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Críticas

Cineplayers

Filme frustrado.

4,0
A moda hoje em Hollywood é a dos remakes e suas tentativas de pegar carona no coração saudosista de um público que hoje tem plenas condições não somente de pagar o ingresso, como também incentivar a geração mais nova de filhos e sobrinhos a embarcar nas aventuras que marcaram sua infância. Em alguns casos a picaretagem dita nostálgica, mas na verdade puramente caça-níquel, deu algum retorno, como em Karatê Kid (idem, 1984/2010) e A Hora do Pesadelo (A Nightmare on Elm Street, 1984/2010); em outras, nem tanto. Férias Frustradas (Vacation, 1983/2015) poderia, em teoria, fazer parte dos remakes bem-sucedidos, mas uma série de fatores contribui para que a empreitada se mostre um retumbante fracasso.

Primeiramente, os diretores desse remake não parecem encontrar um equilíbrio natural entre as referências oitentistas e as atualizações necessárias para nosso tempo. Quando tentam ser saudosistas, a atualidade da trama sabota a intenção; quando tentam modernizar a fórmula, a essência do argumento original se perde. No fim, só sobra a premissa idêntica – a de uma família disfuncional forçando uma boa convivência em uma tumultuada viagem de carro pelos EUA rumo a um parque de diversões.

Enquanto no filme original há toda uma ingenuidade e sinceridade na construção dos personagens e suas relações, aqui se faz uma colagem de tipos caricaturais interagindo em piadas forçadas e fora de sintonia. Há o pai abestado que tenta unir a família através da proposta da viagem (o filho do primeiro filme que cresceu e quer repetir a dose), a mãe insatisfeita com a vida de classe média suburbana, o irmão mais velho boboca e sem atitude, e o mais novo encapetado – todos interpretados por atores fora de sintonia (Christina Applegate ainda se salva em alguns momentos). A partir desses tipos se desenrola um roteiro fácil e formulaico que se resume basicamente em uma sucessão de fracassos absurdos de recreação entre família. O mais trash de todos, tão divulgado pelos trailers, talvez seja o relacionado com a participação especial de Chris Hemsworth e certo detalhe anatômico avantajado. Em algum ponto nesse meio todo tenta emergir uma pregação chatinha sobre o valor de cultivar a união familiar, mas nem isso decola como pretende.

Resta sentar e tentar se divertir com essas gags de fácil apelo, o que pode funcionar muito bem para uma sessão de cinema família, mas que talvez decepcione um pouco o tal público saudosista que procura pela mesma emoção da aventura original. O que há de maior valor para esse público em específico talvez seja apenas a participação especial de Chevy Chase e Beverly D’Angelo, os pais do elenco original.

Comentários (2)

Eliezer Lugarini | quinta-feira, 24 de Setembro de 2015 - 17:51 | Responder

Eis um filme ao qual passarei longe. To com um medo gigante que ele estrague a ótima visão que tenho do original

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