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Críticas

Cineplayers

Family business.

6,5
O resultado de uma franquia de cinema que chega a seu oitavo episódio mantendo boa parte do elenco original e ainda por cima quebrando recordes de bilheteria só pode ser explicado, de maneira muito simplista, de uma única forma: afeto. Já são dezesseis anos que Velozes e Furiosos sem mantém sempre no auge, não só porque seu público-alvo é dos mais fiéis do cinema pipoca, mas principalmente porque esse mesmo público acompanha esses personagens há mais de uma década em sua vida, quase que anualmente. Em proporções maiores, é como ocorreu com a trilogia Toy Story, da Pixar, que teve um terceiro filme aclamadíssimo mais por conta do fato de significar o fim de uma era para toda uma geração que acompanhou aqueles personagens desde a infância do que por seus méritos individuais. 

Outra palavra que poderia definir isso é, apesar de um aparente exagero, família. Velozes e Furiosos 8 (The Fate of the Furious, 2017), em cartaz desde o último fim de semana, tem o sucesso que somente um apelo familiar poderia justificar. Deixou de ser uma questão apenas de acompanhar Vin Diesel fazendo malabarismos cada vez mais impossíveis e entorpecentes atrás de um volante e depois voltar para casa após o fim da sessão. Agora existe um vínculo, um laço entre franquia e público que poucas vezes foi sedimentada no cinema. De tão íntima a natureza dessa relação, que a trágica e irônica morte de Paul Walker, um dos astros da série, em um acidente de carro, atingiu todos a um nível muito mais pessoal do que o costumeiro em casos de celebridades mortas. Foi como perder um membro da família e o episódio 7 da saga foi quase uma manifestação de luto dividida entre os dois lados da tela, tanto que muitos se perguntaram como (e se) essa história continuaria sem o seu protagonista. 

Velozes e Furiosos 8, mais do que um filme de ação com a marca e o mesmo nível de qualidade da franquia, tem um tom pessoal de prestação de contas. É a mesma correria lotada de explosões e piruetas de sempre, mas fundamentada nessa relação família entre personagens e público, ou um pedido de aprovação para seguir em frente mesmo diante da ausência de Walker, num respeitoso processo de superação, mas não de esquecimento. A julgar por seu estrondoso sucesso, podemos dizer que a família está mais sólida do que nunca e pronta pra continuar num sem-número de futuros filmes já planejados (Dinossauros? Corridas interestelares? Quem sabe?). 

Não à toa, o plot ou desculpa para cair na estrada gira em torno de família, de traições, de feridas em aberto. Um dos motivos para a franquia se manter sempre popular está em seu crescente grau de exagero e absurdo a cada novo filme, e já que estamos no oitavo, esse nível já extrapola qualquer tipo de lógica ou leis de meros mortais. Charlize Theron é nome oscarizado de peso e fruto do luxo que agora lhes é permitido, atuando como a vilã gélida que movimenta a trama, enquanto a igualmente premiada e conceituada Helen Mirren também soma ao time de estrelas que o filme ostenta poder comportar. 

A ambição de expandir também envolve um roteiro que alcança sem medo temas como espionagem, agentes secretos, vilões russos, terrorismo, ameaças nucleares - e capaz de deixar James Bond orgulhoso. A espinha dorsal permanece na necessidade da velocidade, na iminência da fuga, na simbólica figura do carro possante como representação de poder e juventude, porém seu entorno se mostra cada vez mais diversificado e sempre assimilando tendências do cinema comercial. Claro que isso resulta em boas ideias na mesma medida que se acumula em uma tremenda bagunça, mas esse é o menor dos problemas diante desse filme nascido do exagero, do absurdo, do descompromisso e amadurecido por sua auto consciência. A tática é ir literalmente atirando para todos os lados, acertando alguns, errando outros, mas sempre se certificando de que do nosso lado da tela há uma família disposta a aturar qualquer deslize pelo bem de sua continuidade.

Comentários (15)

André da Cunha Sampaio | quinta-feira, 27 de Abril de 2017 - 17:24 | Responder

Kkkkkk, autor da comentário imbecil, se você adora pagar de cinefilozão, mas não consegue entender os diversos tipos de opinião e pontos de vistas sobre um mesmo filme e afins, não precisa criticar Velozes e Furiosos que é uma obra de arte e jogou a verdade na sua cara.

Luís F. Beloto Cabral | sexta-feira, 28 de Abril de 2017 - 00:31 | Responder

Queridinho, deixa eu te dizer uma coisa:
Eu conheço o autor dessa crítica e posso te dizer que é uma pessoa com um repertório incrível e um conhecimento muito grande sobre o que ele tá falando. O Heitor já viu muito mais filmes do que nós dois juntos e certamente também já leu muita coisa a respeito. Você tem todo o direito de não concordar com o argumento dele, mas um pouquinho de respeito cai bem, sabe? Você é uma coisa que aconteceu nesses últimos tempos, mas o Heitor tá aí já faz muitos carnavais e é quase um consenso que ele no mínimo sabe construir muito bem o argumento dele, indo além do raso. Não só a sua arrogância, mas o seu deboche chegam ao nível do ridículo e do insuportável. Um pouco de humildade e principalmente um pouco de respeito nunca são demais. Eu mesmo não simpatizo com alguns editores desse site e nem por isso vou dizer que eles são boçais que não entendem de cinema. O que você faz é grosseria e não um diálogo adulto.

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