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Críticas

Cineplayers

Esgotando um gênero

4,0

“Pós-terror” e toda a discussão em torno dessa nova (e questionável) definição estão entre as polêmicas mais bestas do cinema nos últimos anos — o que não é pouco. Enquanto a crítica especializada e a própria indústria discutem a necessidade da criação de um apêndice do horror clássico e, por consequência, torcem o nariz para filmes cheios de boas qualidades, como A Bruxa, Sombras da Vida, Corrente do Mal e outros, alguns exemplares orgulhosos do gênero prestam um serviço duvidoso ao explorar as convenções do terror da forma mais preguiçosa, com pouca ou nenhuma contrapartida artística, tendo por objetivo esgotar seu resistente (porém combalido) apelo comercial. Um desses filhos ingratos (os reais) atende pelo nome Parque do Inferno.

O que, vale dizer, é decepcionante. O conceito básico do filme é bacana, haja vista todas as possibilidades trazidas pela ambientação do filme em um parque de horror. Porém, o diretor Gregory Plotkin (de Atividade Paranormal: Dimensão Fantasma) e sua equipe de cinco roteiristas (nunca um bom indício) só não desperdiçam esse potencial criativo inteiramente por causa da escolha do primeiro assassinato, surpreendente, e de uma ótima sequência no trem fantasma — de boa preparação, explorando o close, a situação, a edição, a cor vermelha e a expressão dos atores para evocar o perigo da viagem solo da protagonista Natalie (Amy Forsyth) e posicionando bem o vilão durante todo o encadeamento de cenas.

Ao longo dos 85 minutos restantes, Hell Fest (título original) investe em uma execução espantosamente banal de jump scares, impondo ao público a tolice de ver os personagens tomando susto dos frequentadores e da equipe da atração — sem efeito. Pois, em vez de demonstrado com boas set pieces de tensão constante, o caráter apavorante do parque é sublinhado, à exaustão, pelas reações exageradas do elenco principal, que radicaliza o estereótipo do jovem universitário americano, já infantilizado. Assim, nem há maior identificação entre público e personagens, nem há lastro para qualquer atuação de maior talento. Nenhuma.

Parque do Inferno é um filme que, em pleno 2018, se vale de todos os clichês do terror sem fazer uma observação crítica ou irônica do gênero, sem traçar qualquer reflexão sobre o mundo, sem se concretizar como um exercício de estilo (todas aquelas máscaras e luz neon para nada), sem mergulhar na violência gráfica do cinema splatter (o vilão é mais um genérico do Jason Voorhees de Sexta-Feira 13) e sem mesmo conseguir apavorar o seu público. Um total desperdício: das virtudes de seu próprio argumento e de todo um legado do cinema de horror.

Comentários (1)

Marcelo Eduardo Marchi | segunda-feira, 10 de Dezembro de 2018 - 22:16 | Responder

"cinema splasher"?? O cara misturou slasher com splatter, meu deus... Sério que em pleno 2018 os críticos ainda não conseguem acertar o nome desse subgênero?

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