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Críticas

Cineplayers

Clássico do “horror” que sabe brincar com seus elementos fantásticos, mas que não envelheceu tão bem.

7,0

Não é de se estranhar que, apesar de ter sido dirigido por Tobe Hooper (que já havia se firmado como um nome respeitável no gênero do horror com O Massacre da Serra Elétrica [The Texas Chain Saw Massacre, 1974] e Pague Para Entrar, Reze Para Sair [The Funhouse, 1981]), o nome de Steven Spielberg é que seja incessantemente associado ao nascimento de Poltergeist – O Fenômeno (Poltergeist, 1982). Isso porque, apesar de ter sido vendido como uma obra desse gênero, o filme é mais uma ficção cientifica assumida (podem ser sentido ecos de Contatos Imediatos do Terceiro Grau [Close Encounters of the Third Kind, 1977]), com toques orgânicos de humor negro e auto ironia. E devido ao seu sucesso na época e ao firmamento do filme como um clássico do horror, Poltergeist seguiu como um filme mal compreendido e interpretado, apesar de que é válido ressaltar: assim como grandes clássicos do terror como O Exorcista (The Exorcist, 1973) e A Profecia (The Omen, 1976), estranhos eventos fatídicos aconteceram com os envolvidos em Poltergeist.

Sem grandes delongas em sua apresentação, conhecemos no filme o cotidiano da família Freeling, composta pelo casal Steve (Craig T. Nelson) e Diane (JoBeth Williams) com seus três filhos, recém-chegada na nova casa, projetada pela própria empresa onde Steve trabalha como corretor. Já em sua abertura, vemos a caçula da família, Carol Anne (Heather O’Rourke, fascinante com seus longos cabelos loiros) estabelecendo uma estranha interação com algumas vozes que, aparentemente, parecem sair da televisão. A partir deste ponto, objetos da casa começam a se mover sozinhos e talheres ficam tortos, até que tudo culmine no desaparecimento de Carol Anne, cuja voz começa a ser ouvida saindo do aparelho de televisão. Com a ajuda de especialistas no estudo e captura do chamado Poltergeist, a família Freeling começa a tentar encontrar uma maneira de trazer Carol Anne de volta.

Sem responder muita coisa logo de início, o roteiro de Spielberg em conjunto com Michael Grais e Mark Victor apoia sua narrativa tanto nos diversos elementos envolvendo a estranha presença de um poltergeist na casa quanto nas dúvidas sobre o que pode ter levado a família Freeling a passar por tal momento. Para tal, Poltergeist é um filme bastante auxiliado pela exploração de seus efeitos visuais, que dão o tom dos momentos de maior tensão da obra. Passados mais de 30 anos, é visível que os aspectos técnicos do filme não sobreviveram tão bem ao tempo, com algumas cenas abusando da sensação de artificialidade, tal qual o trabalho de maquiagem, visivelmente fake em determinado momento. Hooper e os roteiristas também pecam ao estende a procura por Carol Anne, onde os personagens buscam a todo momento uma nova solução, mas sem nunca encontra-la, o que faz com que o ritmo da obra caia consideravelmente nessas passagens.

Mas Hooper engrena novamente perto do final, e joga o espectador num emaranhado de cenas e acontecimentos que possuem força suficiente para segurar a atenção até o final, onde o diretor se permite a liberdade de criar um aparente final para brincar com nossas expectativas, com o roteiro construindo uma dinâmica interessante e até bem-humorada sobre os elementos fantasiosos da história. E esse é um dos principais méritos de Poltergeist, pois há a presença do humor inserido em meio às cenas de maior apelo trash, mas estas jamais soam destoadas ou quebram o clima das cenas. Pelo contrário, funcionam como um inesperado e bem-vindo fator de diversão.

Contando ainda com algumas cenas clássicas envolvendo uma gigantesca árvore e um assustador palhaço de brinquedo, Poltergeist – O Fenômeno já não é capaz de assustar a atual geração como fez nos anos 80, embora “assustar” talvez nunca tenha sido o objetivo de Spielberg e Hooper, uma vez que o filme é assumidamente uma ficção com elementos fantásticos que, antes de conseguir causar algum arrepio (consegue isso vez outra), é capaz de divertir e entreter com seu roteiro dinâmico e elementos bem explorados. Não chega a fazer jus ao seu status de clássico, mas é certamente um entretenimento competente, com boas situações e gargalhadas.

Comentários (22)

Daniel Borges | sábado, 23 de Maio de 2015 - 07:42

sobre o lance de 'envelhecer mal' um bom exemplo é a cena de estupro em Frenesi, que apesar de ser um filmaço aço aço, a tal cena vista hoje é de uma fragilidade constrangedora, e até mesmo em relação à época mesmo, em que muitos já não eram tão conservadores..

Luciano Rosa dos Reis | domingo, 24 de Maio de 2015 - 21:52

O filme não é ou deixa de ser clássico por gosto pessoal, e sim, por sua importância no cinema. O longa tem personagens memoráveis, um clima único, apesar de eu também não achar graça no mesmo. Mas ele fez sucesso na época, gerou uma série relacionada ao tema principal, marcou os anos 80, foi referência em várias paródias do cinema e também no próprio gênero. Pode não ser lá aquele filme bom, mas em contexto histórico, o filme tem seu peso, é icônico sim, funcionando ou não com a geração atual...

ana paula mello | terça-feira, 26 de Maio de 2015 - 22:14

Não deixa de ser irônico o fato de a garotinha ser "sugada" pela televisão. Já nessa época as crianças passavam mais tempo na frente da TV do que na escola ou lendo um livro. É curioso notar que os filmes de terror elevam a um nível do insuportável ou mesmo do sobrenatural, horrores cotidianos que habitam o ambiente familiar, como, por exemplo, este que os pais tem em relação à educação e formação dos filhos. Vide o Exorcista, a preocupação da mãe em relação ao desenvolvimento da sexualidade da filha e etc....

Gian Luca | sábado, 19 de Setembro de 2015 - 01:09

Filmao! 😁

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