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Críticas

Cineplayers

Contra todas as expectativas.

6,0

Foi com certo receio que entrei na sala de cinema para conferir este Os Três Mosqueteiros (The Three Musketeers, 2011), mais nova versão para o cinema da clássica história de Alexandre Dumas. Dirigida por Paul W. S. Anderson, que de obra mais relevante tem o duvidoso Resident Evil – O Hóspede Maldito (Resident Evil, 2002), era de se esperar outra bomba, principalmente depois do constrangedor trailer divulgado. Mas se nos desarmamos e formos receptivos apenas ao que está em tela, conferimos justamente o contrário: uma obra descompromissada, que usa o renomado para criar o novo, entretendo o espectador sem maiores pretensões, com uma boa ação absurda, que abraça o fantástico e caminha de mãos dadas com a ironia – tudo em nome da diversão.

Modernizando a já conhecida história de D’Artagnan, o jovem que parte em busca dos três mosqueteiros para se juntar a eles, o diretor surpreende ao demonstrar um bom gosto nas locações (lindíssimas, de verdade), figurinos (apropriados e muitas vezes engraçados, orgânicos às personalidades retratadas) e na abordagem com que conduzirá a história (tudo é ridicularizado). Aqui, nada de seriedade: a história dos heróis que servem ao Rei Luís XIII e à Rainha Ana d’Áustria, muito novos e inexperientes, na verdade não importa tanto, muito menos o seu conflito com o Cardeal Richelieu e a traiçoeira Milady. O legal é ver ação, efeitos especiais, personagens que não se levam a sério. Esqueça o tom realista, heróico e aventureiro da obra original. Essa nova versão não se aprofunda no conflito, desenvolve a metáfora da guerra de poder entre o Rei e o Cardeal de maneira branda, esquece os subtextos da guerra interna (o Rei deveria lutar contra outros países, mas sua real guerra está dentro das próprias fronteiras)... A história usa nomes e ações clássicas, mas poderia ser qualquer uma, pois seu interesse é outro.

Então, será comum, durante toda sua duração, ver os personagens falando de maneira exagerada, ter tomadas em câmera lenta para intensificar o absurdo que está sendo mostrado, encontrar soluções nada verossímeis para os problemas, assistir lutas cada vez mais absurdas (e espetaculares justamente por isso), enfim, toda uma salada de sessão da tarde que funciona no ligar das lâminas do liquidificador. Há os seus absurdos levados a sério conflitando com suas reais intenções, como o romance abrupto de D’Artagnan ou alguns efeitos bem ruins. Na realidade, são defeitos que nos lembram que estamos assistindo a um filme de Paul W. S. Anderson, mas saímos no lucro ao pensar que esperávamos a obra inteira assim e, na verdade, encontramos apenas um momento ou outro destoando. Temos de ser justos e reconhecer que, mesmo com o quase péssimo currículo, na maioria do tempo Anderson estava inspirado e fez aquilo tudo funcionar de alguma maneira.

Parecendo um grande desenho animado em tela grande, seus caricatos personagens encontram situações ainda mais caricatas, lidando com elas de maneira nem sempre previsíveis – e é justamente por isso que esse romance bobinho e forçado não encaixa com o ritmo descolado e moderno da proposta. Muitos encontrarão resistência justamente por não esperar essa abordagem cartunesca, inocente, de esgrimas quase sem sangue e sorriso no canto do rosto, mas na verdade ela funciona muito bem, sendo na maioria do tempo bem desenvolvida de maneira canastrona – o exagero é seu aliado, no leve contar da história, nas interpretações dos atores (até Milla Jovovich e Orlando Bloom estão no nível Nicolas Cage de overacting), nos efeitos nada realistas e nas situações grandiosas, absurdas, destrutivas. O mal de Resident Evil, de se levar a sério demais quando o que está em tela mostra justamente o contrário foi superado. A dica é: embarque, curta, divirta-se. O seu tempo e o seu dinheiro valem isso, ainda mais em época de entressafra do mercado (estreou no Brasil em plena quarta-feira, dia das crianças) e com um filme corajoso o suficiente para assumir o ridículo e torná-lo uma de suas maiores qualidades. É simplesmente uma fantasia, da maneira mais bruta possível, então exigir algo a mais seria uma baita injustiça.

Comentários (17)

Levy Pimentel | quarta-feira, 19 de Outubro de 2011 - 14:34 | Responder

olha ...eu trabalho em um cinema e tenho a oportunidade de assistir aos filmes antes q ele chegue ao grande público, e me surpreendi com o q vi...efeitos bons, história leve com situações resolvidaa facilmente e um Paul W. S. Anderson q eu gostaria de ver mais vezes. Logo após a primeira sessão do filme percebi que o que eu achavaso filme, outras pessoas também acharam, então só por isso já tem a minha indicação, vale a pena.

Kennedy | quarta-feira, 19 de Outubro de 2011 - 20:16 | Responder

O fato é que o filme diverte e pronto. Não pode-se esperar nada mais do que um filme desse tipo.

Fernanda Pertile | quarta-feira, 16 de Novembro de 2011 - 15:39 | Responder

Eu assisti o filme ontem e concordo totalmente com a crítica... parabéns Rodrigo 😁

Adriano Augusto dos Santos | segunda-feira, 10 de Dezembro de 2012 - 09:25 | Responder

Milady está o máximo ! Usando sua perfídia naquele rosto lindo,e os closes bem colocados,com sabor delicioso.

Queria um Rochefort melhor.

Divertido pra caramba,do meio para o fim principalmente.

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