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Críticas

Cineplayers

Por trás da absoluta falta de qualquer mérito, jaz a diversão de chafurdar na lama.

0,0

Era uma vez um diretor de fotografia que trabalhava sempre com o mesmo diretor. Indicado continuamente ao Oscar por suas colaborações, um dia esse fotógrafo finalmente levou o careca dourado pra casa. E aí nossa fábula vira pesadelo, porque, como constantemente acontece, ter talento como padeiro não significa que você vá ter como dono da padaria. E aí temos Wally Pfister, premiado por seu trabalho em A Origem (Inception, 2010), tendo seu primeiro projeto como cineasta apoiado pelo chapa Christopher Nolan. O resultado é Transcendence – A Revolução (Transcendence, 2014), o maior desastre do ano até agora.

Fracassado nas bilheterias e entre os críticos, o filme é a cara dos projetos que Nolan e Pfister tocaram juntos... só que piorado, sem charme, sem talento e com um roteiro especialmente ruim. O bacana é que o prestígio da galera chamou nomes de peso para queimar no inferno junto com eles, como Morgan Freeman, Paul Bettany, Rebecca Hall e o protagonista Johnny Depp, que atualmente acha que o mundo é um parquinho de praça vagabundo, velho e enferrujado, se dispondo a passar tétano a qualquer que se aproximar dele. A lista de erros crassos na qual já tínhamos Sombras da Noite (Dark Shadows, 2012), O Cavaleiro Solitário (The Lone Ranger, 2013), O Turista (The Tourist, 2010), Diário de um Jornalista Bêbado (The Rum Diary, 2011) e o último Piratas do Caribe se junta esse novo, que deve levá-lo mais uma vez a lista dos Framboesas. Por favor, premiem logo!

Na trama cheia de rombos que provocam questionamentos lógicos de 2 em 2 minutos (e olha, antes que me acusem de ser 'preciosista' - e que eu teria o direito de ser - apesar de ser uma ficção científica, os erros nada têm a ver com a "realidade construída para o filme"; é tudo erro de lógica padrão mesmo, furos de narrativa comuns a qualquer filme horrível), conhecemos o cientista tecnológico Will Caster, defensor da evolução da inteligência artificial. Depois de uma palestra, Will sofre um atentado e fica frente a frente com a finitude, precisando recorrer a um imenso computador criado por ele para abrigar sua "mente e memórias" quando ele se for. É aí que o uso da inteligência artificial se fundiria com o melhor do ser humano moderno, mas óbvio que a experiência não será bem sucedida assim que Will parecer sair do controle das suas ideias e literalmente querer bancar um deus.

Incrível perceber que ninguém lembrou do igualmente ridículo Assassino Virtual (Virtuosity, 1995), bomba estrelada por Denzel Washington e Russell Crowe há quase 20 anos, de desenvolvimento parecido. A culpa não é tanto do elenco (embora Depp esteja realmente no piloto automático que assumiu estar em recentes entrevistas), mas do péssimo roteiro e da inexistente experiência de Pfister atrás das câmeras para comandar um set. Tudo parece artificial e preguiçoso no longa, com imagens estéreis que lembram trechos de National Geographic aqui e ali para situar a "natureza", além dos lugares comuns ligados ao gênero do material, repetido à exaustão aqui em momentos idênticos ao que de pior já vimos.

A verdade é que estamos diante daqueles produtos históricos, nível A Reconquista (Battlefield Earth: A Saga of the Year 3000, 2000), Striptease (idem, 1996), O Mensageiro (The Postman, 1997), Ishtar (idem, 1987) e tais, aquelas coisas comentadas durante anos, que aparecem de tempos em tempos sujando todos que se aproximaram delas. Ao mesmo tempo, esse tipo de filme onde absolutamente nada dá certo é (felizmente) cada vez mais raro, e talvez por isso a sessão deles seja tão divertida e inesquecível. Confesso que poucas vezes recentemente me diverti tanto e saí mais relaxado de uma sessão, quase agradecido ao universo pela bomba recebida. Creio que meus colegas jornalistas concordaram comigo porque a diversão foi generalizada; espero que o público relaxe com tamanha ruindade e saiba também encarar a montanha russa de esterco que Hollywood nos deu de presente nesse 2014.

Comentários (79)

Cristian Oliveira Bruno | quinta-feira, 26 de Junho de 2014 - 21:39

Que venham mais Von Triers e Nolans da vida pra gerar mais discussões. Isso faz do cinema a verdadeira arte que é.

Renato Coelho | terça-feira, 01 de Julho de 2014 - 15:29

Johnny Depp só estava bom no primeiro Piratas. Robert Downey Jr. é bem melhor!

Jules F. Melo Borges | domingo, 06 de Julho de 2014 - 16:36

Que crítica bosta. 😲
Melhor que todos os filmes dirigidos pelo Nolan que eu tenha visto.

Helena Novais | quarta-feira, 03 de Dezembro de 2014 - 14:13

Esta é a crítica mais equivocada que eu li no Cineplayers nos últimos dez anos... Superficial, vaga, não se explica, não diz nada com nada e não acrescenta nada... O que merece nota zero é este texto, não o filme. Estou pasma! 😲

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