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Abaixo de Zero

(Bajocero, 2021)
6,6
Média
12 votos
?
Sua nota

Críticas

Cineplayers

Felizmente, filme não é gelado como o seu título brasileiro

6,0

Confesso que o prognóstico para uma obra como Abaixo de Zero é dos piores: tem todo aquele tom genérico de filme de Video On Demand, produzido para preencher catálogo, e com um roteiro esquemático que serve para distrair os espectadores enquanto estes acompanham o desenrolar de uma história previsível e fácil de mastigar, ao mesmo tempo que scrollam a rede social em seus smart phones. [Uma pausa aqui: se fosse ler um prognóstico como esse 20 anos atrás, não entenderia nada ou acharia que o redator estivesse caduco.]

Bem, no final das contas, é mais do que isso…

O ator espanhol Javier Gutiérrez já é super popular entre os espectadores da plataforma Netflix, ele está em filmes como A Casa, Durante a Tormenta e O Autor. E sua presença conhecida vai dando força e integridade a uma história que começa bem fraca – de fato, coincidindo com o prognóstico. Mas o diretor e roteirista Lluís Quílez não escorrega e vai adicionando elementos que enriquecem a narrativa. Vai dando profundidade ao Martin do ator, e passeando entre os clichês dos filmes de prisão sem receio, sabendo que o melhor está por vir.

E, de fato, Abaixo de Zero é bastante competente ao utilizar bem sua ambientação (uma noite gelada no inverno) e temática (filme de prisão, ou filme de presidiários) para criar algumas cenas que funcionam muito bem dentro de seu gênero, e vão dando tons de cinza aos mocinhos e bandidos, que acabam ganhando certa humanidade (bom, pelo menos parte deles) e fugindo do estereótipo de “bons” e “maus”. Há, todavia, cenas que poderiam muito bem ficar fora do corte final sem perdas para a obra (como exemplo, uma espécie de “ressureição” de certo personagem) e outras com excessos dramáticos e que não fariam sentido no mundo real. Mas é Cinema, não é a vida real, certo?

Além da boa ambientação, o aspecto moral de alguns dos personagens favorece o resultado da obra e a deixa à parte da maioria do seu gênero. Como comentado, somos apresentados a um cenário e variáveis bem simplistas no primeiro ato da obra – o mais fraco de longe – mas, após algumas cenas-chave e reviravoltas, são criados conflitos ricos e as ações e decisões dos personagens tornam-se ambiguas, onde bandidos devem realizar atos heróicos e mocinhos devem sair da sua bolha de moralidade para que ambos sobrevivam. Em resumo: a obra apresenta elementos suficientes para atrair e manter a atenção total desse redator que vos escreve (e acredito que de boa parte do público também), o que, convenhamos, no modelo de catálogo da Netflix, assolado por mais quantidade do que qualidade, mostra-se um certo diferencial.

O mote desta crítica poderia muito bem “o prognóstico que saiu pela culatra” ou, ainda, “não julgue o conteúdo pela capa”. E depois de assistir a milhares de filmes na vida, é bom ver que isso ainda pode acontecer. Mas é só isso também: uma pretensa bomba que se mostrou um suspense razoável, certamente acima da média.

Comentários (1)

Alan Nina | quarta-feira, 10 de Fevereiro de 2021 - 10:24

Boa crítica, embora eu tenha gostado do ato inicial, pois achei que houve certo compasso em apresentar os personagens, o que facilitou o desenrolar da trama. Não gostei foram dos absurdos e concessões do roteiro, mas daí já tava envolvido e desliguei o cérebro pra curtir a experiência.

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