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Críticas

Cineplayers

Diversão pura e direta, uma bela homenagem aos filmes de ficção científica e outros gêneros mais clássicos.

7,0

Se você é fã daquelas ficções científicas dos anos 50 tipo Flash Gordon ou amante dos clássicos noir e expressionistas, Capitão Sky e o Mundo de Amanhã agradará seu gosto em cheio. Não é como Kill Bill - Volume 1 e 2, que utiliza suas referências para construir algo novo e maior, e sim uma aventura construída exatamente nos mesmos moldes de antigamente, com exceção da produção em que os filmes foram feitos. Saem os cenários mal feitos e pessoas vestidas de robôs para dar lugar a uma tecnologia de ponta e inovadora na criação de cenários virtuais.

Tudo é feito em tela azul. Até aí, nada de novo, uma vez que diversos e diversos filmes utilizam da mesma técnica para serem produzidos, como a nova série Star Wars. A diferença está na idéia de que este filme, ao contrário dos demais, já possuía todos os cenários prontos quando os atores foram para o chroma key rodar suas seqüências, apenas ajustando-se a luz, incluindo alguns detalhes nos cenários e corrigindo contornos nas tomadas após a inserção dos atores reais. Com isso, toda a produção ficou infinitamente mais barata, custando algo em torno de 70 milhões de dólares. Pouco, perto do que um filme rodado com material real custaria.

O diretor estreante Kerry Conran possuía apenas alguns minutos da introdução do filme em seu Macintosh quando Jude Law resolveu comprar a idéia e bancar o filme como produtor e protagonizá-lo. Com seu nome no elenco, foi fácil atrair nomes de peso para o elenco, como Gwyneth Paltrow (Shakespeare Apaixonado) para seu par romântico e até uma participação discreta de Angelina Jolie (Garota Interrompida). Mesmo que o elenco não esteja necessariamente brilhante, ele cumpre sua função e diverte à maneira antiga. Simples e direto.

Jude Law está divertido no papel de Joe Sullivan, o tal Capitão Sky do título que aparece para salvar uma Nova York pós depressão de 29 de um ataque enigmático de robôs gigantes em busca dos geradores de energia da cidade. Com seu jeito Han Solo de ser, Joe tem que compartilhar o mistério com sua ex-mulher Polly Perkins (Gwyneth) por terem informações diferentes que os interessam mutuamente. Polly é a típica repórter interesseira que faz de tudo para conseguir sua matéria, e Angelina Jolie interpreta Francesca Cook, uma ex amante de Sullivan sempre pronta para ajudá-lo a se livrar de suas enrascadas.

A partir daí embarcamos em uma aventura fantástica que mistura itens antigos da época com tecnologia mais avançada que a de nossa época atual! Prepare-se para ver Sullivan combatendo robôs gigantes em meio a prédios famosos de Nova York, delicie-se com as referências a filmes clássicos, como Metrópolis do Expressionismo Alemão ou a aventura de King Kong. Há diversos planos que fazem referência direto aos filmes noir, como o da silhueta do repórter por sua porta de vidro enquanto este anuncia uma notícia do outro lado. Até mesmo a época do filme pode ser facilmente identificada, como o fato do cinema local estar passando O Mágico de Oz. E, claro, todo o contexto está dentro do cinema fake espetáculo dos anos 50, de tramas absurdas e personagens estereotipados.

O legal não é tentar entender a lógica da história, como por exemplo por que roubar os geradores da cidade quando poderiam construí-los? Esse é apenas um exemplo de como Capitão Sky e o Mundo de Amanhã deve ser aproveitado: de forma simples e ingênua. Diversão em sua forma mais crua possível. É extremamente gostoso ver o modo como o mundo criado é explorado, como tudo de absurdo que acontece pode ser agradável. E aí está justamente seu ponto fraco também.

Os trinta minutos finais se levam a sério demais. Deixam o bom humor de lado para dar lugar à uma ação séria e absurda. Não que o que aconteceu antes não fosse absurdo, mas como o filme não se levava a sério e estava cheio de referências interessantes (que foram deixadas de lado aqui também), isso não chegava a incomodar. Mas com toda a dimensão que o filme ganhou em seu final, acabou que não houve espaço para um humor balanceado. Há também o problema com algumas cenas de ação, que empolgam menos do que deveriam, mas outras como o primeiro ataque aos robôs e a seqüência submarina fazem o filme valer a pena. Outra coisa que pode incomodar é o fato do filme ser muito escuro. Levemente embaçado, mais uma referência aos filmes de origem, a imagem pode deixar vistas mais sensíveis rapidamente cansadas pela sua pouca variação de tons nas imagens (apenas mais perto do final há uma boa variação nesse sentido).

O desenho de som de Capitão Sky é fantástico. Como tudo fora criado no computador antes mesmo da inclusão dos atores, o pessoal do som teve uma certa folga para trabalhar e fez um trabalho digno da idéia. O som dos lasers circulares contrastam com os tiros do avião clássico de Sullivan. Tudo está no lugar certo, na hora certa. Desde pequenos efeitos sonoros como o bater de uma porta até os mais complexos ruídos futuristas, completados por uma inspirada trilha sonora de efeito.

A tecnologia permitiu a realização de um sonho de Jude Law: atuar ao lado de Laurence Olivier, um dos maiores atores de todos os tempos, falecido em 1989, aos 82 anos. Kerry Conran e sua equipe pegaram imagens que poderiam ser aproveitadas do ator em seus filmes, acharam alguém com a voz parecida e, graças a tecnologia, puderam fazer sua ‘ressurreição’. Só que essa técnica pode ser questionada, uma vez que Laurence mal aparece e, quando o faz, não está muito clara sua participação.

Mesmo que não seja uma obra-prima do cinema, Capitão Sky e o Mundo de Amanhã merece ser visto com carinho, principalmente por aqueles que curtem suas referências e o modo simples como é construído. É diversão pura e direta, com personagens carismáticos, uma história deliciosamente absurda e algumas boas sacadas. Vale o preço da pipoca de final de semana.

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