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Meu Filho

(My Son, 2021)
6,5
Média
10 votos
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Sua nota

Críticas

Cineplayers

Christian Carion refilma ele mesmo quatro anos depois

6,0

Este thriller do diretor francês Christian Carion foi uma boa surpresa entre os filmes do mesmo gênero em 2021. É sobre dois pais separados que recebem a notícia que o seu filho de sete anos desapareceu enquanto estava em uma colônia de férias. À princípio é uma obra lenta, densa, com fotografia nublada e depressiva, que lembra rapidamente Os Suspeitos (Prisoners, 2013), de Denis Villeneuve. Enquanto nos coloca dentro dessa atmosfera virtualmente perfeita para um filme sobre desaparecimento ou sequestro, ele vai nos apresentando a seus personagens, sem muita pressa, e a obra é quase toda de James McAvoy, o pai todo ferrado psicologicamente que deve dar conta de uma bomba dessas, ao mesmo tempo em que tem que lidar com sua ex-mulher.

Sobre My Son, o melhor é parar de falar qualquer coisa da história por aí, para que tudo seja degustado pelo espectador voraz moderno de séries que têm esse mesmo sabor. Não que a obra seja do mesmo tamanho do já citado Os Suspeitos ou de outros grandes suspenses, mas há sim um diferencial nela que provavelmente deve ser creditado ao diretor de fotografia e, claro, a Carion, do qual, é justo comentar, já deu outras bolas dentro, como Feliz Natal (Joyeux Noel, 2005). Esse diferencial está nas entrelinhas, mas, tentando externá-lo, diria que está na capacidade de fisgar rapidamente seu público desde o ato inicial.

Sobre McAvoy, ele carrega o personagem principal muito bem, só que, atualmente, é um pouco difícil desvencilhar sua imagem dos blockbusters (ou quase) X-Men, imagem que foi ratificada com outra cinessérie de heróis de muito menor sucesso, a trilogia de Shyamalan, que contém Fragmentado (Split, 2016) e Vidro (Glass, 2019). Seu personagem aqui exige muito mais sensibilidade e um número muito maior de sutilezas, ao mesmo tempo em que precisa de senso de urgência e até mesmo força física para ajudar a recuperar seu filho. E é também positivo o fato do personagem ter suas ambiguidades – ele não é um herói anônimo em circunstâncias extraordinárias, é um cara normal cheio de problemas e que erra muito.

Ao fisgar o público já no seu ato inicial, poderia ser que Carion tivesse encontrado a difícil fórmula da consistência que os grandes filmes (não só os grandes suspenses) possuem, mas, infelizmente, essa consistência se esvai em algum grau a partir de seu segundo ato e a ilusão que o bom Cinema pode despertar é de certa forma quebrada – sim, isso é só um filme, no final das contas, e fica bem evidente nesse segundo ato. Não estraga o trabalho de Carion, não diminui a excepcional fotografia do filme, não diminui o trabalho dos atores, apenas coloca a obra no chão, ainda que esta contenha qualidades que a coloquem em um patamar acima do lugar-comum.

O mais estranho (ou não, no mercado atual) é o seguinte: My Son é uma versão em inglês de outra obra do próprio Carion, Meu Filho (Mon Garçon, 2017) de somente quatro anos antes, que, pelo jeito, quase ninguém viu (e, pelo trailer, é realmente o mesmo filme, cena por cena). Foi filmado na Escócia em meio à pandemia da Covid-19 e enfrentou problemas devido a isso, tendo as filmagens interrompidas e continuadas após haver segurança para toda a equipe. O fato de ser uma refilmagem de outra obra do mesmo diretor, em outro idioma e com atores mais conhecidos internacionalmente diminui, de certa forma, o trabalho de Carion e a posição da obra dentro do cenário fílmico. Por si só, porém, é um thriller muito bom, filmado em uma localidade magnífica e com um personagem principal bastante humano, ainda que utilize de ferramentas que, em alguns casos, só o Cinema pode proporcionar, eliminando a sensação de realismo que grandes suspenses possuem.

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