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Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)

(Birdman or (The Unexpected Virtue of Ignorance), 2014)
7,9
Média
721 votos
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Sua nota

Críticas

Cineplayers

Birdman e/ou a não-surpreendente masturbação retórica oportunista farrística-academicista

8,5

Alejandro González Iñárritu explicita bem suas intenções desde o começo da obra. Decodificar um dos grandes problemas, um dos quais ele acredita e acusa, no cinema americano contemporâneo: a falta de alma. Uma porra. Mas tudo bem. Não existe nenhuma espécie de oportunismo neste momentum? Na concatenação e lançamento oportuno que houvesse uma preferência para uma obra desta envergadura açambarcada com esta temática? Ou somente é pura coincidência a hipocrisia da academia em escrachar os filmes de super-heróis e o Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) ser o porta voz disto tudo através do sarro (em excelente forma por sinal)?

Espertamente o diretor cerca-se de uma variedade de artífices preponderantes e partícipes do cinema comercial americano, alguns premiados pelo sistema e outros tantos vindos de blockbusters, como algo de praxe em suas concatenações de carreira. Como se tudo isso fosse um vômito do que há de mais podre no cinema comercial e este filme seria um grito de vômito engasgado de grande parte deles. Um grito de liberdade artística... Aí dentro. A fita funciona como um grande esculhambo ao cinema indústria, mesmo que este tenha criado e financiado não somente grande parte do apuro tecnológico usado em Birdman, mas bancado outros tantos filmes auto-alcunhados de contemporâneos cult-bacaninhas dos não-caralhinhos voadores. Um esculhambo auto-consciente. 

Iñárritu é um oportunista pilantroso, que da sua zona de conforto, sabendo como a banda toca nos afazeres da academia, traz um material à tona capaz de chamar a atenção de forma crítica ao mainstream hollywoodiano. Por mais irônico que isso possa parecer, pela questão acerca dos meandros de financiamento. Mas ele aproveita a onda e aplica o seu material de forma competente, confiante e constantemente divertida. Que se torna o primordial de bom no longa. A diversão da putaria sarcástica. A bagaceiragem exposta. Uma espécie de mea culpa fajuto? Não. Somente um abraço na farra farsesca que a academia escolhe politicamente de tempos em tempos e resolve escolher pra enaltecer um tipo de cinema como simulacro de cosmopolitismo. Não engana a muitos, porém continua com seus afazeres escrotos.

A surfada nesta onda de presepadas nos brinda com uma putaria divertida nas mãos de figuras como Michael Keaton bicho-grilo-avoante, Edward Norton entre outros. Sempre cuspidores de avacalhos de obras similares das que participaram. Estes dois fizeram Batman (1989) e Incrível Hulk (The Incredible Hulk, 2008) só pra lembrar dalguns trabalhos, Keaton inclusive a posteriori ainda faria mais um avoante em Homem Aranha De Volta ao Lar (Spider-Man: Homecoming, 2017), na pele do vilão abutre, ou seja, se é pra frescar, vamos continuar frescando. Isto não é um alienígena cinematográfico de ineditismo explícito, mas, sim um esquema esperto e estratégico de auto-fuleiragem permissiva do cinema. A hipocrisia parte da academia e sua empáfia de querer ditar ritmos? Uma porra. Os filmes donos das salas de cinemas bancam a indústria. A academia só faz uma crítica a si no brinca. Simulacro galera. Iñárritu aproveita o embalo e empurra o pau.

Birdman fornece maracutaias.

Tecnicamente malabarístico em seus planos-sequências complexos compostos com uma estupenda fotografia de Emmanuel Lubezki, que traz a tonalidade certa pela profusão esculhambatória proposta além de fornecer a trucagem malaca nos cortes, onde o perambular dos seus já famosos planos-sequências simulam a percepção da loucura teatral por trás dos panos. O funcionar dos bastidores e toda sua putaria, o que deixa tudo mais divertido por meter o teatro grossamente na comédia. Quebras na quarta parede como figurações estéticas, brincadeiras com o diegético e o não-diegético da trilha incidente minimalista também fazem parte do esquema. Ainda temos a vagabundagem temática chorosa na emoção na ludicidade final. Farra pura. Estes malabarismos funcionam, ironicamente, como pontos de masturbação, tal qual como efeitos visuais de um filme de quadrinhos. Bagaceiragem. Iñárritu pilantroso mesmo. Oportunista sorridente. Joia.

Logicamente há espaço para a vertente farsesca da tal verdadeira arte. Uma bosta este termo. Como se o cinema necessitasse de uma solução, como se estivesse em coma, ou no esquecimento, tal qual o Birdman. E esta solução viria de uma espécie de teatro incólume e icônico que personificasse o crème de la crème do que significa a constituição de uma obra de arte. Um local dos grandes artistas? Despidos de preconceitos e amarras... Não tem presepada no teatro? Só existe o cultuado contemporâneo realístico? Invocada esta percepção a ser concatenada com os atores da indústria, frutos do teatro das técnicas adquiridas em metodologias históricas de figuras tais quais Constantin Stanislavski e Bertolt Brecht. Nos questionamentos e figurações da montagem da peça, que é um resgate na base da piada, que o filme funciona e cresce. Um misto de arrogância com sarcasmo. A figura da crítica de teatro representando toda parcela de uma raça escrota, não somente do teatro, onde alguns destes cidadãos se imbuem dos crivos de apontamentos do que deve ser visto ou não. Com aquela marota parcela de arrogância e ares de superioridade que tanto se masturbam sobre. Escolhendo aquela tendência a ser esquecida. Fodam-se. Boyhood (2014) é uma porcaria que deve ser vista e não deixa de ser arte. Mesmo sendo uma merda arrogante, pedante que trata o espectador como um imbecil desmembrado. Aqui um abuso pessoal meu sobre esta grande bobagem de 2014.

A dialética esculhambatória de Iñárritu causa interesse.

Este filme é pautado por um processo cult-bacaninha-metido a revolucionário que aceita-se bem como uma diversão baseada numa curtição não nova. Porra, John Waters já avacalha o cinemão americano desde os anos 70, John Carpenter desde os 80. Estes dois ainda produziram pérolas execradas pela alcunhada crítica especializada. Waters faria Cecil Bem Demente (Cecil B. DeMented, 2000), e Carpenter cometeria a obra-prima Fuga de Los Angeles (Escape From L.A., 1996) com uma farra orçamentária de 60 milhões só pela pura putaria com uma tiração de onda de sacanagem com a indústria e com a moral conservadora yankee. Sem esquecer de citar material tupiniquim nos mateiros de florestas urbanas brasileiras escrotas em Bandido da Luz Vermelha (1968) do Rogério Sganzerla e Bang Bang (1971) de Andrea Tonacci, filme com crítica marota minha bem aqui (A avacalhação metódica marginalíssima de Bang Banganimais. Os avacalhos destes últimos 2 materias fenomenológicos imbuem-se de um estraçalhamento além da questão narrativa de cinema até. Usam da linguagem em favor de seu discurso de contraste social, tudo na farra. Birdman é uma obra bacana que diverte. Revolucionária? Não, longe disso. Oportunista e esperta pra caralho. Arrogante e hipócrita por vezes, mas funciona perfeitamente nisso. Tratar o filme como revolução crítica de um novo acordar é uma puta palhaçada, tanto que este pesnamento fizera alguma monta somente a época de seu lançamento por alguns gatos pingados. Não conseguira seu intento, caso tenha sido este (duvido), talvez por parte daquela academia não-farreabunda em suas premiações e na demagogia oscarizante. Nosso diretor nem reclamou e ainda soltou um comentário sobre imigrantes em seu discurso de posse da premiação (oscar) naquela oportunidade. O que sobra dessa onda de presepeiros do cinema moderno? Um filme curioso, malabaristicamente sagaz e divertido.

O que ainda permanece é um mote vicioso de academio – que se retorce em se chamar de altamente progressista – que se rebola, se terme, mas não se solta do seu conservadorismo histórico, vivendo disfarces aqui e ali pra promulgar o seu tipo de material. Defende o seu rabo querendo arrombar outros. Como sempre.

Este é um filme de mala. O pilantra que joga a arma no jardim quando a polícia passa procurando, mas um malaca com grana, que não é usuário de crack pobre lascado, só vai na cocaína purinha do playboy. Possui grandes advogados, não é um pé-rapado. Um escroto com balas nos bolsos e amigos nas altas rodas das estirpes brancas não-transgressoras que o deixam dançar e saracotear sua fuleragem enquanto muitos acreditam que uma nova fase do cinema vem aí. Deixa o cara frescar. Viçar... Os grandes estúdios nem reclamam, claro, eles financiam a brincadeira. Os vampiros-fadas, os feiticeiros juvenis, os robôs gigantes e os heróis de collant colorido continuam sapateando nas verdinhas. Novamente Michael Bay só gargalha.

Material escrito nas curtições de 17/12/2015. Agora devidamente apreciado para a multidão.

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