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Velozes e Furiosos 9

(F9, 2021)
4,8
Média
16 votos
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Sua nota

Críticas

Cineplayers

Que [não] venha Velozes 10.

2,0

Com o claro risco de ser tachado de velho e prepotente, digo que não há defesa para uma obra como Velozes e Furiosos 9. As desculpas para falar bem do filme parecem ser infindáveis, ele próprio insiste nelas, criando diálogos que autorreferenciam as escrotices que são apresentadas em tela. Dizem que é cinema entretenimento, é divertido, “é feito pra ser assim mesmo”, e quem não gosta é “porque não entendeu”. Mas, repito: não há defesa. Atingimos, definitivamente, a era da idiocracia, não é à toa que o público-alvo do filme é a primeira geração cujo QI é inferior aos dos pais. Parabéns, estamos regredindo como sociedade, e o trabalho encomendado a Justin Lin (que já havia feito os episódios muito superiores, ainda que fracos, 4, 5 e 6 da mesma série) é a síntese e uma evidência irrefutável disso.

É engraçado que defendam a obra sob pretextos como “era para ser assim mesmo” ou “basta desligar o cérebro”, mas não, o cinema pode ser fanfarrão, debochado, paródico ou simplesmente divertido sem essas bobagens de carros voadores que saltam penhascos ou o salvamento da humanidade no último segundo dirigindo-se um carro no espaço (e é quase realmente cômico, de forma infeliz, que o Velozes 9 é lançado na mesma época em que bilionários com problemas de autoestima resolvam se exibir com viagenzinhas espaciais desnecessárias e degradantes ao meio-ambiente, em uma época tão séria e crítica para o nosso futuro).

Como fã verdadeiro de cinema, sempre gostei de Vin Diesel. E quem não gosta? O cara não tem nenhuma finesse nos seus papéis – bem como a grande maioria do elenco aqui (Charlize Theron, eu já te amei, por que você está fazendo isto novamente?). Em Velozes 9, a impressão que tive é de que removeram o Vin Diesel original e colocaram no lugar uma personagem totalmente feita de computação gráfica. Ou então de cera. A expressão facial imutável, a total falta de emoção em seus olhares (muito mais do que normalmente já acontece), os diálogos absurdamente charlatões e risíveis... Não! Conseguiram até estragar o Vin Diesel. Que constrangimento!

O filme fez sucesso (mesmo em época de Covid-19) e não vai atrapalhar a carreira de ninguém, bem pelo contrário: em cena pós-créditos já temos um prenúncio do próximo capítulo. Mas quem verdadeiramente se importa? A cada capítulo encaixam personagens, ressuscitam mortos, fazem malabarismos para tentar unir pontos e justificar explodir e bater centenas de carros, algo que faria inveja à contagem de mortes de Jason em Sexta-Feira 13, no auge de sua matança. E, para completar, os efeitos especiais desses pseudo-novos-blockbusters estão cada vez mais medíocres. Imagino que as ferramentas utilizadas para tecê-los sejam cada dia mais normalizadas e reaproveitadas entre vários filmes de seus respectivos estúdios para corte de gastos, mas visualmente é tudo muito feio e chato. Já chegamos no ponto em que os consoles de vídeo-games mais modernos trazem um espetáculo mais vislumbrante que os grandes orçamentos de Hollywood. Que decadência.

Podem dizer que é papo de cinéfilo chato, mas ainda consigo me divertir com cinema tanto quanto há décadas atrás. Mesmo alguns blockbusters modernos, lançados nos últimos anos, têm qualidades e valem a recomendação sem muito esforço. Então o problema É SIM com Velozes e Furiosos (9, mas valeria para o 8 também, pelo menos) e seu excesso de displicência e autoestima em achar que pode ser tosco que todos vão comprar e elogiar. Isso sim que é arrogância! Queria tirar algum proveito, alguma cena interessante ou alguma qualidade que justificassem os quase 140 minutos (!) de lixo abominável, de atores tentando disfarçar o constrangimento de fazerem as cenas que fizeram, de infindáveis cenas de ação recicladas de todo o restante da série. Mas não tem nada. A não ser, talvez, como servir de espelho para o estado das coisas atual. O mundo está um caos, e sei que o cinema tem, em uma de suas funções (quiçá a principal delas) entreter. Mas não: ele acaba corroborando para esse caos, ao invés de servir como válvula de escape.

Comentários (1)

Jonas Bittencourt | quarta-feira, 18 de Agosto de 2021 - 13:56

Até agora eu tinha conseguido atravessar todos os filmes da franquia de boa, mesmo os piores, eram um passatempo razoável. Mas esse, eu não consegui passar de 1h, cada minuto parecia que eu tava levando uma facada no meu cérebro, oq eu achei engraçado é o fato de que nos outros filmes a gente aceitava os absurdos já que o humor funcionava e ainda dava pra se importar um pouco com os personagens, mas nesse filme tudo parece over, nenhum dos atores demonstra uma vontade genuína de estar no filme, parece que todo mundo tava ali porque tinha que tá mesmo, e os absurdos são apenas absurdos.

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