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Críticas

Cineplayers

Copie/cole do épico macho vem pra aplacar a sede dos garotinhos de mais de 30 anos.

4,0

O que dizer ou esperar da continuação bem tardia (para os padrões hollywoodianos) de uma superprodução que ressuscitou um gênero, que investe praticamente nas mesmas tintas (de CGI)? Todos estão carecas de saber que há exatos oito anos Rodrigo Santoro estrelava um inesperado sucesso que traria de volta um estilo de filme semi extinto, o épico de capa e sandália baseado na graphic novel de Frank Miller, 300 (idem, 2007). Na pele do literalmente gigantesco vilão Xerxes, nosso galã se viu nos holofotes de um filme que rendeu mais de 200 milhões de dólares somente em casa (no mundo todo foram quase 500 milhões). Gerard Butler virou um astro, Lena Headey hoje brilha em Game of Thrones e o resto é história. Mas por que diabos fazer uma continuação agora, quando todos já dilapidaram o gênero novamente com produções toscas e repetitivas, rendendo inclusive uma sátira?

Porque apenas uma língua é falada nos corredores de Hollywood: o 'dinheirês'. E as possibilidades de voltar a faturar muito ultrapassam lógica e discernimento. Ah, todos os mocinhos do anterior morreram? Que diferença faz? Logo Frank Miller teve a ideia de novo texto onde acontecimentos paralelos aos do levante espartano contra o Deus persa levariam Zack Snyder e sua trupe de volta à Grécia antiga, dessa vez com foco em Atenas.

De novidade, o filme mostra o nascimento de Xerxes como Deus, com direito a Santoro cabeludo e barbudo no início (que no entanto influencia bem menos a trama em relação ao primeiro) e o deslocamento da ação da terra para o mar, justificada pelas qualidades marítimas dos atenienses, que partem na cruzada contra a esquadra liderada por uma maquiavélica Artemísia, espécie de braço direito do pai assassinado de Xerxes, vivida pela bela Eva Green. Tirando esses dois aspectos, estamos diante do mesmo 300 de antes, como se a franquia já fosse longa e nenhuma atualização aparente fosse necessária, apenas um 'copie/cole' com fundo de tela diferente e uma senhora cena de sexo no recheio.

O mocinho da vez é o australiano Sullivan Stapleton (cujo currículo inclui o fabuloso Reino Animal [Animal Kingdom, 2010]) e percebemos principalmente por ele que já não houve retoque computadorizado nos tanquinhos dos rapazes, que tanta piada rendeu no primeiro. Já o sangue digital continua batendo ponto em proporções garrafais e as lutas continuam atraindo os meninos que forem buscar escapismo barato e nem liga pra coisas bobas como roteiro e direção. Detalhe: citei o "comandante visionário" (como esse título da Warner é divertido) Snyder ainda agora mas lógico que ele não voltaria a assinar uma continuação de 300, metido como só. Então ele entregou todas marcações de cena, storyboards e uma cópia do primeiro pro pau mandado Noam Murro (vejam, só Hollywood nos proporciona a delicia de ver paus mandados terem paus mandados) pra fazer o serviço, e ele assinou roteiro e colocou o nome na produção. Afinal, se o que interessa aqui é o dinheiro, como Snyder perderia a chance de ganhar?

Se você é fã do primeiro, esqueça a rabugice e corra pro cinema. O seu "filme do ano" está te esperando.

Comentários (33)

Milena Froes | segunda-feira, 17 de Março de 2014 - 01:09 | Responder

Filme sem final, deu a entender que vai ter um terceiro... ¬¬\'

Cristian Oliveira Bruno | terça-feira, 17 de Junho de 2014 - 01:13 | Responder

"Anderson faz filmes direto ao ponto, sem firulas, e tem um domínio geográfico da ação que me empolga muito mais do que as pomposidades do Snyder". Cara, na boa, os dois são fraquíssimos.

MARCO ANTONIO ZANLORENSI | terça-feira, 22 de Julho de 2014 - 16:15 | Responder

Como eu sempre digo nos jogos de game, esse filme fede de ruim, pegaram uns caras pra ficar com cara de pagão, onde a guerra a luta é uma aventura boba como fazer uma trilha, sofrível em todos os aspectos, o Xerxes não serve pra nada na trama, a mulher que repudia gregos faz a tal "senhora cena de sexo com um grego". A cena da água onde os navios gregos destroem os persas, sério parecia que tinha marionetes empurrando os barquinhos gregos, num mar revolto eu consigo fazer do meu navio um beija flor que vai e volta ao meu comando, não gostei, NÃO RECOMENDO!

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