Saltar para o conteúdo

Boyhood: Da Infância à Juventude

(Boyhood, 2014)
8,2
Média
613 votos
?
Sua nota

Críticas

Cineplayers

A Besteirolândia Classemedista do Choramingo

1,0

Pela terceira vez contemplo o cinema do Richard Linklater. A trilogia romântica dele desconheço (e assim permanecerei), assisti e me diverti razoavelmente com Escola de Rock (School of Rock, 2003) e achei Homem Duplo (A Scanner Darkly, 2006) intrigante pelo formato e um porre como narrativa. Algo que agora  (isto escrito em janeiro de 2015) faz estes materiais anteriores parecerem grandes obras primas diante deste Bostahood, opa, Boyhood. Ainda mais diante dos experimentalismos masturbatórios caladinhos para com as temporalidades propostas pelo diretor. O filme visa descortinar toda uma gama de situações vividas por uma família de classe média americana. Suas desilusões, seus acertos e erros, seus choramingos... Isto tudo partindo do viés e visão dum garoto que percorre sua vivência em narrativa pelos já tão falados 12 anos de processo filmado. Algo que Linklater (peidando mais podre do que nunca aqui) ambicionava transportar uma convivência familiar através duma passagem pelos anos, considerados tão dificultosos por alguns. Da infância à juventude, como é dito no título. Os mais problemáticos (será?), onde o aprendizado de tudo a sua volta vai se transformando e moldando sua personalidade de forma atroz ou não.

O resultado de todo este processo ambicioso? Uma puta besteirada. E de quase 3 horas. Um embuste sem tamanho. Linklater usa dos mais variados artifícios vagos para amenizar tudo o que propõe, desde a trilha sonora espertinha (boa em determinadas partes até), aos dramas forçados e chorosos da mamãe, por exemplo. Marréclaro que alguns dirão que "a vida é um clichê", e que isto seria a vida na tela. Nada mais nada menos que uma desculpa esfarrapada como um simulacro de isenção para defender um roteiro extremamente rasteiro que resvala no óbvio sempre. E usa isso como desculpa de que a vida é cheia de banalidades, simplesmente porque não consegue fomentar uma coerência narrativa mínima. Mas, tem um lance... E se a ideia a vera era pra ser ruim pra cacete? Chato... Modorrento... Aí tem discussão. Neste troço, diante da família que vemos na tela, há a concordância de nostromos aqui que a vida é cheia de frivolidades, e muitas, mas muitas frescuras mesmo. Um cinema lotado de frescuragens.

E o velho Ted anos atrás o que disse (inventei esta em 2015)? Não estou nem entrando tanto na seara de que minha experiência no mesmo período fora diferente. Faz parte isso na minha crítica? Sim. É difícil um distanciamento quando se faz uma crítica sobre um filme. Qualquer um que aborde majoritariamente o crescimento de um jovem, período que ainda me é próximo (em 2021 nem tanto), independentemente da frescura vai causar algum efeito... Mentira. Frescura demais. Como a maioria que comentara sobre o filme neste e em outros sites (avaliação de 2014/2015), o filme nos faz compor algumas comparações sim, porém isso só me ajudou a vê-lo como uma bobagem superficial que aborda probleminhas da classe média americana chorosa e necessitada de atenção. A forçada de barra pra juntar tudo isso e angariar seu público chegar a ser descarada e risível. Um mantra de choro de “vamos nos abraçar coletivamente, que o mundo tem que ser lindo”. 

Classe média americana. Esta mostrada da forma mais genérica, imbecil e superficial possível. Porra se fosse uma crítica da parte de Linklater acerca das obviedades frívolas (conjuntura redundante proposital minha), nas quais a classe média dá tão idiota importância às mais variadas coisas inúteis, tudo poderia ser mais interessante ao menos. No mínimo. Não escapa nem a repetição medíocre da comemoração do fim do ensino médio e a entrada do garoto nno ensino superior, isto sem que esqueçamos o choro da mamãe por conta disso. Os filhinhos indo pra faculdade. Porra não tinha uma coisinha mais original não? A conversa mole da vida como ela é? De novo? Com a câmera filmando a mãe em drama e tal. É isso? Só isso?

Aqui vejo uma ode a futilidade às ditas dificuldades absurdas pelas quais a classe média, no auge da pseudo-credibilidade auto-importante, perpassa e transporta. Haja paciência pra este troço (paciência mesmo já que são quase 3 horas desse besteirol choroso). Se a ideia de Linklater foi deixar o espectador entediado com uma vida melancólica e banal e sem emoção alguma, na qual o expectador mesmo fica tão entediado com o que vê, aí ele teria conseguido alguns fãs. Pois minha constatação foi exatamente essa.

Neste momento o filme me pegou. Sendo ruim e chato que nem a vida e com a falta de necessidade de existir, mas vendendo ares de filme geracional... Uma estória de merda a ser contada. Os medíocres merecem espaço. Né não? No fim somos bostas chorões apenas? Rumbora chorar junto? AÍ DENTRO.

Linklater expõe todos estes problemas de forma dialética, como se tudo fosse trivial pelas repetições nas vidas de muitos, mas mantém o tom de auto-importância (novamente) de como tudo aquilo interfere no caráter do personagem principal songa monga. Olha aí um dos segredos espertos desse embuste. Sempre o esquema de choro propositado e justificado pela “herança da vida”, como se a suposta originalidade proposta fosse algo mais que ordinária. Não é. É choro. Drama apropriado pela falta de tesão. O choro é sempre vazio.

Personagens. Ethan Hawke como o pai (ausente, mas descolado, pra variar na criatividade, mas ok nisso) tem boa atuação, ainda mais mediante o processo utilizado por seu diretor, e compõe bem seu personagem. O melhor do longa - isto ocorre porque a personagem de sua filha é anulada com o passar dos anos, era ela que causava algum interesse até então. Até o discurso machista do pai ao fim achei autêntico (um tanto repetitivo, pra variar, mas não tão canhestro como quase todo o resto, combina com o personagem), isto sem entrar no contexto do que é correto ou não (aqui eu estava numa época cheia de dedos pra afirmar que o discurso machista do cara combinava com o personagem e era bom exatamente por isso), honesto ao menos o fora. Mesmo assim, nada de grandes absurdos qualitativos novamente. O tratamento unilateral dado às mulheres no filme. A irmã que de melhor personagem no início do filme vira uma muda tapada assim como seu irmão, como se todo adolescente por obrigação metodológica fosse problemático, idiota e melancólico. A mãe. Patricia Arquete está bem no papel. Forte e densa, em uma das melhores atuações de sua carreira. O problema é o machismo torpe em que a personagem é construída (uma marmota). O lugar-comum absurdo e burro da mulher que não vive sem macho, isso nem por pouco tempo. E ainda tem outro clichê em cima, o do marido e padrasto bêbado (aliás, isso é reprisado, são 2 os bebuns). Porra o filme abusa desses, e de tantos outros. Alopra nos mais variados chavões pra justificar as banalidades da vida. Mulheres apanham, homens bebem, merdas acontecem. Isso é só preguiça. Uma puta enganação.

Agora Ellar Coltrane recebera o papel mais difícil. Toda a trajetória em cima dele. Essa figura faz o que pode, mas é quase tão apagado quanto seu personagem imbecil. Um adolescente chorão e melancólico. Porra, até a fase emo o cara teve. Linklater se aproveita destes rótulos pra aplacar o coração de sua plateia, angariando fãs que fizeram parte dessa fase, de forma genérica. Idiotice pura. Outro bordão. Isto sem falar no avô ensinando o garoto a atirar, o anseio do jovem de ter um carro também é citado. Sim e alguma coisa nova? Uma novidade que seja além de querer usar as muletas do método e a já citada obviedade da vida somente? Ah, mas nos estadozunido a galera atira. Beleza. E a preguiça? Cadê inventar outra coisa? Por isso eu não entendo o sucesso (momentâneo, já que hoje estão cagando pra este material e só posto meu texto aqui por curiosidade mórbida) deste troço em 2014. Engabelou através duma passagem de tempo chorosa em que o nada se torna chamativo por assim ele ser.

O filme foca espertamente na sensibilidade de muitos que diante de tantas características comuns, fazem com que várias figuras se identifiquem. Que filmão popular. Esta gama de truques narrativos, a meu ver, simboliza a mediocridade da obra. Uma preocupação em angariar fãs de choro. Ou então uma forma de justificar a falta de originalidade apelando para o senso comum dos acontecimentos da existência. Bora filmar o senso comum e dizer que é a vida, né não? Que aí a gente resolve roteiro. Esta questão abordada em demasia e da forma que fora traz o público para o seu colo doce e choroso onde aninham-se muitos sensibilizados com a vida de um adolescente sem graça numa conjuntura óbvia servida à mesa como um jantar do sentir mediante o amor familiar. Falcatrua mole. Filosofia barata pra justificar falta de criação.

A única novidade louvável (louvável pela tentativa em si e por parte do todo) de Linklater é o processo e não o resultado. De fato o material é organizado e os anos passam de forma orgânica sem tanto se sentir no espectador, correto somente, nada de grandes arroubos narrativos como tanto se comenta. Uma montagem de tudo que deve ser comentado somente pelo ineditismo destes 12 anos a que os fãs e críticos morrem se referindo. Mas nada que um diretor com um pouco mais de criatividade pudesse ousar mais e deixar tudo um pouco menos óbvio e idiota. Principalmente porque os 12 anos pareceram quase 40 pela lerdeza da condução narrativa do tema. O cara que fazia as passagens de tempo (um abraço aos editores e ao montador), até tenta resolver, mas não tem condição. É só choro, drama, mulher apanhando de marido clichê (2-3 vezes), galerada emo, avô armado... E é isso. Um simulacro de isenção gigante pela mediocridade pra se justificar a vida e o cinema. Eu não caio nessa fulairagem. O problema foi que aqui tudo se perdera nesse processo numa infinidade de alcunhas idiotas em uma trama superficial e de personagens extremamente repetitivos.

A sensação real que fica é de um projeto ambicioso que talvez mereça ser visto – pela paciência dum atlas a segurar um planeta nas costas – por pura curiosidade mórbida pela concatenação do processo apenas, mesmo que absoluta e inexoravelmente falho. As bostas estão aí para serem vistas. As altas expectativas dum Bostahood desse que faria algo de diferente, pararam no seu processo. A intenção da minha ferrenha crítica a este troço não é uma busca por algo original e absurdamente novo, mas simplesmente algo que não vislumbrasse a mediocridade como fuga de linguagem e narrativa. Esse papo furado de que a vida é um chavão mais parece preguiça e pilantragem do que qualquer outra coisa, uma enganação que vislumbra que somos todos apalermados com as insignificâncias da vida. Chato pra caralho. Para aqueles que acham que a equipe merece respaldo pela ideia do processo, que dê uma medalha a eles. De nada adianta se o resultado final é fuleiro. Uma colcha de retalhos costurada pelas mais variadas idiotices. Propagandeada como filme simbólico duma geração e a servir como uma ode (que ninguém lembra) ao sentir mediante a arte. Pura balela. Um filme medíocre no todo. Melancólico, chato, óbvio demais, entupido de voltas num amontoado de estereótipos. A banalidade na vida como personificação humana foi transposta simplesmente como a repetição do impalpável, óbvio e superficial que somente um cinema tão farsesco pode apresentar. O choro da classe média tá bem medíocre aqui.

Aquele material escrito em 29/01/2015. E agora reorganizado com não-humildade.

Cheio de arrependimetos e desculpas minhas. Duma figura de imagem em movimento que conhecia menos de cinema do que o pouco que conhece agora. O velho Ted. Minha desculpa é para as criaturas que lerão este material, e logo em seguida da desculpa, aponto o porque deste não-nunca-singelo pedido. Para afirmar que corrigi o texto. Esculhambei ainda mais este filme fuleiro, tinha esculachado poucamente eu creio. Questão de esculhambo esclarecida, vamos adiante. Agora sim, faço material ao tesão de cinema que conclamo. E que não respeito a fuleiragem deste filme choroso. Isto é crítica? Tá só esculhambando? Decidam. Pra mim é crítiica. É esculhambo. Morram de chorar. Um abraço.

Comentários (24)

Caio Jr. | terça-feira, 06 de Abril de 2021 - 12:19

A gente acompanha o CP há anos, e para um texto que quis tirar onda do choro dos fãs do filme, isso virou o um Muro das Lamentações do Ted e seus Amigos, coisa que não acontecia quando o pessoal aprontava nos comments do Demetrius por exemplo.

Caio Jr. | terça-feira, 06 de Abril de 2021 - 12:23

Igor falou tão bonito que dá pra usar como contraposição ao estilo do Ted. Mas a reflexão gera apenas isso: público instatisfeito com os textos; o autor se defendendo acusando o público que o critica; e a equipe e os amigos tentando defendê-lo. Vou repetir: público insatisfeito. Mas não adianta, vai se arrumar defesas ad infinitum. Frases como "retrato do Brasil", "recalque lamentável" e deplorável","atacar por atacar". Olha, na verdade eu sou um cara da paz, mas tudo isso é só pra defender o que vários aqui consideram uma péssima escrita, Usar frases como "retrato do Brasil" pra definir um certo volume de insatisfação pública(que nem sempre requer contra-argumentos), apenas com o intuito de defender um lado? Bom ,na verdade isso é o retrato do Brasil.kkk Isso que você chama amar o Brasil?Generalizando comportamentos de insatisfação como se a opinião aqui fosse só trollagem, como "retrato"?Dica Ted: continua escrevendo e mata as críticas no peito.Ninguém quer cancelar, sem choro.

Caio Jr. | terça-feira, 06 de Abril de 2021 - 12:25

Vocês que na verdade acabaram demonstrando ser a classe-média que escreve besteira e depois...choraminga.

Caio Jr. | terça-feira, 06 de Abril de 2021 - 12:30

A única coisa sincera que eu vi aqui foi os editores Rodrigo Cunha e Koball defendendo a labuta deles. Mas agora, cadê o adicionar amigos e a linha do tempo? Eram as melhores coisas aqui junto com o fórum em materia de interação com outros users. Quando eu tava aqui em 2017 ainda tinha.

Ted Rafael Araujo Nogueira | terça-feira, 06 de Abril de 2021 - 12:32

Achei foi massa a putaria aqui. Eu nem lamentei e nem me justifiquei. Só apontei onde estava o foco do debate. A movimentação diverte. O texto é posto pra ser esculhambado e/ou elogiado. Sem isso a coisa perde a graça.

Rodrigo Cunha | terça-feira, 06 de Abril de 2021 - 12:53

Nós estamos numa batalha para adicionar essas funções que você não tem ideia, Caio. E vamos continuar tentando. Dessa vez, não depende da gente, infelizmente.

Caio Jr. | terça-feira, 06 de Abril de 2021 - 12:57

Vou divulgar o patrocínio e me gerenciar aqui pra assinar.CP é nostalgia na quarentena e ao contrário do Letterboxd, patrimônio nacional.

Rodrigo Cunha | terça-feira, 06 de Abril de 2021 - 13:02

Fico agradecido, de verdade. :)

Bernardo D.I. Brum | terça-feira, 06 de Abril de 2021 - 14:11

Falar mal das paradas é sucesso. Tá cheio de texto cobrindo os filmes de joias e esmeraldas que o povo nem dá bola. Agora lasca um umzão pra tu ver só kkkkkkkkkkkk

Ted Rafael Araujo Nogueira | terça-feira, 06 de Abril de 2021 - 22:38

Rola um drama. Faz parte do pacote. Como diria o Vanderlei Luxemburgo, "é a zona da confusão."

Marcelo Queiroz | quarta-feira, 07 de Abril de 2021 - 09:37

Se tá tudo tranquilo, nada que uma nota um não dê uma chacoalhada rsrsrs

Carlos Eduardo | quarta-feira, 07 de Abril de 2021 - 12:24

Pois é. E essa balbúrdia toda obviamente tem a ver com o filme analisado, então óbvio que a galera ainda se lembra (e se importa) com o filme. O cinema de Linklater é de uma naturalidade impressionante, que envolve fácil. Além de ser um recorte bem preciso de uma geração, assim como ele havia feito em Jovens, Loucos e Rebeldes. Sou muito mais Bostahood que Birdman.

Guilherme Rodrigues | quarta-feira, 07 de Abril de 2021 - 12:21

O site sempre teve textos excelentes e textos horríveis também. Lembro bem de um do Demetrius que era uma grande merda, não porque era provocativo ou algo do gênero, mas porque ele simplesmente descrevia o filme e não dizia nada. É no mínimo injusto pegar esse aqui do Ted pra gorfar que o site tá morto e que "não se faz mais crítica como antigamente", visto que tem vários ótimos conteúdos sendo produzidos ainda por aqui como o Igor apontou. Galera acha que manter um site desse, sem retorno, é molezinha. Ainda mais gente que já passou por aqui, aí é de cagar mesmo. Tudo uns pau no cu, saudosistas do caralho. Mete bronca, Ted!

Alan Nina | quarta-feira, 07 de Abril de 2021 - 15:02

Quando eu li a crítica, veio em minha mente a obra "Memórias Postumas de Brás Cubas" do Machado de Assis, que tbm trata da vida fútil de um Zé ninguém, obviamente que com muita classe literária. O filme em questão, embora não chegue a tanto para o cinema como o Machado para a Literatura, é um dos meus favoritos do diretor, não apenas pelo projeto em si, mas por eu ter visto beleza tbm ali, naquela futilidade. Ou seja, eu DISCORDO completamente da crítica, mas a legitimo enquanto interessante contraponto ao que eu penso. Ficou a impressão que a FORMA (linguagem, chavão, neologismos, agressividade) incomodou mais do que o CONTEÚDO apresentado, o que é uma pena. Mas acredito que é tbm preciso o crítico reconhecer que, muitas vezes, a IDEIA a ser trasmitida pode sim ficar em segundo plano dependendo da FORMA como vc se manifesta. Comunicação nunca foi algo de única via. De modo que compreendo ambos os lados nesse embate. Por mais textos provocadores e que sejam tbm mais convidativos!

Faça login para comentar.