 03 de Setembro de 2020 - 09:08

De acordo com Nichelle NIchols, a Uhura, ela tava num evento da NAACP, quando disseram para ela que um fã da série queria falar com ela. Ela achou ser um trekkie. Era Martin Luther King Jr.. Ela disse que queria sair da série, pois não queria ficar como coadjuvante, e por causa de um pedido de King Jr. ela permaneceu. Quando ela contou isso para o Gene Rodenberry ele chorou, segundo ela. Isso reflete muito o que Star Trek representa como uma utopia(Thomas Moore pop- culture). Um japonês na década de 60 como integrante da nave? Em plena Guerra Fria e Vietnã, Rodenberry cria Checkov? O planeta dos Klingons, assim como outros(Borgs, Romulanos ....), sempre refletiam algo problemático na humanidade da vida real. E com TNG esse conceito de Rodenberry se expandiu de maneira hardcore.

CitizenKadu | quinta-feira, 03 de Setembro de 2020 - 09:13

Apesar de eu respeitar muito o talento da escrita de Deep Space Nine, Voyager, e Star Trek:Enterprise( com o "Quantum Leap/Scott Bakula") eles não conseguiram carregar a iconicidade, porque foram se afastando de Rodenberry. Mas o que Patrick Stewart aos 80 anos está fazendo com o novo Picard merece respeito. Eu posso ficar falando aqui sem parar....

CitizenKadu | quinta-feira, 03 de Setembro de 2020 - 09:17

Só queria dizer que ao trazer roteiristas incríveis, a tv americana dos anos 50/60 mudou ao ponto de gerar "outer Limits" e principalmente "Twilight Zone" e "Star Trek".
Pelas reflexões de Star Trek nos anos 60, ela pra mim foi uma das séries mais importantes em nível de reflexão social que iriam gerar: Mary Tyler Moore Show, All in the Family e M.A.S.H. Todos desafiando limites reacionários do patriotismo americano da era Vietnã.

Jules | sábado, 05 de Setembro de 2020 - 01:58

Só passo aqui pra dizer que Star Trek: The Motion Picture é o melhor de todos.

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