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Críticas

Cineplayers

Se não fosse Atkinson, essa nova sátira de James Bond seria um lixo atômico.

6,0

Sempre fui fã assumido de Rowan Atkinson. Seus personagens possuem um senso de humor afiado, só de olhar para seu rosto (que é sempre igual) já dá vontade de rir e algumas de suas cenas se tornam imortais. E isso é com qualquer personagem. Quem não lembra do Mister Bean aprontando na cadeira do dentista, na piscina, fazendo a prova, etc? Eram situações extremamente engraçadas. O filme do personagem não ficou atrás e fez diversas pessoas se contorcerem de rir nas cadeiras do cinema, em torno de 1998. Depois veio um personagem diferente (tá bom, nem tanto) em Tá Todo Mundo Louco, que venderam (falsamente) na propaganda como sendo o Mr. Bean. Não era, e em seu novo filme, Johnny English, Rowan mesmo fez questão de avisar: “Não é o Mr. Bean”.

Só que Johnny não é menos engraçado. Baseado em um personagem que o próprio Atkinson criou para um comercial da Barclaycard, na Inglaterra, o filme é mais um que ironiza os filmes de James Bond e seu modo ‘agente secreto’ de ser. Só que aqui tudo tem um charme que só Rowan consegue ter. As caras, os movimentos, tudo está lá, exatamente como todos os personagens de Atkinson têm. Ou seja, não tem nada de novo. Só que isso não é ruim, apesar de já termos visto tudo, todas aquelas caras bobas e atitudes de anos atrás, tudo continua engraçado.

Após a morte de todos os agentes secretos da Inglaterra, só resta uma pessoa para uma missão importantíssima de proteger as jóias da rainha: o atrapalhado Johnny English. Só que, para variar um pouco, as jóias são roubadas na própria apresentação. O legal é que o filme não fica só em torno disso, e sim há uma reviravolta de interesse no meio. O problema é que os clichês vem um atrás do outro, e nada do que acontece é uma real surpresa. Se, como disse antes, não fosse Atkinson, o filme seria um desastre. Ele que dá o tom de comédia ao filme, já que as piadas estão mal dirigidas e quase sempre são sacadas antes mesmo de acontecerem.

No elenco ainda temos Natalie Imbruglia, uma das mais famosas cantoras da atualidade nos EUA, fazendo sua estréia nos cinemas. Ela interpreta Lorna Campbell, uma agente que aparece de surpresa na vida de Johnny. Natalie está maravilhosa, nunca a vi tão bonita em sua carreira, sem exagero algum. O bom é que sua interpretação não fica atrás. Ela consegue ser bem competente, dando o ar de sensualidade que sua personagem pedia. A cena em que rola um ‘romance’ entre Johnny e Lorna é uma pérola, eu me contorcia de rir na cadeira do cinema. John Malkovich interpreta Pascal Sauvage, um poderoso empresário francês que quer ser rei da Inglaterra. Completando o elenco temos Ben Miller, que interpreta Bough, o ajudante de Johnny, a sua consciência. Todas as cenas giram em torno desse quarteto principal.

Há algumas grandes sacadas, como a cena que Johnny sobre pelo cano enquanto Lorna pela escada, que com certeza vai gerar MUITAS risadas. Cheguei até me lembrar aqueles acontecimentos ‘idiotas’ de filmes como Corra que a Polícia Vem Aí e Top Gang. Já que falamos de Corra que a Polícia Vem Aí, há uma cena muito parecida com uma que ocorreu em um dos filmes da série, a cena extremamente engraçada do final, onde Johnny tenta revelar para uma população inteira o plano do malvado Pascal, apesar de todo o clichê. Todos os apetrechos básicos de James Bond estão lá, carros maravilhosos, cenários paradisíacos, mulheres charmosas e encantadoras, todas em perfeitas referências ao filme de origem.

Johnny English não traz exatamente nada de novo para o gênero. Não usa várias piadas novas, suga bastante dos personagens anteriores de Atkinson e o enredo é completamente previsível. Em contra partida à tudo isso, temos Atkinson, sempre bem, que irá arrancar diversas gargalhadas da platéia em suas situações. Para quem curte uma bela comédia no cinema, pedida inegável. Para quem for um pingo mais exigente, ficará incomodado com a falta de originalidade que atira de todos os lados nesse novo título.

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