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Críticas

Cineplayers

Fuga para a diversão.

7,0
Todas as impressões acerca do novo longa de Adam Robitel são desfeitas conforme a sessão avança. No comando do último longa da franquia Sobrenatural, que fez escorregar uma série bastante regular, o diretor acerta após a tentativa anterior. Sua estreia em A Possessão de Deborah Logan tinha chamado atenção, e aqui ele volta a surpreender. Como acontece comumente em filmes de gênero, os elementos que aqui fazem uma experiência inusitada já estiveram temperando outros molhos, tais como Jogos Mortais e o esquecido Cubo - ainda que a salada seja ainda mais ampla do que necessariamente apenas esses duas. Mas não se trata nem de cópia ou má fé, apenas a velha sopa reciclada que move o cinema fantástico, dessa vez com sabor refrescante graças a soma dos elementos unitários.

Se o filme utiliza uma fórmula de maneira competente e atraente, as críticas não são muito pertinentes. Ainda que os personagens em cena tenham personas anteriormente apresentadas em exemplares outros, ainda que suas vidas sejam blocos selados para o externo, eles funcionam em suas ferramentas de construir proximidade, ainda que não seja o tempo todo crível. Há o espetáculo, a forma de entregar ao público aquele produto, e o mesmo é feito com capricho e precisão. O filme inclusive evita uma superexposição aos códigos do gênero, elevando a experiência a abranger outros aspectos do thriller e criar conexão com quem procura o terror, mas não somente a esse público.

Robitel tem uma mão acertada para criar a ambiência necessária, e no terror/suspense isso é quase o meio do jogo. Levar o espectador à imersão naquela narrativa é a chave das grandes experiências que o cinema pode proporcionar, e isso com filme de gênero é essencial. O diretor, de vasta experiência colaborando em produtos da área como co-roteirista e assistente de direção, captura o espaço cênico propriamente dito desde a primeira sequência, mas é com o envolvimento emocional do espectador que essa matemática precisa funcionar. De um grupo de seis pessoas, o roteiro acompanha inicialmente três delas com fidelidade, e com isso já entramos no jogo comprometidos; os três que restam tem personalidade suficiente para nos capturar muito rápido.

Como o filme trata de uma espécie de jogo onde esse grupo de pessoas precisa constantemente fugir de um cenário para outro com riscos diferenciados a cada novo espaço, o filme também seria refém de uma direção de arte envolvente. Com isso, a dupla Edward Thomas e Mark Walters recebeu carta branca para se divertir e seduzir o público, com criações que vão se tornando cada vez mais elaboradas, como o já amplamente divulgado cômodo que foi construído de ponta-cabeça, o xodó da produção no que é uma das sequências mais divertidas da produção, que desafia o medo de altura do espectador mais sensível. O trabalho de montagem (a cargo de Steve Mirkovich, veterano por trás de Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado) também confere a agilidade necessária ao filme, resultando vibrante. 

Mas acima de tudo Robitel não esquece de um ponto-chave que nenhum filme deveria largar de mão. Independente da verossimilhança, qualquer produção que almeje a captura do seu público alvo nunca deve deixar de divertir, envolver, entreter - isso sem perder em qualidade dramática e narrativa. Para além de rasos exercícios como a utilização de 'jump scares' ou de repetidas fórmulas de 'serial killers', o cinema é conduzido pelo entretenimento em sua espinha dorsal e sua natureza deveria ser essa acima de tudo. Seu diretor não pretende revolucionar nem em forma nem em conteúdo e não há nenhum problema nisso, se suas intenções são honestas e respeitam seu material de origem. Com a ajuda de um bom elenco (onde Logan Miller mais uma vez comprova seu talento de ladrão de cenas, já visto antes em Como Sobreviver a um Ataque Zumbi' e Antes que eu Vá), Escape Room justifica o sucesso alcançado no exterior; quando a honestidade pauta o trabalho, o resultado final não pode ser outro.

Comentários (2)

Robson Oliveira | quarta-feira, 06 de Fevereiro de 2019 - 14:29 | Responder

Me deixou curioso pra ver esse. Gosto bastante desse tipo de filme, geralmente me divirto.

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