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Você Deveria Ter Partido

(You Should Have Left, 2020)
5,3
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Críticas

Cineplayers

Kevin Bacon repete parceria com diretor de décadas atrás e o resultado é positivo

6,0

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Suspense psicológico com Kevin Bacon como protagonista? Por que não, não é mesmo? O prognóstico é bem fraquinho, a sinopse remete a um argumento que proporciona clichês que vêm sendo repetidos há décadas no gênero (casal passa um tempo em uma casa isolada, onde “coisas estranhas” começam a acontecer). Mas o resultado é positivo, talvez por que, particularmente, este seja um dos meus sub-gêneros favoritos. Por “positivo”, lê-se: funciona. Desperta alguns calafrios aqui e ali (de fato, algumas cenas são arrepiantes); tem um mistério central que vai sendo revelado de forma suave, na tentativa de levar a atenção total do espectador até o seu clímax, algo nem sempre simples no mundo de 2021.

O set é uma casa isolada próxima a um vilarejo galês, ou seja, são dois locais distintos que formam o núcleo da história. A casa é bem apresentada e seus segredos vão sendo revelados aos poucos; o vilarejo é um local que adiciona atmosfera, mas, infelizmente, é muito superficialmente apresentado. E, nesses locais, temos o casal de protagonistas – Kevin Bacon e Amanda Seyfried, duas figuras populares do cinema estadunidense. A diferença de idade entre os dois é gritante e esse é um dos sub-temas do roteiro, sendo um dos elementos que ajuda a criar conflitos e a mexer com a cabeça do personagem de Bacon.

Do diretor David Koepp, gosto particularmente dos thrillers dos anos 1990 O Efeito Dominó e Ecos do Além (este último, também com o mesmo ator principal). Agora, mais de 20 anos depois, Koepp continua mostrando versatilidade dentro desse tipo de cinema, apropriando-se da atmosfera do set, que é ideal para o gênero, e de um roteiro (escrito pelo próprio) que brinca com as expectativas e cria algumas surpresas interessantes – não que consiga sustentar toda a fantasia de terror que propõe, mas o resultado é bem positivo, como já tinha comentado acima. No final, há uma espécie de quebra-cabeça mental que é mais engenhoso do que de fato bom, gerando um resultado dúbio e, de certa forma, previsível, justamente por que o espectador experiente no gênero já espera algo que atice seu cérebro. Revisões não são necessárias (como em O Sexto Sentido), mas podem ajudar.

Esta é uma daquelas obras que pode ser recomendada praticamente sem ressalvas para amantes de suspenses psicológicos, mas dificilmente convencerá alguém que não admira o gênero a passar a admirá-lo. Tem um roteiro um tanto irregular, mas bom o suficiente para grudar-se a uma ótima atmosfera (que acredito ser o real ponto forte de Você Deveria Ter Partido). É bom ver Kevin Bacon ainda fazendo cinema de qualidade, e não rendendo-se, necessariamente, a fazer cinema só por fazer ou para pagar contas – no mínimo, é um filme super bem filmado e produzido, ainda que partes do seu conteúdo sejam questionáveis. E vale também por algumas cenas de arrepiar a espinha.

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