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Tarântula

(Tarantula, 1955)
6,0
Média
26 votos
?
Sua nota

Críticas

Cineplayers

Filme B que define a ficção científica da década de 1950.

5,0

Tarântula nada mais é do que um daqueles filmes de terror e ficção científica da década de 1950, feitos unicamente para assustar as suas platéias com seus efeitos mal realizados e roteiros baratíssimos. É um “filme B” declarado, sem tirar nem pôr. Fugindo um pouco do tema das naves espaciais (que certamente dominou o estilo naquela mesma década), pelo título do longa-metragem fica fácil adivinhar do que se trata: uma aranha gigante, filha de um experimento mal-sucedido (nada com relação a modificação genética – naquele tempo isso não era conhecido), acaba fugindo do laboratório em que foi criada, para o azar de uma comunidade no meio do nada nos Estados Unidos.

A grande diversão da obra é justamente acompanharmos as cenas envolvendo a aranha. Há outros bichos que sofreram mutações de gigantismo, como ratos, coelhos e cobras (sem falar nas experiências com humanos), mas o ponto alto mesmo é a aranhona, cujo tamanho chega a aproximadamente um prédio de quatro andares. Isso em uma cena, pois logo depois ela aparece com metade do tamanho, para crescer novamente mais tarde. Esse tipo de erro era bem comum nesse sub-gênero, principalmente em cenas envolvendo efeitos especiais – e hoje, cinquenta anos depois, esses erros dão certo charme aos filmes daquela época. Para as cenas, uma aranha de verdade foi utilizada. O resultado final acaba sendo muito mais interessante que as aranhas do século XXI, produzidas em computação gráfica (mesmo Laracna, de O Retorno do Rei, não é tão assustadora quanto esta aqui).

Em termos de história pouco há para contar. O medo de aranhas é um fenômeno bem comum (eu mesmo tenho repulsa a esses bichos), então o filme de Jack Arnold praticamente vende-se sozinho. O roteiro, pelo menos, não faz muito para ajudar: são personagens fracos e sem profundidade alguma – um deles, é claro, do sexo feminino (a lindíssima Mara Corday), sendo alvo dos galanteios baratíssimos de nosso protagonista. Isso também era bem comum ao estilo, mas ao contrário de problemas com cenas de efeitos especiais ou de ação, essa falta de qualidade nos personagens humanos acaba, de certa forma, atrapalhando bastante a diversão, pois quando são só eles que estão em cena o filme se arrasta em situações óbvias e sem fim.

A ação de Tarântula começa para valer a partir de sua metade, mesmo assim de forma lenta. Mas culmina em um clímax muito divertido (embora só minimamente tenso), com a ameaça de toda uma cidadezinha pela aranha, que nesse momento já tem estatura colossal. Ela é perseguida por jatos com explosivos, e aí vem outra curiosidade do filme: o líder do esquadrão é interpretado por ninguém menos que Clint Eastwood, em um dos primeiros trabalhos de sua carreira, na época com 25 anos apenas. Isso eu li apenas depois de ter assistido ao filme, pois sob a máscara, dentro do cockpit de seu jato, é praticamente impossível ver a face do ator (tanto que seu nome sequer está creditado entre os atores).

Há filmes muito melhores, mais divertidos e tensos sobre aranhas assassinas. Aracnofobia, de 1990, é o primeiro que me vem à mente. Mas há outros. Tarântula ainda assim vale como curiosidade para quem é apaixonado por filmes B. Tem boas doses de cenas bizarras, o suficiente para deixar um espectador desse tipo atento até seu final, que é especialmente interessante. Diverte pelos efeitos especiais positivamente medonhos, mas fora isso há muito pouco o que se aproveitar aqui. E se você acabar gostando desse aqui, o diretor Jack Arnold é o responsável por algumas outras obras de terror B na mesma década: It Came From Outer Space (1953) e The Incredible Shrinking Man (1957). Diversão não vai faltar.

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