Saltar para o conteúdo

Críticas

Cineplayers

O mar é pequeno demais para eles dois.

6,0
A ideia de unir um tubarão gigantesco já extinto contra um dos maiores brutamontes da atualidade me conquistou já no seu primeiro trailer. A ideia é batida, é verdade, mas desde que Spielberg tornou as ameaças fantásticas em um horror mais palpável ao trazer um assassino que realmente existe ao seu público com Tubarão (Jaws, 1975), a fórmula tentou ser repetida incontáveis vezes ao longo desses mais de 40 anos. Mas esse público não é mais o mesmo e uma atualizada tanto na estrutura quanto na abordagem nos trouxe até este Megatubarão (The Meg, 2018), que deixa de lado o status sério e o horror gore para atrair o maior público possível como filme de verão teen, menos explícito e muito mais cool.

A história é mínima e serve apenas como um fio condutor para que uma cena de ação ocorra após a outra: o Capitão Jonas Taylor (Jason Statham) estava em uma missão de resgate de um submarino de águas profundas quando algo começou a atacar a embarcação e ele foi obrigado a deixar para trás dois de seus melhores amigos. Considerado culpado, refugia-se na Tailândia, bebendo o dia todo, até que é chamado novamente para resgatar uma outra tripulação da qual sua ex-mulher faz parte, enfrentando fantasmas do passado e precisando lidar com a ameaça que agora é de conhecimento público - e blá, blá, blá.

Sabendo da previsibilidade da sua história e reafirmando a questão de que ela é apenas um guia turístico de quase duas horas, o filme resolve essas questões mais sensíveis de Jonas muito rápido e não desenvolve muito bem os personagens; eles são mera ferramentas para que o Tubarão jante o máximo que conseguir antes do confronto final (meio inspirado, vejam só, em Pânico [Scream, 1996] e abrindo possibilidades para sequências).

O estranho é que alguns personagens são simplesmente deixados de lado (somem do filme!) ou então ganham certo destaque para depois também serem esquecidos (o bilhete do japonês Masi Oka, do Heroes, para sua esposa). Mas os que ficam são divertidos o suficiente para nos manter entretidos e até torcer por uma dentada aqui ou ali. Há pessoas que não sabem nadar (e trabalham embarcadas!), há o rico que quer dinheiro a qualquer custo, mas é tratado de forma propositalmente estereotipada, há a mulher forte, o doutor arrependido, a criança super madura e por aí vai.

O filme acerta ao copiar o horror psicológico de seu irmão dos anos setenta em evitar mostrar o monstro até que seja realmente necessário, sempre trabalhando com a nossa imaginação, muito mais fértil, do que com o visual, mas não pelas limitações orçamentárias que Spielberg passou. Megatubarão é uma produção milionária, tratada como filme de ponta, de investimento chinês - é interessante notar como a economia aquecida do país está afetando os blockbusters americanos -, que recebe tratamento refinado e tem moral até para alterar o logo das empresas envolvidas e colocar o público no clima desde os primeiros segundos de sua duração.

Duração essa que, para ser sincero, acaba sendo um pouco cansativa e esse é um dos pontos fracos do filme. Para efeito de comparação, o recente Missão: Impossível - Efeito Fallout (Mission: Impossible - Fallout, 2018) tem duas horas e meia e não sentimos isso, porque essa ação é o tempo todo de qualidade e estamos sempre interessados no que virá a seguir. Já em Megatubarão, em certos momentos há considerável fadiga intelectual porque a ação que está acontecendo não é tão interessante assim para nos manter presos ao filme - e ele tem menos de duas horas!

Mas quando acerta, ele mostra a que veio. É o Jason fucking Statham brigando contra um Tubarão de 25 metros que deveria estar extinto há milhares de anos e é justamente para isso que eu vou ao cinema. O humor é o grande trunfo, com diálogos divertidos e bem encaixados, sem nunca extrapolar e momentos realmente tensos - ainda que previsíveis. A sequência da praia, dessa vez superpopulada e cheia de personagens que, mesmo com segundos apresentados de tela, esbanjam carisma e nos fazem torcer para que vivam como o gordinho do sorvete ou o cachorro no mar, fecha bem um filme que acerta no humor, nos efeitos especiais apenas quando necessários, nos diálogos, na química entre o elenco, mesmo com algumas cenas derrapando e não sendo tão interessantes assim.

Dá para afirmar que é bem divertido.

.
.
.

Spoiler

Curti terem tido a ideia de terem dois tubarões, e não apenas um: sabe-se lá quantos passaram por aquele vão de água aquecida que o argumento se sustentou. Isso abre a possibilidade de continuações e de até outros monstros, como aquele polvo, virem até a superfície caso esse filme faça relativo sucesso.

Comentários (1)

Paulo Faria Esteves | quinta-feira, 09 de Agosto de 2018 - 20:27 | Responder

Um dos filmes de verão que mais me chamou a atenção de sempre! Quer dizer, viram aquele trailer? Aquele tubarão é enoooooooooooooooooooooooooooooooooooooooorme! 😲

Faça login para comentar.