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Deuses Americanos

(American Gods, 2017 - 2019)
6,5
Média
5 votos
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Críticas

Cineplayers

Novo ano, novos deuses, novas missões

8,0

Deuses Americanos sofreu um golpe duro ao começar a produção para seu novo ano: a saída dos showrunners Bryan Fuller e Michael Green por conta de problemas com o orçamento. Para completar o problema, por lealdade aos produtores, também saiu Gillian Anderson, destaque da primeira temporada interpretando a deusa Mídia. Fuller ganhou outra série incompleta para o currículo; Michael Green atualmente trabalha na sequência de Assassinato no Expresso do Oriente. No lugar dos dois, entrou Jesse Alexander, parceiro de J.J. Abrams em produções como Lost, Heroes e Alias. Como se saiu Deuses Americanos frente à tribulação?

A resposta é: sobreviveu. Pode não ter a escala épica evocada pelas sofisticadas aspirações artísticas de Fuller, mas Alexander soube dar uma cara própria: agora há menos desenvolvimento introspectivo de personagem (capaz de na primeira temporada dedicar um episódio inteiro ao passado do coadjuvante Mad Sweeney) e uma trama com mais rítmio e dinâmica, o que acabou salvando um arco: o da funerária Cairo, onde a estadia do protagonista Shadow Moon era bem mais truncada no livro do que ficou aqui. 

Alexander soube criar um senso de ameaça mas também de progresso de cerco se fechando - com a guerra entre velhos e novos deuses fazendo bem mais vítimas que no ano anterior. Em meio à guerra nas sombras, também lembrou de um dos melhores aspectos da primeira temporada e do livro original: a de discussão alegórica sobre o nosso mundo. Isso criou algumas cenas fantásticas como a reconfiguração da Mídia, rejuvenescendo-se, trocando a identidade e aumentando seu poder por conta das redes sociais, e a reunião de Wednesday e Mr. World com o Escriturário, encarnação divina do Dinheiro, que se recusa a escolher lados em guerras por saber que lucrará com a vitória ou derrota de qualquer um. Bilquis, Deusa do Sexo e Mr. Nancy, Deus das História, dispensam comentários: sempre roubam a cena quando aparecem.

Se há problemas? Sim e não. Frente à contínua expansão do universo, o arco de Laura "Esposa Morta" Moon e Mad Sweeney ainda reavive o lado "road movie" que também faz parte do livro original, mas cujas missões e buscas nem sempre parecem andar harmonicamente com as maquinações fatais que divindades de ambos os lados travam. Technical Boy basicamente repete seu arco de se imaginar grande para ser rebaixado por outros no final. Um flashback de Wedsneday lá pelo meio causa uma certa barriga na história, mas acaba aprofundando sua relação aos nossos olhos com o protagonista Shadow Moon. Fica uma sensação de maior unidade e de menores destaques individuais entre episódios e protagonistas - então podemos, dizer que depende da escolha do espectador sobre qual temporada é melhor.

Alexander soube "segurar as pontas", teve a aprovação nas alterações (principalmente da Mídia) por parte de Gaiman, deixou algumas mortes marcantes ao longo da temporada e terminou com uma revelação que fecha um arco mas com abertura o suficiente para explorar a consequência. Fica saber o que esperar do showrunner da próxima temporada, Charles Eglee, responsável por séries como The Shield e Dexter. Após os arcos apresentados aqui, o livro parte para conflitos bem mais diretos entre as facções, então podemos dizer que foi uma escolha acertada da série. De qualquer forma, aos trancos e barrancos, a abordagem mitológica pós-moderna continuou apoteótica o suficiente para garantir um novo capítulo.

Comentários (4)

Renan Carmo | domingo, 14 de Julho de 2019 - 16:17

Essa temporada me decepcionou, não tem o mesmo primor visual da primeira e alguns episódios são bem chatos e arrastados. Achei incrível a primeira temporada e tava cheio de expectativa pra essa.

tAWON | domingo, 14 de Julho de 2019 - 19:46

Super filme, mas é uma cópia ruim! Eu finalmente assisti o streaming HD deste filme. Eu pensei que alguns de vocês gostariam de assistir também.
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Marcello Vieira | segunda-feira, 15 de Julho de 2019 - 22:42

Odiei essa segunda tanto que eu larguei mas voltei bem depois pra terminar. Muito arrastada , vários episódios deram muito sono , muito decepcionante em comparação com a primeira temporada.

Bernardo D.I. Brum | segunda-feira, 15 de Julho de 2019 - 23:05

Isso é meio que "culpa" do livro. Muita gente acha o arco de Cairo arrastadíssimo, inclusive eu. Ficou mais dinâmico na série que no livro - eu achei, ao menos. Já o Bryan Fuller realmente fez alguns momentos de tirar um fôlego, mas a primeira temporada como um todo achei um ritmo meio errático.

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