Saltar para o conteúdo

Artigos

Os 10 piores vencedores do Oscar de Melhor Filme

Premiações nunca são unanimidade. Algumas vezes elas são contestadas. Por vezes, os derrotados acabam até mesmo superando os premiados em matéria de notoriedade. Pensando nisso, o Cineplayers listou 10 filmes que viajam pela história do Oscar representando as piores seleções em seus 90 anos de história. Confira abaixo.


10. O Artista (2011)

Como ganhou? 
O diretor francês Michel Hazanavicius recebeu uma chuva de prêmios por um filme que reencenava a nostalgia pelo cinema mudo em um ano em que vários outros indicados compartilhavam da nostalgia, como A Invenção de Hugo Cabret e Meia-Noite em Paris. Foram cinco Oscars, onde além de Melhor Filme faturou a estatueta de Melhor Diretor. 

Por que não merecia? 
Assim como aconteceu no recente O Formidável (2017), onde Louis Garrel interpreta o célebre Jean-Luc Godard, seus filmes charmosos e redondinhos são facilmente esquecíveis após desmanchar o encanto do charme inicial. Fazer um filme preto-e-branco e mudo ganhar o Oscar pode parecer ousado, mas a verdade é que vencedor foi talvez o filme mais inofensivo e conformista da seleção

Quem poderia ter ganho? 
A Árvore da Vida marcou a volta de Terence Malick às telas em um filme evocativo, lento e reflexivo que impressionou e ainda impressiona muitos espectadores. Ou Meia-Noite em Paris, que também provou ter vida mais longa entre os espectadores e injetou novo fôlego na carreira de Woody Allen.


09. Spotlight - Segredos Revelados (2015)

Como ganhou? 
Até 2015, o maior destaque na carreira de Tom McCarthy havia sido como um dos roteiristas de Up - Altas Aventuras (2009), celebrado filme da Pixar. Reunindo um elenco afiado, com nomes como Rachel McAdams, Mark Ruffalo e Michael Keaton, o diretor faturou as estatuetas de Melhor Filme e Melhor Roteiro na condução de um filme-denúncia sobre a Igreja Católica e o acobertamento de abusos sexuais de crianças. 
 
Por que não merecia? 
Spotlight faz parte de uma certa tradição no Oscar: nem sempre o melhor filme ganha, mas sim aquele com o tema mais socialmente relevante. A própria premiação não confia muito no taco do filme: foi um dos vencedores do prêmio principal com menos premiações da história. É um filme-denúncia correto, com boas atuações, mas nada marcante; praticamente um primo pobre de Todos os Homens do Presidente

Quem poderia ter ganho? 
O Oscar daquele ano teve dois vencedores morais: primeiro, O Regresso, vencedor de três prêmios e que apesar dos problemas de ritmo transborda ambição. Já o verdadeiro campeão da noite foi mesmo Mad Max: Estrada da Fúria, que ganhou seis entre dez indicações e marcou o retorno de George Miller ao frenético universo pós-apocalíptico que o consagrou e entrou nos anais da história do cinema de ação.


08. Entre Dois Amores (1986)

Como ganhou? 
Produtor, diretor e ator, Sydney Pollack é uma figura interessantíssima do cinema americano. Dirigiu filmes ousados durante a explosão da Nova Hollywood e cravou um clássico popular na comédia dramática Tootsie. Alguns anos depois, fez o drama Entre Dois Amores, inspirado na vida da escritora Karen Blixen, seu casamento tortuoso, suas paixão extraconjugal avassaladora e sua vida trágica ao tentar abrir um cafezal no Quênia.

Por que não merecia? 
Um caso muito comum na Academia, Entre dois Amores é o tipo de filme que ganhou má reputação por vencer outras obras mais celebradas. No mais, é aquela típica produção luxuosa, com a clássica e emocional trilha de John Barry, a cenografia e fotografia carregadas de detalhes, atuações de peso (Meryl Streep e Robert Redford nos papéis principais) e pesadas 2 horas e 40 de duração.

Quem poderia ter ganho? 
Entre Dois Amores “culpado” de “roubar” o drama de Spielberg sobre racismo A Cor Púrpura, que teve 11 indicações e não levou nenhuma. Tornando-se injustamente o “cavalo paraguaio” daquela edição, revelou-se muito mais memorável que a obra de Pollack. Para não dizer do drama de prisão O Beijo da Mulher Aranha, a comédia de máfia A Honra do Poderoso Prizzi e o suspense A Testemunha, todos ironicamente mais interessantes e relembrados que o vencedor.


07. Carruagens de Fogo (1982)

Como ganhou? 
Em seu segundo longa-metragem, Hugh Hudson conquistou melhor filme, roteiro, figurino e trilha sonora em um filme que narra a preparação da equipe britânica para os Jogos Olímpicos de Paris em 1924, abordando assuntos pessoais como fé e ascensão social em um filme que acabaria sendo listado como um dos maiores filmes britânicos de todos os tempos.

Por que não merecia? 
Porque é um filme completamente esquecível que basicamente o único mérito reside em ter a trilha sonora de Vangelis sendo usada como o hino oficial da maratona. Um filme básico de superação que não dá para entender como lucrou de vezes o orçamento e ganhou Oscar, Globo de Ouro e BAFTA. Tirando a música, de nada se lembra.

Quem poderia ter ganho? 
Naquele ano, Warren Beatty lançou o filme mais bem renomado da sua carreira, Reds, sobre a participação do jornalista John Reed na cobertura da Revolução Russa. Para não dizer do mais clássico dos indicados, Os Caçadores da Arca Perdida. Mas para o azar de Spielberg, a Academia adora dar argumentos para a acusação comum que filme de gênero dificilmente conquista um carequinha dourado.


06. A Volta ao Mundo em 80 Dias (1956)

Como ganhou? 
Em 1957 o prêmio principal foi para a adaptação do clássico romance de Júlio Verne, com várias participações estelares (Marlene Dietrich, Frank Sinatra, Joe E. Brown) e um elenco liderado por dois nomes de grande apreço pelos cinéfilos: o prolífico David Niven, o hilário cômico mexicano Cantinflas e a eterna Shirley McLane. Também ganhou por Fotografia, Edição, Trilha Sonora e Roteiro.

Por que não merecia? 
Foi uma das premiações mais contestadas da sua época, o que abalou bastante a imagem do filme. A superprodução nada acrescenta ao romance de Júlio Verne, com as três horas arrastando-se quase sem conflito e ancoradas basicamente nos visuais impressionantes das locações e as participações especiais.

Quem poderia ter ganho? 
Dois filmes que disputavam são clássicos muito mais assistidos, lembrados e venerados: a adaptação bíblica Os Dez Mandamentos, dirigida por Cecil B. DeMille com Charlton Heston eternizado no papel de Moisés, e Assim Caminha a Humanidade, último filme de James Dean e que, indicado a 10 prêmios, levou apenas o de direção para George Stevens.


05. Shakespeare Apaixonado (1998)

Como ganhou? 
A septuagésima primeira edição do Oscar honrou dessa vez Shakespeare Apaixonado, a história do bardo de Shakespeare, seu bloqueio criativo e o amor proibido que o inspiraria a escrever Romeu e Julieta. Um filme de fã que rendeu 7 prêmios, principalmente os mais artísticos.

Por que não merecia? 
Grande parte dos principais prêmios vencidos por Shakespeare Apaixonado são considerados um exagero. O filme meloso de John Madden ainda é considerado um grande “ladrão” de Oscar, inclusive dos brasileiros: Gwyneth Paltrow venceu em cima de Fernanda Montenegro, indicada por Central do Brasil. Talvez em retaliação vários ícones do cinema nacional se juntariam para tirar uma casquinha na clássica redublagem O Destino de Miguel, que você pode ver aqui. 

Quem poderia ter ganho? 
Praticamente todos os filmes que Shakespeare Apaixonado venceu são considerados clássicos do cinema, enquanto o mérito do filme é sua chuva de prêmios. O Resgate do Soldado Ryan entrou para a história desde a primeira cena. No mesmo tema, também tinha o contemplativo Além da Linha Vermelha, e o drama de Holocausto A Vida é Bela, que ao menos faturou Melhor Filme em Língua Estrangeira. De novo o medo de confrontação: frente a três icônicos filmes históricos, “tiraram da reta” e premiaram a fanfic.


04. Conduzindo Miss Daisy (1990)

Como ganhou? 
Ambientado na época em que o ativista Martin Luther King fez sua fama e avançou a luta pelos direitos civis, Conduzindo Miss Daisy tenta demonstrar como essas mudanças afetaram a vida das pessoas comuns ao mostrar a história de um chofer negro que passa a dirigir para uma orgulhosa senhora judia de 72 anos. A adaptação da peça teatral de Alfred Uhry ganhou quatro prêmios.

Por que não merecia?
É o tipo de filme tão leve que a sensação mais óbvia é que falta peso. Quando tenta, soa artificial, forçado, improvisado de última hora. O comentário sobre a época certamente vale como curiosidade, mas nem de longe é um grande filme, desprovido de maiores méritos além das atuações de Morgan Freeman e Jessica Tandy.

Quem poderia ter ganho?
Dessa vez é difícil. Boa parte dos indicados aquele ano apelavam para o sentimentalismo -  além do vencedor, também entram no rol Sociedade dos Poetas Mortos, Nascido em 4 de Julho e Meu Pé Esquerdo. A impressão de que era um ano de dramas melosos se desmancha lembrando de filmes como Batman, Harry & Sally - Feitos Um Para o Outro, Crimes e Pecados, Indiana Jones e a Última Cruzada, De Volta Para o Futuro 2, Sexo, Mentiras e Videotape, Faça a Coisa Certa… Nem de longe o Oscar de 1990 representou o que de melhor foi feito em 1989. Mas se formos falar só dos vencedores/indicados, o clássico drama Cinema Paradiso, que ganhou Melhor Filme em Língua Estrangeira, é mais filme que os cinco indicados juntos.


03. O Maior Espetáculo da Terra (1953)

Como ganhou? 
A lenda Cecil B. DeMille dirigiu inúmeros clássicos do cinema, mudo e falado, preto-e-branco ou a cores: O Rei dos Reis, Cleópatra, Sansão e Dalila e Os Dez Mandamentos. Já no final de sua carreira, um dos fundadores da Academia ganhou da mesma o prêmio por O Maior Espetáculo da Terra, com Charlton Heston como um empresário tentando recuperar o público do seu circo.

Por que não merecia?  
Duas horas e meia que bem poderiam ser uma hora e quarenta tranquilamente. Seus filmes eram um espetáculo técnico, com milhares de detalhes, figurantes, cenários… E muitas vezes parava aí. Não é exatamente um filme que diz ao que veio, ou com um conflito envolvente. Mas sem dúvida tem seus momentos de beleza aqui e ali.

Quem poderia ter ganho? 
Depois do Vendaval divide opiniões, mas conquistou a Melhor Direção para John Ford e Fotografia. Mas o filme da competição que entrou para a história foi Matar ou Morrer, de Fred Zinnemann. O xerife abandonado por seu povo e a história narrada quase em tempo real consagraram-se como um dos grandes faroestes já feitos.


02. Crash - No Limite (2006)

Como ganhou? 
Crash foi o segundo filme que Paul Haggis dirigiu, fazendo seu nome na indústria através de roteiros para Clint Eastwood e a co-criação do seriado de Chuck Norris Walker, Texas Ranger. Crash - No Limite usou o recurso de múltiplas histórias para falar sobre preconceito, reuniu um time de peso (Don Cheadle, Matt Dillon, Sandra Bullock, Thandie Newton, entre outros) e saiu com três estatuetas, incluindo a principal.

Por que não mereceu? 
A vitória de Crash - No Limite gerou polêmica no momento que foi anunciada. Dramalhão exagerado de marca maior com diálogos artificiais, o filme de Haggis era o patinho feio da premiação. Depois do prêmio, Haggis ainda escreveria a dobradinha de Iwo Jima para Clint Eastwood e partiria de vez para a ação, assinando roteiros da série 007 e da franquia de jogos Call of Duty.

Quem poderia ter ganho? 
Em resumo: qualquer um que não Crash - No Limite. Capote carregava consigo a melhor atuação de Philip Seymour Hoffman. Munique era Spielberg fazendo um drama sombrio, violento e nada sentimental. Boa Noite e Boa Sorte era corajosamente desapaixonado e anticlimático para falar de perseguição política. E O Segredo de Brokeback Mountain, tido como o vencedor, entrou para a história como um dos dramas mais bonitos e doídos do cinema recente.


01. Quem Quer Ser Um Milionário? (2008)

Como ganhou? 
Um ano após uma das edições mais concorridas do Oscar, o cineasta inglês Danny Boyle, que já tinha certa fama pelo cultuado filme sobre drogas Trainspotting e o utraviolento filme de zumbis Extermínio, sua homenagem a Bollywood Quem Quer Ser Um Milionário ganhou nada menos que 8 prêmios, inclusive Melhor Filme e Melhor Direção.

Por que não merecia? 
Quem Quer Ser Um Milionário? ganhou a mesma quantidade de prêmios que …E o Vento Levou, Amadeus e Sindicato de Ladrões. E a obra não tem a mesma notoriedade de nenhum deles. Quase uma década após a chuva de prêmios, não é nem ao menos comentado. Pudera: a miséria é estilizada ao máximo, envernizando uma história previsível e unidimensional à lá soap opera. Se queriam reconhecer o cinema indiano, bem que poderiam ter premiado as obras de Satyajit Ray ao invés de esperar um olhar estrangeiro no limite do fetichismo. 

Quem poderia ter ganho? 
Wall-E, se animações tivessem direito de ganhar fora da animação, ou Batman - O Cavaleiro das Trevas, se filmes de gênero pudessem ganhar prêmios que não técnicos. Dentre os indicados, Milk - A Voz da Igualdade mostra um Gus Van Sant mais convencional, porém sóbrio e comovente, e Frost/Nixon mostra Ron Howard dirigindo um tenso filme político no limite do suspense. Talvez o tempo seja mesmo o melhor prêmio, porque o que existe de filme esnobado mais relevante que os vencedores não está no gibi. 2009 foi só mais um caso.

Comentários (27)

Bernardo D.I. Brum | terça-feira, 30 de Janeiro de 2018 - 01:56

Ganhou oito prêmios na competição normal. Os outros 2 foram um prêmio técnico e um honorário.

Igor Guimarães Vasconcellos | quinta-feira, 01 de Fevereiro de 2018 - 11:32

o oscar,claramente, nao está preocupado com a justiça e a qualidade. nem sei pq ainda se discute isso

Aaron Delladona | sábado, 03 de Fevereiro de 2018 - 14:49

Provavelmente "The shape of water" vai aparecer em alguma lista parecida daqui alguns anos... E concordo com alguns comentários abaixo: Argo e o Discurso do Rei foram extremamente superestimados... Mas a lista ficou ótima btw, vlw

Rose Maioli | sexta-feira, 09 de Fevereiro de 2018 - 23:08

Nossa eu amei Frost/Nixon, daria a estatueta para ele fácil!

Faça login para comentar.